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terça-feira, 3 de março de 2015

Corações Ousados

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
O ex-agente Dalton achou que sua vida tivesse chegado ao fim quando uma gangue de contrabandistas o largou à beira da morte. 

Retornando ao seu rancho no Wyoming, ele se preparou para levar uma vida calma e pacata.
Até Merissa bater à sua porta. Ela sabia muito bem que era considerada a “esquisita” da cidade devido ao seu dom de prever o futuro.
E Merissa teve uma visão com Dalton em perigo. Mas ele não é o único. A segurança de Merissa também está ameaçada...

Capítulo Um

Era uma das piores nevascas na história da Fazenda Real em Catelow, Wyoming. Dalton Kirk olhou pela janela e fez uma careta enquanto os flocos pareciam crescer de tamanho a cada minuto. Era meio de dezembro. Geralmente, um tempo como este vinha mais tarde. Ele tirou seu celular do bolso e ligou para Darby Hanes, seu capataz. 
— Darby, como estão as coisas por aí? 
— O gado está parcialmente afundado na neve — replicou Darby, a voz falhando com a estática —, mas nós temos comida por enquanto. Está ficando difícil alcançá-los, todavia. 
— Eu espero que isso não dure muito tempo — disse ele, com pesar. 
— Eu também, mas nós precisamos tanto da neve para o suprimento de água na primavera que não estou reclamando. — Darby riu. 
— Cuide-se aí. 
— Claro. Obrigado, chefe. Ele desligou. Detestava as tempestades, mas Darby estava certo sobre a necessidade desesperadora deles por neve. A seca do verão tinha dificultado a vida dos fazendeiros do Oeste e do Centro-Oeste. Ele apenas esperava que eles fossem capazes de alimentar o gado. Numa emergência, é claro, agências estaduais e federais ajudariam com transporte aéreo de sacos de feno para os animais. 
Dalton foi para a sala de estar e ligou a televisão no canal de História. Era melhor se ocupar, em vez de se preocupar tanto, pensou com divertimento. Mavie, a governanta, franziu o cenho quando pensou ter ouvido alguma coisa perto da porta dos fundos. Estava guardando a louça na cozinha, nervosa porque a tempestade parecia estar piorando. Curiosa, todavia, ela foi espiar através das cortinas brancas, e arfou ao ver um rosto oval pálido, com grandes olhos verdes encarando-a de volta. 
— Merissa? — perguntou ela, chocada. Então abriu a porta. Lá, numa capa vermelha com capuz, quase coberta de neve, estava uma vizinha. Merissa Baker vivia com a mãe, Clara, num chalé no bosque. Elas eram as pessoas da região consideradas “peculiares”. Clara podia curar queimaduras e verrugas com palavras mágicas. 
Ela conhecia todo tipo de ervas para doenças, e diziam que ela possuía a “clarividência”, também, que podia ver o futuro. Boatos indicavam que a filha tinha as mesmas habilidades, apenas aumentadas. 
Ela lembrava que, quando Merissa estivera na escola, as colegas de classe costumavam evitá-la e castigá-la tanto que sua mãe a tirara da escola por causa dos problemas de estômago constantes da filha. O sistema de ensino enviara um profissional à casa de Merissa com as lições de classe e para ver o currículo escolar da garota. Ela se formara com a classe, com notas que envergonhava a maioria deles.


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Desafio de Uma Vida

ROMANCE CONTEMPORÂNEO






Nascido em uma família de rancheiros, Harden Tremayne poderia ser considerado o homem mais rude e selvagem de todo o Texas. 


E também o mais solitário. Pelo menos, até conhecer Miranda Warren, uma adorável viúva vinda de Chicago que despertou nele sentimentos há muito tempo sufocados. 
Além do agonizante desejo por uma mulher que jamais poderia pertencer a ele. 
Miranda nunca sentira algo tão arrebatador quanto a paixão por aquele caubói alto e esguio. 
Seria o amor dela suficiente para amaciar um coração seco e, ao mesmo tempo, tão sedento de carinho?

Capítulo Um

O bar não estava lotado. Harden, porém, desejou que estivesse para não se destacar tanto dos demais. Apesar de usar um terno sofisticado cinza, era o único cliente com botas e chapéu de vaqueiro. Mas o problema era que, mesmo não querendo, chamava atenção.
Estavam realizando uma conferência de criadores de gado no hotel, no centro de Chicago, onde havia reservado uma suíte de luxo para se hospedar durante o evento. Não viera até ali por vontade própria.
Seu irmão, Evan, lhe propusera dar uma palestra sobre os novos métodos de aperfeiçoamento de raças de gado, e quando ele pensou em recusar, já era tarde demais. 
De seus três irmãos, Evan era o mais próximo, provavelmente porque, sob seu bom humor e descontração, havia um temperamento ainda mais intenso que o seu e uma ferocidade de espírito que o tornava um aliado poderoso. Tomou um gole da bebida, sentindo-se profundamente só. 
Não se entrosava bem com a maioria das pessoas. Até mesmo as cunhadas o achavam, particularmente, aborrecido como companhia para um jantar, e ele sabia disso. Às vezes, era difícil apenas passar o dia. Sentia-se incompleto, como se algo vital faltasse em sua existência. 
Viera até o bar com a intenção de se distrair um pouco, mas o fato de estar rodeado por casais, rindo e conversando, começava a deprimi-lo mais ainda. Seus olhos azuis se fixaram em uma mulher madura que flertava com um homem. 
A velha história de sempre. Uma dona de casa entediada, um estranho bonitão… Sua própria mãe poderia escrever um livro sobre o assunto. Afinal, ele era o resultado de uma aventura amorosa, o único bastardo em uma família de quatro garotos. 
Sua ilegitimidade era do conhecimento de todos e, embora o fato não o incomodasse tanto, agora, o desprezo que sentia pela mãe e a aversão em relação ao sexo feminino, em geral, não diminuíra com o tempo. E havia outra razão, uma razão ainda mais dolorosa, para não perdoar a mãe. 
Algo bem mais condenável que as circunstâncias do seu nascimento. Mas o pensamento lhe causou tanto sofrimento, que procurou bani-lo da mente. Apesar dos anos, a lembrança ainda cortava como uma navalha afiada. Por esse motivo, não se casara. E, provavelmente, jamais se casaria. 
Dois de seus irmãos eram casados. Donald, o mais novo dos Tremayne, havia sucumbido há quatro anos. Connal se casara no ano anterior. Evan e ele eram os únicos solteiros restantes da família. Theodora, sua mãe, fazia o que podia para arranjar mulheres elegíveis para os dois. Evan se divertia com elas. Harden não. Atualmente, as mulheres não lhe despertavam o mínimo interesse. 
Certa vez, considerara abraçar a vida religiosa, mas a ideia se esvaiu como a maioria dos seus sonhos de criança. Era um homem agora com sua cota de responsabilidade no rancho Tremayne. Além do mais, tal hipótese nunca chegara a atraí-lo de fato. 
De repente, um riso luminoso chamou sua atenção à porta de entrada do bar. Apesar de sua hostilidade em relação a qualquer coisa que usasse saias, não conseguiu desviar o olhar da mulher que acabara de entrar em companhia de um homem. Era linda. A criatura mais bela que já vira na vida. Possuía cabelo escuro, longo e ondulado, que lhe chegava ao meio das costas. 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Noites de Delírio

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 

O estalo da bofetada ecoa no palco vazio 

quando Edward McCullough, com a face marcada pelos dedos delicados, avança sobre a atriz principal. 
Você é minha esta noite, Elisabet Cambridge! —, ele diz entre dentes, enlaçando-a pela cintura. 
Quase desfalecendo entre os braços rijos, Bett não tem forças para enfrentá-lo. 
Como resistir, se uma noite com o famoso autor e diretor teatral é um sonho maior que o delírio da plateia?  


Capítulo Um 

No palco vazio e silencioso, fracamente iluminado por uma única luz vinda do teto, Bett Cambridge observava impaciente, o auditório às escuras. Preparava-se para ler o script que tinha nas mãos, sabendo que os examinadores estavam na plateia, embora não pudesse vê-los. 
Mas eles deviam estar interessados, senão por que a tinham escolhido entre as três candidatas selecionadas no primeiro teste? O texto era o mesmo da vez anterior, e embora o conhecesse como a palma da mão, pois compartilhara aquelas emoções com seu criador, tempos atrás, naquele exato momento o medo de errar era ainda maior. 
Um calafrio percorreu seu corpo delicado, ao lembrar-se daquele homem. Não, não devia ter vindo, apesar de precisar demais daquele emprego. Quando fora chamada para o teste, esquecera-se de todos os temores, pois soubera que ele se encontrava em Hollywood, trabalhando em um novo roteiro. 
Mas... e se por acaso ele aparecesse ali? “Tudo dará certo”, pensou, tentando tranquilizar-se, embora suas mãos ainda tremessem. Afinal, nada mais havia entre eles. Agora que era um dramaturgo famoso, Edward McCullough estava ainda mais distante. Há muitos anos Bett deixara de fazer parte de sua vida. Atualmente, apenas trocavam rápidos olhares e poucas palavras, quando se encontravam em alguma festa. O passado estava morto e enterrado para ambos. 
Por que então ele se importaria de que ela participasse de uma de suas peças de maior sucesso? Bett segurava o script fortemente, procurando se concentrar no papel que iria representar: uma jovem pobre e sozinha, grávida de três meses. Estava vestida com a mesma roupa que usara no primeiro teste e deixara os longos cabelos dourados soltos sobre os ombros. 
Pensando na tristeza da pobre garota abandonada, relaxou o corpo, como se sentisse cansaço, e começou a ler dramaticamente o texto de A Garota do Quarto Escuro. 
— Você pensou que ele fosse um cavalheiro, querido Tom — declamou em voz alta e clara, que ecoou por todo o teatro. 
Mordendo o lábio inferior, procurando sentir a agonia da personagem, jogou os cabelos para trás e riu. 
— Você, meu bom e amável Tom, que toda tarde me levava do trabalho para casa, querendo me proteger. Oh, meu Deus, o que vai ser desse bebê agora? Como poderei tê-lo? Como vou criá-lo, se não tenho ninguém? 
Bett cobriu o rosto com as mãos e começou a caminhar agitada de um lado para outro do palco. Declamou todo o trecho da peça escolhido, até que, por fim, erguendo novamente a cabeça, estendeu as mãos num gesto suplicante. 
— Não! Não posso desistir dessa criança! Mas também não posso tê-la! — Ela falava quase sussurrando, com o olhar perdido. 
— Oh, meu Deus, se você me ama, mostre-me o que devo fazer!

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Casamento Acidental

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Série Irmãos Tremayne









Penelope Mathews é fascinada por C.C. Tremayne desde a adolescência. 

Até que uma noite ele bebe demais e parte para o México em busca de confusão. 
Para impedir que C.C. termine na cadeia, Pepi se casa com ele! 
Quando o porre passa, o caubói cai na realidade e fica indignado. 
A última coisa que ele precisa é de uma noiva virgem. C.C. exige anulação imediata! 
Contudo, quanto mais tempo passam juntos, mais ele percebe que não quer o divórcio…ele deseja Pepi!

Capítulo Um

Penelope sabia que não iria encontrá-lo no estábulo naquele dia do ano. Era lá que ele costumava estar àquela hora. Em qualquer outra ocasião, C.C. Tremayne estaria sempre dois passos à frente de seus homens no que dizia respeito à alimentação dos animais, sobretudo com a seca, que tornara a grama marrom e quebradiça nas últimas semanas.
Fora o clima árido que quase provocara a falência do pai de Penelope. Mesmo com o rio Grande a apenas alguns quilômetros de distância, a água era um bem precioso naquela região, e os poços continuavam secando, deixando vazios os reservatórios alimentados pelo rio.
O clima do oeste do Texas costumava ser quente em meados de setembro, mas o vento estava forte, e o fim de tarde, extemporaneamente frio.
Penelope vestira uma jaqueta antes de sair, e agora agradecia por isso, embora a friagem da tarde a fizesse estremecer.
Começava a escurecer, e ela sabia que se não conseguisse encontrar C.C. antes do pai, aquilo significaria outra briga desagradável. Nas últimas semanas, Ben Mathews e seu administrador pareciam estar sempre atracados à garganta um do outro, e Penelope queria evitar mais discussões. 
O pai sempre se irritava quando o dinheiro ficava curto. As coisas não poderiam estar piores no momento.
C.C. estava bebendo. Penelope sabia. Era aquela época do ano outra vez. Apenas Penelope tinha noção da importância daquele dia de setembro na vida de C.C. 
Certa vez, cuidara dele durante uma gripe e, em delírio febril, C.C. lhe revelara tudo. Ela não lhe contara que ficara sabendo, claro. C.C., como era chamado, embora ninguém soubesse o que significavam as iniciais, não costumava revelar seus assuntos pessoais a ninguém
Nem mesmo à moça que o amava mais do que a própria vida.
C.C. não amava Penelope. Nunca amara. Ela, no entanto, o adorava desde os 19 anos, quando ele fora contratado para substituir o administrador de Ben Mathews, que havia se aposentado.
Bastara um olhar para o homem ágil, esbelto, de olhos escuros, feições aquilinas e rosto austero para se apaixonar irremediavelmente. Aquilo fora três anos atrás, mas seus sentimentos não mudaram. 
Talvez nunca mudassem Penelope Mathews era uma mulher muito obstinada. Até mesmo o pai reconhecia aquilo.

Série Irmãos Tremayne
1- Casamento Acidental

domingo, 21 de setembro de 2014

Avassalador

ROMANCE CONTEMPORÂNEO







J.B. Hammock jogava de acordo com as próprias regras, sendo a primeira delas nunca se envolver com uma mulher.

Mas a doce Tellie Maddox pairava ao seu redor como uma delicada borboleta.
Isso foi o suficiente para que esse solteirão convicto tivesse que tomar medidas drásticas.
Mas em uma guinada do destino, Tellie perde parte da memória.
Apesar de durão, J. B. não podia ser tão insensível a ponto de ignorá-la, então resolveu bancar o amigo... até que a amizade se transformou em algo muito mais profundo. E agora J.B. foi finalmente fisgado!
Mas Tellie recobrou suas lembranças...

Capítulo Um

O semestre fora cansativo. Tellie Maddox finalmen­te conseguira seu diploma em História, mas sentia-se traída. Ele não aparecera na cerimônia de formatura. — Marge fora com Dawn e Brandi, suas filhas. Embora não fossem parentes, eram muito próximas de Tellie — órfã há anos. Importavam-se com ela e não de prestigiá-la num dia tão especial. Ao contrário de J.B., que causava-lhe mais uma decepção na vida.
Tellie afastou os cabelos escuros ondulados e sus­pirou. Sonhara que um dia J.B. se apaixonaria por ela e a pediria em casamento. No entanto, a cada dia isso ficava mais distante.
J.B. Hammock era irmão de Marge. Tirara Tellie do lar de adoção temporária no qual estava desde a morte da mãe. Seu pai, o principal vaqueiro de J.B., abandonara a esposa e desaparecera. Tellie foi viver com uma outra família, apesar das objeções de Mar­ge. Na época, J.B. dissera que uma viúva com duas crianças para criar não precisava de mais complicações.
Entretanto quando Tellie sofreu uma tentativa de estupro e J.B. soube o que ocorrera por um policial seu amigo, fez uma denúncia levando-a para depor. O garoto, que estava aos cuidados da mesma família e tinha apenas treze anos, fora preso e enviado para a corte juvenil.
Quando ele tentara tirar sua blusa, Tellie dera-lhe um soco, sentou-se sobre o menino até que a família ouvisse seus gritos. O fato de ele ser menor do que ela e estar bêbado facilitou sua reação.
J.B. tirou Tellie da casa na mesma noite em que o garoto foi preso e deixou-a sob os cuidados da irmã. Marge gostou dela logo que a viu, como acontecia com a maioria das pessoas, pois Tellie era honesta, meiga e generosa e trabalhava com afinco.
Apesar de ter apenas catorze anos, cuidava da casa e das irmãs Dawn e Brandi, de nove e dez anos, respectivamente, que adoraram ter uma irmã mais velha.
Marge era corretora de imóveis, e por isso trabalhava em horá­rios não muito comuns. Mas podia contar com a aju­da de Tellie, que se revelara uma babá eficiente.
Tellie, por sua vez, idolatrava J.B. Muito rico e temperamental, possuía centenas de hectares de terra perto de Jacobsville, onde criava gado puro-sangue e divertia os ricos e famosos no seu rancho centenário. Contava com os serviços de um fabuloso cozinheiro francês e de uma governanta, Nell, que dirigia a casa e cuidava dele.
Ele conhecia políticos famosos, artis­tas de cinema e nobres estrangeiros da época em que fora campeão de rodeio. Homem de boas maneiras que herdou de sua mãe espanhola, assim como a ri­queza do pai inglês. Ambos eram freqüentadores do reino.
J.B. não era muito sociável, apesar de oferecer grandes festas em seu rancho. Sempre reservado, exceto no que dizia respeito às lindas mulheres que o acompanhavam em seu jatinho particular.
Sua arro­gância era condizente com sua posição e riqueza. Tellie torna-se uma das poucas pessoas próximas a ele, depois que, aos catorze anos, cuidara de sua be­bedeira após a morte do pai. Nell tinha ligado em pâ­nico, contando que ele estava destruindo o escritório. Tellie, então, fez com que Marge a levasse a casa de J.B., onde depois de acalmá-la preparou café para ajudá-lo a ficar sóbrio.
A partir de então, J.B. vinha tolerando suas inter­ferências. Embora ninguém ousasse dizer, nem mes­mo Tellie, era como se ele fosse propriedade dela.
Era possessiva, e com o passar do tempo começou a sentir ciúmes das inúmeras mulheres que passavam pela vida dele. Apesar de tentar não demonstrar seus sentimentos, nem sempre conseguia.
Quando tinha dezoito anos, uma das namoradas de J.B. fez um comentário desagradável para Tellie, que ficou furiosa e disse que não ficaria com ele por mui­to tempo se continuasse sendo rude com sua família! Depois que a garota saiu, J.B. foi chamar a atenção de Tellie, os olhos verdes flamejando como esmeraldas, o espesso cabelo negro despenteado por causa de seu descontrole.
Lembrou-a de que não era propriedade dela, e que a expulsaria de casa se não deixasse de controlá-lo. Nem mesmo fazia parte da família, ele acrescentou com crueldade. E não tinha o direito de se intrometer em sua vida.
Ela disse, então, que as namoradas dele eram todas iguais: garotas bonitas, de pernas longas, seios fartos e cérebro de passarinho!

 

Rendição Ao Desejo

ROMANCE CONTEMPORÂNEO










Arabella Craig tinha 18 anos quando Ethan Hardeman abriu o coração dela para a paixão… E depois se casou com outra.

Quatro anos depois, uma tragédia o traz de volta à vida de Arabella. 
Ele continua alto e lindo, porém amargurado após o divórcio. 
Ethan controla o império de criação de gado da família com mão de ferro e peito aberto. 
Menos no que se refere a Arabella… A convivência reacende o desejo e a dor que ela ainda sente.

Capítulo Um

Arabella estava à deriva. Era como se flutuasse em uma nuvem particularmente veloz, na vasta imensidão do céu. Murmurou satisfeita e afundou no vazio suave, até que sentiu uma dor cortante em uma das mãos. Um intenso latejar que começou a aumentar a cada segundo que passava, até se tornar insuportável.
— Não! — gritou, e seus olhos se abriram.
Estava deitada sobre uma superfície plana e fria. O vestido, seu lindo vestido cinza, se encontrava manchado de sangue. Parecia que tinha cortes e contusões pelo corpo todo. Um homem com um jaleco branco lhe examinava os olhos. Ela gemeu.
— Concussão — murmurou o homem — Escoriações, contusões. Fratura exposta no pulso, um ligamento quase rompido. Verifique o tipo sanguíneo, prepare a paciente para a cirurgia e leve-a para o centro cirúrgico.
— Sim, doutor.
— E então? — perguntou outra voz, dura e exigente. Bastante masculina e familiar, mas não era a do seu pai.
— Ela vai ficar bem — respondeu o médico, com resignação. — Agora, será que poderia sair e aguardar lá fora, senhor Hardeman? Embora eu compreenda a sua preocupação — e aquilo era um eufemismo, pensou o doutor —, o senhor a ajudaria mais se nos deixasse fazer o nosso trabalho.
Ethan! A voz era de Ethan! Arabella conseguiu virar a cabeça e, sim, era Ethan Hardeman. Parecia ter sido arrancado da cama: o cabelo escuro despenteado, o rosto magro exibindo um ar tenso, os olhos cinzentos tão repletos de preocupação que pareciam negros. O modo como a camisa branca se encontrava desabotoada até o meio do peito e o casaco aberto dava a impressão que se vestira às pressas. Praticamente esmagava a aba do Stetson cor de creme na mão.
— Bella — murmurou ele, ao ver o rosto pálido e ferido se virar em sua direção.
— Ethan — ela conseguiu proferir, em um sussurro rouco. — Oh, Ethan, minha mão!
A expressão dele enrijeceu. Aproximou-se da maca, apesar dos protestos do médico, e afagou-lhe o pobre rosto machucado.
— Querida, que susto me deu! — Sua mão parecia de fato estar tremendo, quando lhe afastou o longo e desgrenhado cabelo castanho para trás. Os olhos verdes de Arabella brilharam em um misto de dor e alívio.
— E o meu pai? — perguntou apreensiva, porque era ele quem dirigia o carro no momento do acidente.
— O resgate aéreo o levou para Dallas. Tinha uma lesão ocular significativa e lá se encontram os melhores especialistas na área. Mas, fora isso, está bem. Não podia ficar aqui para cuidar de você, por isso pediu ao pessoal do hospital para me ligar. — Um sorriso amargo curvou-lhe os lábios. — Deus sabe como essa decisão deve ter sido angustiante para ele.
Arabella estava sentindo muita dor para captar o significado oculto nas entrelinhas.
— Mas... como está a minha mão... ? 


 

domingo, 14 de setembro de 2014

Romance Impossível

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 

Ela queria deixá-lo com ciúmes...

Quatro anos atrás, Eleanor Whitman se apaixonou perdidamente por Keegan Taber, a ponto de se deixar seduzir para depois descobrir que ele tinha uma noiva!
Mais tarde, Keegan declarou seu amor, dizendo que Eleanor era a única mulher que sempre desejara. Porém, agora estava comprometida com Wade.
Na verdade, ele era apenas um bom amigo. Mas Keegan não precisava saber desse pequeno detalhe tão cedo...

Capítulo Um


Eleanor Whitman viu o Porsche vermelho parado na entrada de carros e deliberadamente passou pela pequena casa, situada nos terrenos da imensa fazenda K.G. Taber, no condado de Lexington, Kentucky. Conhecia bem demais o carro para se enganar e sabia quem o dirigia. O coração disparou, a despeito de todos os seus esforços para controlá-lo. Tinha todas as razões do mundo para odiar o dono do carro. 
Suas mãos pequenas e finas apertaram com força o volante, e ela respirou profunda e lentamente até que parassem de tremer, até que o medo abandonasse seus enormes olhos escuros. Não tinha ideia de para onde estava indo quando dobrou numa comprida e calma avenida, dividida por um largo canteiro onde se erguiam árvores altas e graciosas. Lexington era formada por uma série de pequenas comunidades, cada uma com personalidade própria e vizinhos que se sentiam como uma só família. 
Eleanor desejava, com frequência, que ela e o pai pudessem viver na cidade, e não na fazenda. Mas não precisariam pagar aluguel pela casa enquanto seu pai vivesse, uma espécie de benefício adicional para os empregados do velho Taber. Dezenas de empregados viviam na imensa fazenda: carpinteiros, mecânicos, trabalhadores rurais, um veterinário e seus assistentes, um treinador e seus assistentes, um ferreiro... e a lista continuava. 
Entre os cavalos da fazenda, havia dois que eram campeões de corrida, um deles vencedor da Triple Crown, e também uma grande quantidade de touros Angus puros-sangues. Era uma propriedade diversificada, autossuficiente, e os, Làber tinham dinheiro demais. O pai de Eleanor era carpinteiro, um excelente profissional, e alternava seu trabalho entre consertar os edifícios existentes e ajudar a construir novos. 
Sofrera uma queda feia três meses antes e quebrara o quadril, um acidente do qual só agora estava se recuperando depois de uma intensa terapia física. E os Taber o mantiveram, pagando-lhe o salário, o seguro saúde e todas as suas demais necessidades, apesar dos esforços orgulhosos de Eleanor para fazê-los parar.
Guardaram seu emprego e cuidaram dele como se fosse da família até que pudesse trabalhar de novo, o que os médicos haviam dito que seria em breve. Enquanto isto, Eleanor cuidava dele e o mimava, e se sentia grata por ele não ter morrido na queda; o pai era tudo o que tinha no mundo. Na adolescência, Eleanor amara a grande casa branca da fazenda, com suas longas varandas abertas e largas, e elegantes colunas. Mais do que tudo, amara Keegan Taber. E isto tinha sido sua desgraça. 
No entanto, quatro anos na faculdade de enfermagem em Louisville lhe permitiram amadurecer, e sua decisão de aceitar um cargo num hospital particular de Lexington era uma medida de que se tornara uma adulta. Quatro anos antes, sucumbira ao charme de Keegan e aceitara um encontro trágico com ele, sem saber o motivo real de ele tê-la convidado para sair. 

domingo, 29 de junho de 2014

Uma Mulher Para Amar

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 




O mercenário arruma uma noiva...

A maioria dos habitantes de Jacobsville evitava o taciturno Cy Parks. Porém, a intrépida Lisa Monroe não estava exatamente tremendo de medo, e eletrizou o formidável solitário com beijos doces e tentadores.
A paixão ardente dos dois aumenta quando o veterano retorna ao cumprimento do dever e reivindica a adorável Lisa como sua noiva para protegê-la da sede de vingança de um criminoso.
Cy se torna cada vez mais possessivo com a encantadora mulher, que precisa do tipo de segurança que só ele poderia prover. Mas quem irá protegê-la dele?

Capítulo Um

Era segunda-feira, o pior dia do mundo para se tentar aviar uma receita médica. Atrás do balcão, o pobre farmacêutico tentava atender aos telefonemas, preencher prescrições, sanar as dúvidas dos clientes e delegar funções a dois assistentes.
Era sempre assim após um fim de semana, Cy Parks pensou, resignado. Ninguém queria incomodar o médico em seus dias de folga, então todos aguardavam até segunda-feira para procurá-lo com diferentes queixas. 
Daí o grande movimento na farmácia de Jacobsville. Michael, o farmacêutico de plantão, acostumado à loucura de segunda-feira, sorria, agradável, apesar do tumulto dos clientes. Estava incluído nesse grupo que adiava a visita ao médico até segunda-feira, refletiu Cy.
Seu braço latejava devido a um encontro com um de seus irritados touros Santa Gertrudes, no fim da tarde da última sexta-feira. Era o braço esquerdo, o mesmo que sofrera queimaduras no incêndio em sua casa, em Wyoming. O corte profundo necessitou de dez pontos, e o doutor Copper Coltrain o repreendeu por ele não ter procurado o pronto-socorro em vez de esperar dois dias, arriscando-se a ter uma gangrena. 
O médico já o conhecia e poderia ter se poupado do esforço. Ao longo de todos aqueles anos, sofrera tantos ferimentos que quase não sentia mais dor. 
Sem camisa, as cicatrizes ficaram aparentes aos olhos de Coltrain, que desejou saber de onde haviam partido tantas balas. Cy apenas o fitou com aqueles olhos verdes profundos que podiam ser tão frios quanto o ar do Ártico, e o médico desistiu. Sutura feita, Coltrain lhe prescreveu um poderoso antibiótico, um analgésico e o dispensou. Cy entregara a receita ao balconista dez minutos antes. Olhando a sua volta, no balcão, concluiu que teria sido melhor se tivesse trazido almoço. 
Com visível impaciência, examinou todos os clientes que também aguardavam seus medicamentos e notou uma loura de olhar sereno que o estudava com evidente diversão. Conhecia aquela mulher. Muitas pessoas em Jacobsville, Texas, conheciarm-na. 
Era Lisa Taylor Monroe. Seu marido, Walt Monroe, agente secreto da Divisão de Narcóticos da Agência Federal, morrera pouco tempo atrás. Como havia usado sua apólice de seguro como garantia para conseguir um empréstimo, Lisa ficara apenas com dinheiro suficiente para o funeral. Por sorte, ainda possuía o pequeno rancho, herança do seu falecido pai. 
Os olhos de Cy fitaram-na escancaradamente. Era uma mulher atraente, mas jamais ganharia um concurso de beleza. O cabelo, louro-escuro, estava sempre preso em um coque. Jamais se maquiava e usava óculos de armação plástica sobre os olhos castanhos. Seu traje habitual era calça jeans e camiseta, para o trabalho no rancho que o pai lhe deixara. 
Walt Monroe gostava do rancho e, durante as raras visitas que fizera ao lar, tentara empreender algumas melhorias. 
Porém, sua ambição acabara por leva-los à falência e, após a sua morte, Lisa ficara com uma minguada poupança, que, por certo, não pagaria sequer os juros do empréstimo obtido por Walt no banco.



segunda-feira, 2 de junho de 2014

Desejo Proibido

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


O passado finalmente os havia alcançado... 

Diego Laremos jamais esquecera a última noite ao lado de sua esposa, Melissa, cinco anos atrás.

Depois de uma forte discussão, ela resolvera abandoná-lo, com a esperança de se livrar de um casamento infeliz. 
Diego nunca conseguiu perdoá-la, embora se odiasse ainda mais por não tê-la tratado bem. Mas quando Melissa retorna, renova-se a esperança de um futuro juntos. 
Melissa também se arrependera de ter mentido para seu marido, e agora era hora de revelar os fatos. 
Por isso, tinha de provar-lhe que ela era o amor dele, sua enamorada, e esta verdade poderia libertá-los para amar outra vez...


Capítulo Um

Caía uma chuva miúda, mas Melissa Sterling não se importava. Molhar-se era um preço pequeno a pagar para passar alguns preciosos momentos ao lado de Diego Laremos. 
A família de Diego era dona de uma finca, uma gigantesca fazenda guatemalteca que fazia divisa com as terras de seu pai havia quatro gerações. 
A despeito de a mãe falecida de Melissa ter sido a causa de uma amarga hostilidade entre os Laremos e os Sterling, aquilo não a impedia de venerar o filho e herdeiro do nome Laremos.
Diego parecia não se incomodar com sua adoração juvenil, mas ao menos era gentil o bastante para não debochar dela por isso. Caíra uma tempestade na noite anterior, e Melissa fora até a pequena casa de Mama Chavez para se certificar de que ela estava bem, apenas para descobrir que Diego também havia se preocupado com sua velha ama-seca e fora visitá-la. 
Melissa gostava de ir até lá e escutar histórias sobre a infância de Diego e as lendas secretas sobre os índios maias. Diego levara alguns melões e peixes para a velha senhora, cuja árvore genealógica datava do início do império maia, e agora acompanhava Melissa de volta à casa do pai. 
Os olhos cinza percorriam o corpo masculino esguio e esbelto, admirando a forma como ele montava o cavalo, a massa espessa e negra de cabelos sob o chapéu panamá. Diego não era um homem arrogante, mas possuía uma autoridade fria e calma que bei-rava a altivez. 
Nunca precisava elevar o tom de voz com os empregados, e Melissa só o vira se envolver em uma briga uma vez. Era um homem digno, reservado, sem fraquezas aparentes. Mas também misterioso. 
Costumava desaparecer por semanas seguidas, e uma vez retornara mancando e com cicatrizes no rosto. Melissa havia ficado curiosa, mas não o questionara. Apesar de estar com 20 anos, era tímida em relação aos homens, principalmente com Diego. 
Uma vez, ele a resgatara quando se perdera na floresta chuvosa, enquanto procurava por ruínas maias e, desde então, o amava em segredo. 
— Acho que sua avó e sua irmã morreriam mesmo que soubessem que estou a uma milha de distância de você.— Suspirando, ela afastou os longos cabelos loiros e ondulados, enquanto o encarava com um sorriso que se refletia nos suaves olhos cinza. 
— Elas não têm muito apreço por sua família, é verdade — concordou Diego. 
As montanhas distantes se estendiam em um azul enevoado adiante, enquanto cavalgavam. 
— É difícil para minha família esquecer que Edward Sterling roubou a noiva do meu pai na véspera do casamento e fugiu para se casar com ela. Meu pai sempre fala dela com tristeza. Minha avó nunca deixou de culpar sua família por isso. 
— Meu pai a amava e era correspondido — defendeu Melissa. 
— De qualquer forma, seu pai teria apenas um casamento de conveniência com ela, e não uma união baseada no amor. Ele era muito mais velho que minha mãe e estava viúvo por muitos anos. 
— Seu pai é britânico — retrucou Diego, expressando frieza. 
— Nunca entendeu nosso estilo de vida. Aqui, a honra significa a própria vida. Quando ele roubou a noiva do meu pai, desonrou minha família.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Valente

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 






Um sentido na vida de um mercenário...

As florestas tropicais da América do Sul fazem com que o antigo trabalho de Winslow Grange, administrar em rancho, pareça até brincadeira de criança.
Ao mesmo tempo, como ex-combatente, ele está preparado para assumir uma nova missão.
O coração de uma mulher, no entanto, é um território bem mais inóspito e perigoso.
Enquanto estava no Texas, o maior desafio de Grange era evitar a atração por Peg Larson, filha de seu capataz.
Quando ela chega de surpresa à Amazônia, torna-se impossível ignorá-la.
E Peg está decidida a provar que pode ser útil dentro e fora do campo de batalha.

Capítulo Um 

– Não quero ir ao baile dos vaqueiros – declarou Winslow Grange, categórico, olhando para os outros homens com expressão hostil.
Na verdade, todos eram hostis. Jason Pendleton conhecia seu capataz muito bem e sorriu ante a certeza de Grange.
– Você irá se divertir. Será uma pausa…
– Pausa? – Grange ergueu os braços e se virou.
– Estou de partida para a América do Sul com um grupo de agentes secretos para destituir um ditador sanguinário…
– É por isso mesmo – retrucou Jason. 
– Você precisa dar um tempo. 
Grange se virou de novo, com as mãos nos bolsos da calça jeans. 
– Ouça, não gosto muito de aglomerações de pessoas, não me entroso muito bem.
– E você acha que eu gosto? Tenho de me relacionar com presidentes de empresas, agentes do governo, auditores federais… mas eu supero. Você também dará um jeito. 
– Acho que sim. – Grange soltou a respiração ruidosamente. 
– Faz tempo que não lidero uma equipe de guerra.
– Você foi ao México para libertar minha mulher, que tinha sido sequestrada pelo seu atual chefe – relembrou Jason, erguendo uma sobrancelha. 
– Aquilo foi uma incursão. Estamos falando de guerra. – Grange apoiou a arma na cerca e deixou o olhar se perder na imensidão verdejante e no gado pastando. 
– Perdi homens no Iraque. 
– Mas por causa das ordens de seu comandante, se bem me lembro. Não foi culpa sua. 
– Vibrei quando ele foi levado à corte marcial. 
– Foi benfeito. – Jason encostou-se à cerca. 
– Verdade seja dita, você sabe comandar. Isso é uma qualidade valorosa para um chefe de estado que luta para restaurar a democracia em um país. Se você ganhar, e acredito que ganhará, erguerão uma estátua em sua homenagem em algum lugar. Grange soltou uma gargalhada. 
– Mas o baile é uma tradição local. Vamos todos e ao mesmo tempo, fazemos donativos para as importantes causas regionais. Além disso, dançamos e nos divertimos.
Você se lembra do que é diversão, não? 
– Seus amigos ex-militares, tementes a Deus… – Jason suspirou. 
– Não comece por mim – pediu Grange. 
– Lembre-se de que por causa da minha experiência como militar a sua Gracie não jaz em uma cova. 
– Penso nisso todos os dias. Jason meneou a cabeça.
 Aquele não era um assunto que ele gostava de lembrar. Gracie quase morrera.

domingo, 24 de novembro de 2013

Corações em Fúria

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Cane Kirk perdeu mais do que o braço na guerra. 

Ele também arruinou a própria alma em intermináveis batalhas contra demônios internos que o instigavam a desafiar qualquer caubói que cruzasse seu caminho. 
Não parecia existir uma pessoa capaz de arrebatar sua fúria, a não ser a linda Bodie Mays.
Salvar Cane dele mesmo não seria um problema, apesar de ele ser um pouco tentador demais para a paz de espírito de Bodie. 
Porém, ao se ver em perigo, Bodie receia revelar a verdade a Cane. 
Como confiar em alguém tão imprevisível e selvagem? 
Quando o silêncio dela só acaba complicando ainda mais situação, Cane é obrigado a assumir o papel de herói. 
E dependendo de sua performance, talvez não precise mais ser um lobo solitário... 

 Capítulo Um 

Bolinda Mays experimentava uma certa dificuldade para se concentrar no livro de biologia. Não dormira direito, preocupada com o avô. 
O homem tinha apenas 60 e poucos anos, mas estava incapacitado e com problemas para pagar suas contas.
Viera da faculdade, em Montana, para passar o fim de semana em casa. 
A viagem era dispendiosa, considerando a gasolina gasta para ir e voltar em sua velha, mas útil, picape. 
Por sorte, trabalhava meio expediente em uma loja de conveniência, caso contrário não poderia se dar ao luxo de vir em casa ver o avô. 
Era início de dezembro. Não faltava muito para o Natal e faria as provas finais na semana seguinte. O tempo frio não tardaria a chegar. 
Mas o padrasto voltara a fazer ameaças sobre despejar seu avô da casa que um dia pertencera à mãe dela. Com a morte da filha, ele ficara à mercê daquele tolo caçador de fortunas que estava metido em todas as confusões que aconteciam em Catelow, Wyoming. 
Bolinda estremeceu, pensando na dificuldade que já passava para pagar os livros usados que comprara com o cartão de crédito. Agora seria obrigada a arcar com as contas do avô também. 
A gasolina estava tão cara, pensou pesarosa. O pobre velho fora forçado a optar entre comprar mantimentos ou os remédios para a pressão sanguínea. 
Pedir ajuda aos vizinhos, os Kirk, era uma possibilidade. Mas o único deles que conhecia bem era Cane, e ele a antagonizava. E muito. Seria arriscado pedir-lhe dinheiro. 
Isso se ousasse fazê-lo. Não que ele não lhe devesse algo por todas as vezes que ela salvara pessoas de sua fúria, na pequena cidade de Catelow, Wyoming, não muito distante de Jackson Hole. 
Cane perdera um braço no exterior, no Oriente Médio, após o último grande conflito, enquanto ainda estava a serviço. Voltara para casa amargurado, frio e com ódio da humanidade. 
Entregou-se à bebida e não quis se submeter a sessões de fisioterapia e análise, tornando-se um sujeito irracional.
A cada duas semanas, arrumava uma briga no bar local.
Os outros irmãos, Mallory e Dalton, sempre pagavam o prejuízo e sabiam que o proprietário do estabelecimento era benevolente o bastante para não mandar prendê-lo. 
Mas a única pessoa capaz de fazer algo por Cane era Bolinda, ou Bodie como os amigos a chamavam. 
Até mesmo Morie, a esposa de Mallory Kirk, não conseguia lidar com Cane quando ele estava bêbado. Ele era intimidante. Mas não tanto para Bolinda. 
Ao contrário das outras pessoas, ela o compreendia. 
Era surpreendente, considerando que tinha apenas 22 anos e ele, 34. Era uma grande diferença. Mas isso nunca pareceu importar. 
Conversavam como se tivessem a mesma idade, muitas vezes sobre assuntos que ela não precisava saber. Cane parecia considerá-la um de seus camaradas. Não que ela aparentasse ser homem. Não era muito bem dotada no quesito sutiã, é claro. 
Seus seios eram pequenos e rijos, mas nada como as mulheres nas capas de revistas masculinas. Sabia disso, porque Cane namorara uma modelo, uma vez, e lhe contara detalhes sobre ela. 
Mais uma de suas conversas embaraçosas quando estava bêbado, que ele provavelmente não se lembrava.
Sacudindo a cabeça, tentou mais uma vez se concentrar no livro de biologia. 
Suspirou, correndo a mão pelo cabelo escuro, curto e ondulado. Seus curiosos olhos castanho-claros, estavam fixos nos desenhos da anatomia humana interna, mas ela simplesmente não conseguia fazer o cérebro funcionar.
Teria uma prova final escrita na semana seguinte e outra oral de laboratório, e não queria ser a aluna a tentar se esconder embaixo da mesa quando o professor começasse a fazer as perguntas.

domingo, 25 de agosto de 2013

Corações Laçados

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Série Irmãos Kirk




Como um perfeito caubói, o rancheiro Mallory Kirk sabe muito bem o que é trabalho árduo. 

Mas sua nova vaqueira vai conseguir suportar a pressão? 
Ele tem dúvidas sobre a capacidade física dela, ainda que a delicada jovem demonstre muita disposição. Conforme surgem problemas no presente, vêm à tona manchas do passado, e as esperanças de um futuro melhor se tornam distantes. 
Mas o desejo, cada vez mais forte, faz com que Mallory note um brilho diferente em Morie. 
Será que um caubói durão como ele estaria preparado para o amor?

Capítulo Um

Edith Danielle Morena Brannt não estava impressionada com seu novo patrão. O mandachuva do Rancho Real, próxi­mo a Catelow, Wyoming, era alto, austero e possuía uma formi­dável atitude arrogante que compartilhava com seus caubóis.
Morie, como era conhecida por seus amigos, se esforçava para controlar a raiva quando Mallory Dawson Kirk elevava o tom de voz. 

O chefe era um homem impaciente, explosivo e tei­moso. Assim como o pai de Morie, que se opusera à decisão da filha de trabalhar como vaqueira. 
O pai se opunha a tudo. Morie se limitara a lhe comunicar que iria arranjar um emprego, fize­ra as malas e partira. Tinha 23 anos, e ele não poderia detê-la por meios legais. 
A mãe, Shelby, tentara a argumentação sen­sata. O irmão, Cort, também tentara, com menos sorte ainda. Morie amava a família, mas estava cansada de ser assediada por seu parentesco e não pelo que realmente era. 
Ser uma des­conhecida na propriedade de outra pessoa lhe parecera uma proposta encantadora. Mesmo tendo de suportar o tempera­mento de Mallory, estava feliz por ter sido admitida como uma mulher pobre, trabalhadora e sozinha naquele mundo cruel. 
Além disso, queria aprender o trabalho do rancho, e o pai se recusava a deixar que ela erguesse até mesmo uma corda em sua propriedade. Não a queria perto do gado.
— E outra coisa — disse Mallory em tom de voz áspero, gi­rando para encará-la com fúria gelada. — Há um lugar para pendurar as chaves, depois de usá-las. Nunca tire uma chave do estábulo e a deixe no bolso. Fui claro?
Morie, que de fato levara a chave no bolso da calça para a sala de arreios principal, em um momento em que era extre­mamente necessária, corou.
— Desculpe, senhor — respondeu com voz tensa. — Isso não se repetirá.
— É melhor que não se repita, se quiser continuar traba­lhando aqui — afirmou Mallory.
— A culpa foi minha.

 

domingo, 23 de junho de 2013

Uma Noite Mágica

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 




Homem do destino Jacob Cade tinha opiniões firmes sobre as mulheres que interessavam a ele e aquelas que deveria ignorar. 

Kate Walker pertencia à segunda categoria, já que uma vez ele tivera de expulsá-la de sua fazenda por mau comportamento. 
Mas Jacob continuou a desejá-la, e agora ela estava de volta em sua vida. 
Jacob não sabia que Kate era apaixonada por ele desde a infância.
Embora a julgasse de modo diferente, ela não era do tipo que se envolvia rapidamente com um homem. 
Kate tinha certeza que estava colocando seu coração em risco só por estar próxima dele. 
Porém, acreditava que valia a pena arriscar...

 Capítulo Um

Parado do lado do pequeno grupo reunido em frente à igreja, ele parecia exatamente como Kate se recordava. Jacob Cade nunca se misturara com facilidade. 
Podia ter sua cota de mu­lheres apaixonadas, graças à grande fortuna que possuía, mas parecia tratar todos com o mesmo desdém imparcial. Jacob fumava um cigarro calmamente, os olhos escuros voltados para a estrada, por onde viria a sobrinha que estava sendo esperada a qualquer minuto. 
E, apesar da indiferença às pes­soas que o cercavam, atraía os olhares femininos. Era bronze­ado e alto, as pernas musculosas delineadas pelo excelente caimento da calça comprida. 
Os ombros largos se avoluma­vam sob o tecido do blazer do terno. A mão que segurava o cigarro era longa e morena, desprovida de anéis. Jacob não era um homem sentimental. 
Conservador reacionário em tudo, desde os trajes às atitudes, não se desculpava por isso. Não precisava. Possuía dinheiro suficiente para fazer as pró­prias regras e se pautar por elas.
— O senhor do universo — resmungou Kate, com olhar fu­rioso.
— E ele não tem razão de se sentir assim? — Tom, o irmão de Kate, soltou uma risada suave. — Tem uma quantidade exorbitan­te de corações femininos apaixonados na palma da mão. Inclusi­ve o seu...
— Cale a boca! — disparou ela, mordendo o lábio inferior.
— Ele não sabe — refletiu Tom, baixando o olhar à irmã. Am­bos eram altos, tinham cabelo preto e olhos verdes.
Embora Tom, aos 28 anos, fosse quatro anos mais velho que Kate, poderiam ser considerados irmãos gêmeos pela semelhança dos traços faciais. As mesmas feições simétricas, bem delineadas, com ossos malares proeminentes, uma leve reminiscência da bi­savó Sioux.
— Eu o odeio — declarou Kate, firmando uma mecha do cabe­lo negro, no elegante coque em que atara o cabelo liso e longo aquela manhã.
— Claro que sim.
— Eu o odeio — insistiu ela. E, naquele momento, realmente odiava. A aversão violenta e repentina de Jacob, que resultara de um incidente quando Kate era mais jovem, pusera sérios entraves em sua amizade com Margo. 
O que era estranho, por­que Jacob fora muito bom para a sua família quando Kate era mais jovem. Ela e o irmão haviam sido adotados pela avó pa­terna, depois da morte do pai. 
A mãe os abandonara anos atrás, e Kate nunca cessara de culpá-la por isso. Só Deus po­deria saber por onde ela andava 

domingo, 16 de junho de 2013

Doce Desejo

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 






Com sua estatura imponente e notória reputação, Marcus Carrera despertava medo em amigos e inimigos.

Contudo, uma mulher foi capaz de enxergar que sob a dura fachada do magnata dono de cassinos havia um homem rude, porém carinhoso...
E seus destinos se chocaram quando a doce Delia Mason se viu inesperadamente envolvida em uma série de problemas durante suas férias em um paraíso tropical.
Ele a ajudou, e também se apossou de seus lábios trêmulos com um beijo ousado que a deixou tonta de prazer...
Marcus, no entanto, estava sempre rodeado de perigos, e precisaria enfrentar um grande desafio antes de dar um novo rumo à sua vida: salvar Delia e torná-la sua para sempre!

Capítulo Um

Era uma noite extremamente agitada no Bow Tie Cassino, em Paradise Island. Marcus Carrera estava de pé na sacada, fumando um charuto. 
Tinha muito em que pensar. Alguns anos atrás fora um homem de negócios de práticas questionáveis, com contatos suspeitos e uma reputação capaz de assustar até os mais durões. 
Ele ainda era durão, é claro. Mas tinha esperanças de ser capaz de deixar para trás sua reputação de gângster.
Era proprietário de hotéis e cassinos, tanto nos Estados Unidos quanto nas Bahamas, embora fosse apenas um sócio capitalista na maioria deles. 
O Bow Tie era uma mistura de hotel e cassino, e sua propriedade favorita. 
Ali, recebia uma clientela selecionada, que incluía astros do cinema, estrelas do rock, milionários e até um ou outro vigarista. 
Ele mesmo era multimilionário. E, embora todos os seus negócios tivessem se tornado legítimos, Marcus precisava manter a reputação de perigoso por mais algum tempo. O pior era não poder dividir suas apreensões com ninguém.
Bem, isso não era totalmente verdadeiro. Podia contar com Smith. 
O guarda-costas era um osso duro de roer, ex-militar, cujo bichinho de estimação era um iguana de quase dois metros chamado Tiny. 
Os dois já estavam se tornando parte da paisagem de Paradise Island, e Marcus começava a se perguntar se seus hóspedes não estavam vindo tanto para ver o misterioso sr. Smith quanto para jogar e aproveitar a praia que ficava nos fundos do hotel.
Ele se espreguiçou. Estava cansado. Sua vida, jamais tranquila, mesmo nas boas fases, recentemente estava mais estressante do que nunca. Ele se sentia como se tivesse múltipla personalidade. 
Mas, ao se recordar da razão do estresse, não se arrependia de sua decisão. Seu único irmão repousava no fundo de uma cova solitária em Chicago, vítima de um impiedoso traficante que estava usando uma empresa fantasma nas Bahamas para lavar sua fortuna ilegal. 
Carlo morrera com apenas 28 anos, deixando mulher e dois filhos pequenos.
Marcus vinha cuidando deles, mas isso não lhes devolveria o marido e o pai. Dinheiro não era um bom motivo para se morrer, ele pensou, furiosamente. 
O pior de tudo era que o banqueiro lavador de dinheiro que armara para que Carlo fosse assassinado ainda estava por aí, livre e tentando ajudar um gângster de Miami a comprar cassinos em Paradise Island, que certamente não seriam administrados com a mesma honestidade que os de Marcus.
Ele deu uma tragada no Havana, um dos melhores charutos no mercado. 
Smith tinha amigos na CIA que costumavam viajar para Cuba a trabalho e que compravam os charutos legalmente para presentear os amigos. 
Fora Smith quem os dera a Marcus, uma vez que não fumava nem bebia. 
Raramente falava palavrões. Rindo baixinho, Marcus sacudiu a cabeça: o homem era um enigma...