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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Deixe O Amor Florir ...

ROMANCE CONTEMPORÂNEO






Rebelde e irrequieta, Helen tinha pavor de laços ou compromissos que a sufocassem.

Quando Jack Burke surgiu em sua vida, achou que ele era a última pessoa por quem deveria se apaixonar: fanático por ordem, metódico, Jack sonhava com casamento e a estabilidade de um lar.
Pareciam mais diferentes do que o sol e a lua, à noite e o dia...
Porém, foi nos braços desse homem teimoso e intransigente que ela conheceu sua maior aventura!

Capítulo Um 

Helen McShane estremeceu ao aproximar-se de seu velho casarão.
De costas para a porta principal, contemplou, desolada as luzes traseiras do táxi que se perdiam na neblina, em meio a uma noite inusitadamente fria.
— Estou em casa de novo — murmurou para si mesma, arrependida por não ter pedido a Sheila que fosse buscá-la no aeroporto.
Não quisera incomodar à amiga e vizinha em horário tão tardio, mas, se o tivesse feito, não estaria agora enfrentando sozinha a assustadora escuridão da mansão antiga.
Lutando contra um acesso de tosse, vasculhou a bolsa com mãos nervosas, em busca das chaves. 
Pelo menos a febre cedera um pouco, o que já era alguma coisa.
Por fim, seus dedos fecharam-se em torno do chaveiro de madeira que lhe era tão familiar.
A tosse persistia em atormentá-la.
Helen introduziu a chave na fechadura e, sabendo que não funcionava bem, girou-a com força. Praguejou baixinho ao perceber que acabara por quebrá-la.
Que falta de sorte!
Ansiava pelo momento de entrar e aquecer-se. Claro que não faria nenhum barulho, para não perturbar o sono de Meredith, a zeladora.
Contudo, já não tinha alternativa. Com a mão fechada, bateu na porta e chamou pela garota. Nenhuma resposta. Exausta, tornou a bater várias vezes antes de admitir que Meredith não estava no casarão.
Sheila a havia advertido de que Meredith, sua filha, não seria a pessoa ideal para tomar conta da casa, pois, como adolescente, vivia cheia de “compromissos sociais”. Helen, na época, não se incomodou, pois lhe bastava que alguém recolhesse a correspondência, arejasse os cômodos e regasse as plantas.
Naquele momento, porém, lamentava a péssima escolha. Passara quase as últimas vinte e quatro horas em trânsito, cruzando a costa selvagem do Alasca até chegar, por fim, a Kansas City.
O que a consolara durante a interminável viagem era a ideia de que uma cama quente e macia a esperava. Sentia-se fraca e cansada demais para permanecer sob o nevoeiro gelado da madrugada.
— Droga! — exclamou com exasperação.
— Vou entrar nesta casa de qualquer maneira! Pousou a bolsa sobre a mala, junto ao portão, e, pisando na grama úmida, contornou o prédio.
Quando se viu sob o próprio quarto, localizado abaixo do sótão, teve uma ideia. Podia subir pelo carvalho frondoso, cujos galhos tocavam a janela do aposento.
Quando criança, costumava fazer isso com a agilidade de um gato. Conseguiria ainda, depois de tantos anos, repetir a façanha?
Com um suspiro resignado, abraçou-se ao tronco para iniciar a escalada. Lembrava-se da facilidade com que se içava até o alto, mas já não era tão simples.
A madeira mostrava-se escorregadia por causa do chuvisco gelado que caía, e ela, enfraquecida pela doença e pela exaustão, precisou empregar um esforço sobre-humano para alcançar a janela.
Logrou abri-la, depois de uma primeira tentativa infrutífera, e passou uma perna pelo parapeito. Imediatamente estendeu a mão para acender o abajur que ficava ao lado da cama, mas, sem querer, derrubou-o, com grande estrépito, no chão.
Que noite, aquela!
Entraria mesmo no escuro!
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