Era preciso reconquistar... E seduzir!
Cassie sabia que fora ingênua e inexperiente, e por isso perdera o marido... mas não deixara de amá-lo. O tempo e a solidão ensinaram-lhe a viver... e a lutar pelos seus desejos!
Ramón não conseguia acreditar que aquela mulher era a mesma que o deixara há um ano atrás.
Decidida, determinada e o que era mais impressionante... sedutora!
Ramón mais do que nunca soube que seu amor por Cassie não acabara.
Nem a atração que sentia por ela!
Mas será que sua bela ex-esposa se prestaria ao papel de uma simples amante?
Sim, porque Ramón jurara nunca mais se casar!
Capítulo Um
Quente e abafado, mas suportável. Assim estava o ar na sala da casa de fazenda, pesadamente decorada com móveis coloniais.
Lá fora, nos vastos campos que se estendiam por quilômetros a perder de vista, o calor seria mais difícil de tolerar.
Cassandra ficou esperando. Sua pele transpirava sob o conjunto de linho bege que escolhera para viajar de Londres à propriedade rural conhecida como Colinas Verdes, na Andaluzia, Espanha.
Era o mês de julho, pleno verão europeu.
O traje, discretamente elegante, tinha sobrevivido ao vôo e à corrida de táxi até a fazenda. Se pudesse escolher, porém, Cassie preferiria apresentar-se menos chique e mais controlada.
Diante do espelho, ela ergueu a mão para sentir a textura dos cabelos acobreados, que cascateavam soltos até um pouco abaixo da nuca.
Seus batimentos cardíacos mostravam-se estáveis, o que foi mais um motivo de consolo. Felizmente, ela pensou, não era mais uma noiva ansiosa de vinte e um anos.
Estava dois anos mais velha, e séculos mais sábia, do que quando estivera nas Colinas Verdes pela primeira vez.
Satisfeita com sua aparência, a melhor que podia ostentar naquelas circunstâncias, Cassie consultou o relógio e calculou quanto tempo ainda deveria esperar.
O táxi a deixara ali, vindo do aeroporto de Jerez de la Frontera, meia hora antes.
A atmosfera da sala começou a exasperá-la, apesar das cortinas fechadas para amenizar o sol impiedoso.
— Vou mandar alguém avisar seu marido que você chegou — dissera-lhe a sogra, dona Elvira, com afetada educação.
— Obrigada. — A matriarca sempre a tratara polidamente, mesmo julgando que Cassie nunca fora a esposa ideal para Ramón Hernández.
— Meu filho esperava que você viesse? — Uma contração das narinas denotara que a velha senhora sabia que não, que Ramón já perdera o interesse pela temperamental mulher de quem havia se separado.
Mais cordata do que jamais tinha sido, Cassie deixara a pergunta sem resposta.
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