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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Dança, Amor E Lágrimas

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Paris, Amsterdã, Munique, Florença... teatros reluzentes, música, aplausos: o universo maravilhoso do balé.

Um mundo encantado do qual Raine foi arrancada à força, em pleno palco!

Um acidente, hospital, longos meses de desespero.
Após tanto tempo, Raine tinha medo de dançar, achava que nunca mais conseguiria.
Mas Brandon du Rivage não pensava assim. Seus olhos azuis, penetrantes, infundiam coragem.
De suas mãos emanava uma força magnética.
Raine vibrava com ele, porém tinha que refrear o coração: Brandon queria uma bailarina, não uma mulher apaixonada...

Capítulo Um

A mão de Raine Cameron pousou suavemente na barra, enquanto ela dobrava os joelhos e seus músculos contraíam-se para fazer o demi-plié do balé clássico.
A dor também estava presente naquele ato.
Era uma dor aguda, que atingia o longo osso da perna esquerda até o joelho flexionado da bailarina.
Porém, ela estava acostumada. Aquela dor era sua companheira constante desde o acidente, embora sua intensidade já estivesse dissipando-se através dos longos meses de recuperação.
Raine forçou-se a ignorar as pontadas e continuou sua série de exercícios ao longo da barra de madeira.
De vez em quando, abaixava-se para massagear seus músculos doloridos.
Debaixo das meias de aquecimento, sua perna estava bonita e bem torneada, como sempre fora. Não havia sinais de ferimento.
Havia somente a maldita falta de firmeza de seu membro, que, física ou psiquicamente, fazia-a temer a entrega aos prazeres sem limites da dança.
O medo e a dor pareciam estar cravados em sua mente, mas, de novo, ela disciplinou-se para ignorá-los.
Um pouco depois, ao fazer uma pausa para enxugar o suor de seu rosto com uma toalha, Raine tomou consciência do sol brilhante que entrava em cheio pela longa janela do século XVIII do estúdio.
Por causa de sua intensa concentração, quase havia se esquecido de onde estava. Porém, a luz intensa do sol que brilhava naquele telhado alto lembrou-a de que se encontrava em Paris, a muitos e muitos quilômetros de Nova York, e, havia um ano, distante da Companhia de Balé Kingsley e da terrível queda que tinha ameaçado colocar um fim prematuro em sua carreira artística.
Embora tivesse fechado os olhos para afastar a lembrança tão sofrida, ela voltou com força total à sua mente.
Raine recordou-se do arriscado dueto que John Kingsley havia coreografado para o espetáculo de dança Winter Morn e do momento em que seu parceiro a levantara bruscamente.
O movimento fora criado especialmente para sugerir um vôo sem limites, mas algo havia saído completamente errado.
O resultado do erro fora Raine caída no chão, com o joelho quebrado e a perna torcida. Ela acabara desmaiando de dor...
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