Nada iria impedi-lo de acertar contas antigas!
Quando Angelos Petrakos avistou Thea Dauntry em um restaurante londrino de luxo, ele sabia que ela não era o modelo de elegância que ostentava ser.
Para Thea, o reaparecimento de Angelos era desastroso!
Afinal, ela estava prestes a ser pedida em casamento por um visconde, e não gostaria de lembrar-se de seu passado como menina de rua.
Um encontro afortunado com Angelos anos atrás havia aberto uma porta para o futuro...
Mas ele não podia se esquecer de como fora usado, por isso estava disposto a tudo para derrubar Thea. Inclusive seduzi-la...
Capítulo Um
Angelos Petrakos encostou os ombros largos no espaldar amplo da cadeira e estendeu a mão de dedos longos para alcançar a taça de vinho. Deu um gole no exemplar de safra extremamente cara, saboreando-o. Seu olhar correu pelo restaurante sofisticado e lotado de Knightsbridge, distraído momentaneamente da conversa. Ele discutia com seu anfitrião uma parceria com a Petrakos Internacional.
Imediatamente, percebeu os olhos femininos que o observavam. Uma expressão mordaz dava um brilho escuro aos seus olhos, que pareciam obsidianas.
Quanto do interesse delas seria realmente nele e quanto seria em sua posição como líder de um conglomerado internacional, com uma infinidade de diferentes negócios em seu portfólio altamente lucrativo?
Aquela era uma distinção que seu pai viúvo fora incapaz de fazer.
Tão astuto nos negócios, na construção do império Petrakos, seu pai fora o alvo de uma predadora financeira atrás da outra, e o jovem Angelos sentia repulsa por tudo aquilo.
Ele odiava ver seu vulnerável pai explorado, convencido a emprestar-lhes dinheiro, fazendo investimentos nos negócios delas ou promovendo suas carreiras com sua riqueza e contatos.
Angelos aprendera muito bem sua lição, e, por isso, por mais encantadora que uma mulher fosse, por mais que fosse tentador ter um caso com ela, era irredutível em manter negócios e prazer escrupulosamente separados.
Tal autocontrole podia ser penoso, mas sua regra era inflexível e absoluta; ele jamais permitia que uma mulher linda e ambiciosa tirasse vantagem de seu interesse nela.
Era mais simples e mais seguro desta forma.
O olhar dele continuou seu exame atento pelo restaurante, ignorando as tentativas femininas de chamar sua atenção, enquanto sua concentração permanecia focada no que seu anfitrião lhe dizia sobre a complexa estrutura financeira do acordo que estava propondo.
Então, abruptamente, seus dedos apertaram com mais força a taça de vinho. Seus olhos se desviaram por entre as cabeças dos outros clientes até o outro lado do salão, para uma mesa encostada na parede oposta.
Uma mulher, sentada de perfil para ele.
Ele ficou completamente imóvel. E então, lentamente, muito lentamente, colocou a taça de vinho na mesa. Por um longo, infinito momento, manteve seu olhar fixo nela.
E em seguida, interrompendo abruptamente o que seu anfitrião estava lhe dizendo, disse:
— Com licença um instante. — Sua voz estava tensa e tão inflexível quanto seus olhos. Angelos empurrou sua cadeira para trás e com passos firmes atravessou o restaurante.
Na direção de seu alvo.
Thea ergueu seu copo, sorrindo para o companheiro de jantar, e deu um pequeno gole em sua água mineral. Embora Giles estivesse tomando um ótimo Chablis vintage, ela nunca bebia álcool. Não era apenas uma bebida cheia de calorias — era perigoso. Por um segundo, tão breve que ela quase não o registrou, uma sombra passou por sua pele. Giles falou, distraindo-a:
— Thea...
A voz dele hesitava. Ela sorriu de forma encorajadora, apesar do nervosismo que parecia devorá-la por dentro. Por favor, faça com que ele diga...
Ela trabalhara duro, durante muito tempo, para chegar até aquele momento, e agora o que ela tanto ansiara estava quase ao seu alcance.
— Thea — disse Giles novamente, sua voz soando mais determinada.
E mais uma vez, Thea se viu desejando que ele continuasse. Por favor, faça com que ele diga! Por favor!
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