1- CREPÚSCULO VERMELHO

Megan é uma jovem de 17 anos, subitamente envolvida em uma doce e sombria história de amor com Bill, o misterioso integrante de uma banda de rock.
Ela só não sabia que Bill não é uma pessoa comum. Na verdade, ele pertence a um grupo de seres dotados de capacidades incomuns e gosto por sangue humano.
Quando a vi pela primeira vez, muito antes de Simon Blackwell e Bill Stone, soube que nela residia nossa redenção, e embora não deixasse de ser intrigante que alguém tão jovem e frágil fosse a chave para nos abrir as portas da liberdade, eu já vivera o suficiente e conhecia muito bem as ironias da vida.
Ela era como todos os humanos, certa de que vampiros não passavam de produtos da literatura ou frutos de superstição, nada além de uma excelente fonte de renda para o cinema, abastecendo as pessoas com uma saudável dose de assombro e medo para desviar sua atenção de um cotidiano pouco emocionante.
Não que eu tivesse algo a reclamar.
Ao contrário, isso era muito adequado para ocultar nossa presença no mundo.
No entanto, era chegado o tempo de assumirmos nosso direito de existirmos em paz, de não mais nos escondermos, vítimas do medo irracional, da perseguição implacável e do extermínio.
Nossa história, tão antiga quanto o próprio tempo, estava para ser aberta e depois contada, varrendo para sempre os estereótipos de Drácula e Caim, as maldições bíblicas, o fanatismo e as trevas.
Era hora de acabar com a ignorância que nos imputava o medo da prata e da cruz, que muitas vezes usávamos como enfeites; com mais, as crenças sobre o efeito do alho e da água benta, que no máximo nos deixavam malcheirosos e molhados.
Nunca dormimos em caixões, nunca carregamos conosco bocados de nossa terra natal, e, se não saíamos ao sol, era apenas por não termos em nosso organismo melanina suficiente para nos proteger da radiação solar.
Milhares de anos foram depositados nas mãos de uma jovem humana que se tornaria a rainha de todos nós, transformando nossa noite escura em um crepúsculo vermelho e eterno, onde finalmente poderíamos viver.
Hanzi Maré
Rei dos Vampiros.
Capítulo Um
Só Mais Um Dia.
Havia algo no ar naquela manhã. Uma atmosfera de festa, de véspera de férias, de início de verão.
Tudo estava mais agitado que o normal, as pessoas pareciam empolgadas, elétricas. Ou talvez fosse apenas eu, que ainda não estava totalmente acordada. Como sempre.
Na verdade, ainda era meio de outono e não havia nada de empolgante naquela manhã gelada, nada de especial no ar.
Era só mais um dia comum, como todos os anteriores. Sem graça. Sem cor.
Ultimamente, todos os meus dias estavam assim: sem graça e sem cor.
Uma mistura de Another Day, do Paul McCartney, com Every Day is Exactly the Same, do Nine Inch Nails, se é que essa mistura era possível.
Olhei desorientada para o prédio da escola e dei-me um tapa na cabeça, com a esperança de pegar no tranco e conseguir acordar direito.
Não podia mais continuar dormindo nas aulas, como vinha acontecendo.
Isso ia acabar me colocando em sérios problemas.
No colégio onde eu estudava, era conduta normal chamar os pais por qualquer coisa e eu já começava a estranhar o fato de ninguém ter ligado para minha casa. Ainda.— Oi, Meg!

Saga Red Kings
1- Crepúsculo Vermelho
2- Lua Negra