Chegou a penumbra antes do Natal e atravessou as terras.
Nada ocorreu que não fosse por minha mão.
A bola de neve que seguravam escondia em seu interior um segredo.
Onde a névoa formava redemoinhos em lugar da neve que foi.
Um calafrio, mais frio ainda que o ar sentirão,quando um ferrolho se abrir e um selo for atravessado.
Uma coroa de flores como saudação, muito melhor atirá-la na rua
Um povo imerso em doces sonhos enquanto descansa na cama, até que os pesadelos sobre mim começam a dançar em suas cabeças.O tempo era propício, para um presente ou dois!
Capítulo Um
NÃO DIGA. NÃO DIGA. NÃO DIGA. — Danny Granite murmurava o mantra baixinho, enquanto sentado no caminhão observava seu irmão mais velho selecionar cuidadosamente tomates orgânicos da quitanda de fruta do Velho Mar.
Danny olhou fixamente as chaves, assegurando-se de que o caminhão estava em marcha; tudo o que seu irmão tinha que fazer era saltar e sair. Inclinou-se aparecendo pelo guichê, cumprimentou o ancião e franziu o cenho para seu irmão.
— Matt, mexa-se. Estou morrendo de fome aqui dentro.
Matt deu uma piscada, depois sorriu com encanto para o ancião.
— Feliz Natal, Senhor Mar. — disse alegremente enquanto entregava várias faturas e levantava a bolsa de tomates.
— Menos de duas semanas para o Natal. Espero com ansiedade o desfile deste ano.
Danny gemeu. Um cenho preto se formou no rosto do Velho Mar. Suas sobrancelhas se uniram em uma linha reta e grossa. Grunhiu com desgosto e cuspiu sobre o chão.
O sorriso no rosto de Matt ampliou-se até a careta de um moço travesso enquanto se apressava a rodear a caixa da caminhonete para abrir de um puxão a porta do motorista. Quase antes de acomodar-se em seu assento, subiu o volume do rádio para que o "Jingle Bell´s" bramisse ruidosamente dos alto-falantes.
— Será melhor que se mexa, Matt. — murmurou Danny nervoso, olhando pelo guichê, de volta para o posto de fruta.
— Está se armando. Tinha que lhe desejar Feliz Natal, claro. Sabe que odeia essa festa. E sabe muito bem que pôr essa música é acrescentar um insulto à afronta.
O primeiro tomate se espatifou na janela traseira da caminhonete enquanto Matt acelerava e o caminhão saltava para frente, recuando, as rodas lançando pó ao ar. O tomate aterrissou com um impulso mortal, salpicando suco, sementes, e polpa sobre o guichê traseiro. Vários mísseis mais golpearam a parte traseira enquanto a caminhonete saía do estacionamento e corria rua abaixo.
Danny franziu o cenho para seu irmão.
— Tinha que lhe desejar Feliz Natal. Todo mundo sabe que odeia o Natal. Chutou o pastor o ano passado durante o desfile de meia-noite. Agora, estará mais zangado que nunca. Se tivesse evitado a palavra, poderíamos ter passado sem incidentes este ano, mas agora tomará represálias.
Os enormes ombros de Matt se sacudiram enquanto ria.
— Por isso, agora lembro você fez papel de pastor o ano passado. Não te fez tanto mal, Danny. Um pontapé na canela é bom para você. Fortalece seu caráter.
— Só lhe parece divertido porque não foi tua canela. — Danny esfregou a perna como se ainda lhe doesse quase um ano depois.
— Precisa se endurecer. — assinalou Matt.
Tomou a estrada, uma magra cinta que se retorcia e girava ao longo dos escarpados sobre o oceano. Era impossível ir rápido pelas ascensões em ziguezague embora conhecesse bem o caminho. Manobrou ao redor de uma curva fechada, preparando-se para o seguinte giro. Corria colina acima e quase dobrava de volta. A montanha estava a sua direita, um banco alto sobre o que crescia erva verde esmeralda e estalava uma explosão de cores de flores silvestres. A sua esquerda, a estreita cinta de um atalho percorria os escarpados para cair para o extenso azul do oceano com sua espuma branca e suas ondas.
— Oh, meu Deus! Essa é Kate Drake. — Disse Danny alegremente, apontando para uma mulher a cavalo, montando pelo estreito atalho junto à estrada.

2- Crepúsculo Antes do Natal
3- Oceanos de Fogo
4- Marés Perigosas
6- Mar turbulento
7- Correntes Ocultas