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terça-feira, 3 de março de 2015

Corpos Ardentes

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Quando Amy conheceu Matt, não hesitou em lhe dar seu amor, 

sua confiança, seu corpo. Ele era o homem mais atraente e gentil que já vira, e sabia como despertar seu desejo. Por isso, ela se entregou àquelas mãos de escultor, esquecendo seus pudores. 
Passou com ele uma semana de sonhos em Creta, amando e sendo amada. Até descobrir que Matt era casado! Com o coração partido, Amy se refugiou na Cornualha. A paisagem calma do campo foi um bálsamo para sua alma atormentada. 
Mas agora Matt estava de volta, e ela descobriu que ainda o amava. Descobriu também que o fogo que ardia entre eles continuava aceso. Mas Amy jamais seria sua amante... 


Capítulo Um 

Amy Lawrence saiu para o sol brilhante de verão, fechando atrás de si a porta pintada de vermelho. Respirou profundamente, aspirando o ar quente e perfumado do jardim selvagem. Amava aquele jardim desde a infância. 
Sempre tinha visitado seus avós no verão, quando criança, e passava os longos dias ensolarados brincando na grama cor de esmeralda, extasiada com a atividade incessante das borboletas e outros insetos coloridos. Sorrindo consigo mesma pelas lembranças gostosas. Amy se dirigia para a vila. 
Constatou o quanto era feliz ali, morando com seu avô; a vida transcorria pacífica e feliz, sem grandes problemas. Nunca, nunca mais complicaria sua vida, pensou, enquanto afastava uma mecha de cabelos negros dos olhos. Uma hora mais tarde, depois de ter enchido a cesta de palha com as compras, e de um bate-papo agradável com os conhecidos da vila, lembrou que tinha que passar na farmácia para pegar um remédio para o avô. 
Na porta, um homem alto bloqueava a entrada. Quando Amy ergueu os olhos para pedir passagem, seu coração parou de repente, o ar lhe faltou e ela não conseguiu respirar. Por longos instantes ficou contemplando aquele rosto, até que ele quebrou o silêncio. 
— Como vai, Amy?
— Matt... — ela sussurrou, incrédula. Amy tremia dos pés à cabeça, inconsciente dos olhares curiosos que observavam os dois. Seus pensamentos estavam num caos total. Os olhos turvos e enigmáticos de Matt a mediam de cima a baixo, percorrendo o corpo esguio que se escondia sob um simples vestido de algodão azul. 
Ele apertou os olhos criticamente ao voltar para o rosto dela. Amy ergueu a cabeça e empinou o nariz, lançando-lhe um olhar desdenhoso e indiferente. Não seja estúpida, ela se repreendeu severamente, Matt Cavanagh não representa mais nada para você depois de todos estes anos. Nada. Por isso não lhe dê nenhuma satisfação demonstrando fraqueza. Mas ela precisou reunir todas as forças que tinha para não sair correndo pelas ruas como uma criança assustada. 
— Vou bem, obrigada. E você? Matt não respondeu por intermináveis segundos. Seus olhos estavam cheios de sarcasmo. Ele a pegou pelo braço e a conduziu para a rua, e o toque de seus dedos enviavam labaredas de fogo ao corpo de Amy. 
Seu coração batia desesperadamente, coisa que a deixou mais zangada ainda. Era inacreditável que eles tivessem se encontrado por acaso depois de todos aqueles anos, e ela estava temerosa e desconfiada. 
— O que está fazendo aqui? — deixou escapar, num tom desafiador. 
— Como me encontrou? O sarcasmo deixou os olhos de Matt, e foi substituído por uma expressão de raiva. Amy se encolheu. Depois, o olhar dele se tornou totalmente inexpressivo. 
— Pode ficar certa de que a minha presença aqui não tem nada a ver com você, minha cara. — Ele acendeu um cigarro, tragando profundamente. 
Amy observava seus movimentos distraidamente, percebendo, com tristeza, que jamais tinha se esquecido de sua graça felina, de seus gestos macios.


domingo, 25 de maio de 2014

Corpos Ardentes

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Ajude-me a Lembrar!

Vagando pela noite, ela não se lembrava de seu passado nem do próprio nome. 
Mas precisava se abrigar da tempestade, e acabou descobrindo um refugio: uma cabana no bosque... e um estranho moreno, forte e sensual. 
Ajude-me a esquecer... Nick Vincetti a acolheu com generosidade, gentilmente a aqueceu em sua lareira e aos poucos despertou um perigoso desejo em seu coração. 
Ela se lembrava vagamente de uma aliança. Teria deixado um homem amado no passado? Nick poderia ajudá-la a recordar? Ou mesmo a esquecer? Porque, de repente, não quer se lembrar do passado. 
Apenas o presente importava, e o amanhã... com aquele homem maravilhoso, e seus corpos ardentes de paixão!


Capítulo Um

Onde estava? Puxando para trás os cabelos molhados, encolheu-se sob a chuva. Estivera correndo pelos bosques por tanto tempo que sentia dor ao respirar. Precisava descansar, mas tinha medo de se deter. O solo estava escorregadio. 
Por duas vezes, caíra de joelhos e não se lembrava de onde começara a correr, apenas de quando. Um relâmpago iluminou os bosques com um clarão fantasmagórico. Trovões rugiam ensurdecedoramente, enchendo-a de pânico, não por causa da tempestade, mas pelo vazio em sua mente. 
Depois de se erguer pela segunda vez, cerrou os lábios a fim de evitar que os dentes batessem enquanto afastava a ramagem para alcançar a clareira. Com passos incertos, andou na lama até ver os contornos de uma cabana, com fumaça saindo da chaminé. Talvez tivesse vindo daquela cabana, ficando a vagar pelos arredores. 
E depois? Caíra e batera a cabeça? Exausta, arrastou-se até a escada dos fundos. E se tivesse fugido justamente de alguém que estava lá dentro? Lutando contra a tontura, encostou-se na porta da cabana, sem saber se batia ou não. Talvez seus receios fossem infundados e precisava se aquecer, descansar. 
Dentro da cabana, Nick Vincetti remexeu no fogo que acabara de acender na lareira. A chuva caía incessante no telhado, com um ruído sincopado. Bebericou café morno de uma térmica. Embora cansado por ter dirigido até a cabana, não estava com pressa de dormir. 
Deixara os compromissos para trás em Chicago, réus, julgamentos e investigações. Nick desejava esquecer tudo aquilo e, durante duas semanas, pretendia se afastar dos problemas. Sentiu o estômago roncar, o que o fez lembrar que não comia desde o meio-dia. 
Bocejou e pegou a jaqueta, jogando-a sobre os ombros e indo até a porta para buscar as ultimas duas caixas de papelão que trouxera. Uma delas continha um filão de pão e um vidro de creme de amendoim. Ao passar pelo portão, enterrou os pés na lama, sujando suas botas.
Aborrecido, deu dois passos à frente e parou, ouvindo alguém bater na porta dos fundos. Encolhendo-se sob a chuva, seguiu o som, dando a volta na cabana. A escuridão envolvia a escada, mas percebeu movimento. Uma figura envolta nas sombras estava junto à porta. 
Era uma mulher. Com os cabelos ensopados e enlameados, segurava-se com força à maçaneta, quando o clarão de um relâmpago revelou o rosto pálido. 
— Senhora, o que está fazendo aqui fora? — gritou ele, tentando se fazer ouvir acima do clamor do vento.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Corpos Ardentes

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Desejos Proibidos
Ruth é uma mulher bela, rica e decidida, com um passado que prefere es-quecer. 


Jack é um cowboy durão, que acaba de sair da cadeia, onde ficou por oito anos, pagando por um crime que não cometeu. 
Ao inspecionar suas terras, Ruth encontra Jack jogado no campo, ferido e abandonado. 


Este encontro inesperado foi a faísca que faltava para que ali surgisse o fogo da paixão. 
Teria esse amor forças suficientes para enfrentar o preconceito de uma cidade e as armadilhas do destino? Quando os segredos enterrados de Ruth começarem a aparecer, será que o desejo pode vencer este trauma? 


Capítulo Um 
Richmond - 2005 


Jamais vou esquecer o dia em que conheci June. 
O tempo estava incrivelmente gelado e úmido, por conta de uma garoa fina e irritante, que não parava de cair. 
Ela vinha correndo pelo corredor do hospital, as roupas e os cabelos molhados pela longa caminhada que fizera no estacionamento. 
Seu rosto estava pálido e ansioso. 
- Ruth Barton, por favor - pediu à atendente do andar. - Quarto 714, à esquerda. June correu e eu, sentado no corredor, olhei para ela com admiração. Uma linda moça, realmente. 
Cabelos loiros, olhos extremamente azuis, altura média, pele macia. 
Passou por mim sem me notar e parou em frente à porta do quarto 714. 
Respirou fundo algumas vezes para se acalmar e, apenas quando sentiu que estava suficientemente controlada, bateu de leve e entrou. 
A penumbra do ambiente contrastava com a claridade metálica dos corredores e ela piscou algumas vezes para ambientar os olhos. 
- Vovó? - chamou, aproximando-se da cama. - Sou eu, June. A sombra de um sorriso pairou no rosto da velha mulher, que ergueu fracamente o braço, em busca da neta. 
- Aqui - disse June, e pegou-lhe a mão. - Estou aqui. Desculpe não ter vindo antes, mas o avião atrasou e havia um congestionamento enorme na saída do aeroporto... 
- Está aqui, agora - murmurou Ruth, baixinho.
 - Estou... O que aconteceu? 
- Não sei... Eu estava cuidando das minhas flores, quando vi um clarão... 
- Clarão? - Como se alguém acendesse uma imensa lâmpada branca na minha frente... Quando dei por mim, estava aqui.
- Como se sente?
- Cansada e com sono... Estão me dando tantos remédios, que não sei mais quais são para me curar e quais são para impedir que os que curam, me matem. June riu. 
 - Vou ficar com você... bem aqui, ao seu lado. 
- Não querida, não quero que pare sua vida por minha causa.
- Não estou parando... Tirei uns dias de licença - mentiu. 
- Não minta para sua avó, June - apesar de abatida e sonada, a voz de Ruth ainda mantinha as notas de firmeza e inteligência que marcavam sua personalidade.
 - Descanse... - murmurou June, sorrindo. 
- Você é uma boa menina... June puxou uma cadeira e sentou-se ao lado da avó, pensativa. 
Eu continuei sentado no corredor, esperando que ela saísse. 
Tanto eu como ela mergulhamos nas lembranças que nos uniam àquela mulher, que agora dormia tranquilamente sob o efeito de remédios; mas, enquanto June a via como a avó que a criara, eu a via como a mulher da minha vida... 
Sunnytown - Virgínia -1941 Era 25 de julho de 1940. E, antes que alguém pergunte como, após tantos anos, ainda me lembre do dia exato, explico que jamais o esqueceria. Foi o dia em que, após oito anos no presídio estadual, eu voltava para casa. 
Meu irmão mais velho, Simon, me esperava na porta do imenso prédio cercado por muros, arames, mais muros e mais arames, quando saí carregando minhas coisas em um velho saco de pano. 
Não trocamos uma palavra. ,as nos abraçamos e fizemos o que era permitido a dois homens barbados como nós: chorar.
- A mãe está preparando uma festança pra te receber - disse meu irmão, disfarçando a emoção. Sorri. Ah, minha mãe, todas as mães... Deus as abençoe. São a única coisa segura neste mundo, o único abrigo para o qual sempre podemos voltar. 
- Como ela está? - perguntei. 
- Mais velha, mais cansada, mas ainda chuta nosso traseiro, se quer saber. 
Perguntei sobre meu outro irmão e amigos, sobre a cidade e sobre tudo de que conseguia me lembrar. -
Billy Michael morreu - disse meu irmão, referindo-se ao mais rico e antigo proprietário de terras daquela região. 
- Tá brincando! Pensava que o velho fosse durar para sempre!
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 Desejos Proibido