Cassie soltou os cabelos, despiu-se e mergulhou nas águas límpidas do rio, deixando que os raios cálidos do sol aquecessem sua nudez. Depois, estirou-se numa pedra e fechou os olhos, com um leve sorriso brincando nos lábios.
Foi assim que Quentin a viu, bela como uma deusa, esplêndida em seu corpo de formas perfeitas.
Sem hesitar, ele tirou também a roupa e nadou ao encontro daquela mulher com quem sempre sonhara...
Capítulo Um
Outono em Oklahoma. O sol, bastante forte, reverberava no asfalto que se perdia de vista. A linha negra cortava o sudoeste do estado por entre as propriedades rural características da região: criação extensiva de gado e alguma agricultura, poucas indústrias. O local era habitado por um povo vigoroso e bravo, acostumado às intempéries, desde o sol cáustico do verão até as nevascas rudes do inverno.
Atravessando este cenário, Cassie Marlow dirigia sua picape, a oitenta quilômetros por hora, desatenta à beleza em tomo. Em sua mente a certeza de que dentro de instantes iria rever Quentin Hatfield absorvia todos os outros pensamentos.
Nove anos haviam se passado desde que vira pela última vez o homem que lhe habitava o coração e agora sentia vibrar, em cada fibra de seu ser, a expectativa do reencontro.
Teria ele mudado, esquecido aqueles momentos tão caros? A resposta estava a poucos quilômetros e ela pisou com força o acelerador.
A estrada agora se curvava à esquerda em acentuado aclive. No alto, teria de abandonar a autopista e enveredar por uma vicinal de terra.
Com o automatismo de quem passara grande parte da juventude naqueles caminhos conhecidos, Cassie Marlow desacelerou e reduziu a marcha. O sol agora penetrava pela janela, à esquerda, incendiando-lhe os longos cabelos anelados, muito loiros, com reflexos avermelhados.
Os pensamentos de Cassie estavam naturalmente voltados ao passado, à infância e juventude que desfrutara com todo vigor ao lado dos irmãos e de Quentin Hatfield, considerado um a mais na família. E como irmãos haviam se tratado por anos e anos felizes, repletos de aventuras, cavalgadas pelas colinas, mergulhos nos rios profundos... Os banhos de cachoeira, os primeiros bailes...
Fora depois de uma reunião dançante na fazenda vizinha que, pela primeira vez, Cassie descobrira haver uma diferença marcante entre Quentin e seus verdadeiros irmãos. Aliás, fora ele mesmo quem provocara aquele súbito nascer de uma nova visão, insistindo em mantê-la como par durante quase toda a noite, elogiando seu vestido rosa e branco, acariciando-lhe os cabelos e por fim beijando-a, meio sem jeito, à porta da casa, na hora da despedida.
A pergunta que agora se fazia era se teria despertado sozinha para aquele sentimento, caso ele não houvesse insistido em vê-la a sós, falado da doce emoção chamada amor, lhe tocado o corpo com desejo e ternura.
Era muito tarde para responder a esta questão. O presente aparecia diante dos olhos de Cassie, na forma de diversos veículos, na maioria, utilitários, estacionados à sombra de grandes árvores, perto da sede da fazenda para onde se dirigia.
Lá estava o caminhão de Springer, ela identificou com facilidade. Afinal, o irmão, um ano mais novo que Cassie, jamais deixaria de participar de um encontro da “tribo”, que era a forma de tratarem o grupo de amigos em comum.
Estacionando a picape o mais perto possível da porteira, ela caminhou decidida em direção ao curral, onde alguns homens e poucas mulheres pareciam atentos a algo que acontecia no centro do cercado. Muitos estavam empoleirados nas largas tábuas que circundavam o curral e tomavam quase todos, cerveja em lata, como de costume.
Há nove anos, se estivesse com os cabelos presos, Cassie poderia ser tomada facilmente por um rapaz, dada sua alta estatura, as pernas longas e firmes, tão características dos Marlow, o nariz arrebitado e os olhos intensamente azuis num rosto constantemente queimado pelo sol. Os passos resolutos e largos, somados às calças jeans, botas e camisa axadrezada, completavam o quadro e, quem sabe, um equívoco constrangedor.
Mas o tempo passara e a natureza se encarregara de arredondar-lhe as formas, dando-lhe suavidade ao corpo, uma sensualidade inegável que emanava dos gestos mais despretensiosos.
Embora continuasse vestindo as mesmas calças jeans e camisas masculinas, o contorno dos seios generosos desmentia a severidade das roupas.
Capítulo Um
Outono em Oklahoma. O sol, bastante forte, reverberava no asfalto que se perdia de vista. A linha negra cortava o sudoeste do estado por entre as propriedades rural características da região: criação extensiva de gado e alguma agricultura, poucas indústrias. O local era habitado por um povo vigoroso e bravo, acostumado às intempéries, desde o sol cáustico do verão até as nevascas rudes do inverno.
Atravessando este cenário, Cassie Marlow dirigia sua picape, a oitenta quilômetros por hora, desatenta à beleza em tomo. Em sua mente a certeza de que dentro de instantes iria rever Quentin Hatfield absorvia todos os outros pensamentos.
Nove anos haviam se passado desde que vira pela última vez o homem que lhe habitava o coração e agora sentia vibrar, em cada fibra de seu ser, a expectativa do reencontro.
Teria ele mudado, esquecido aqueles momentos tão caros? A resposta estava a poucos quilômetros e ela pisou com força o acelerador.
A estrada agora se curvava à esquerda em acentuado aclive. No alto, teria de abandonar a autopista e enveredar por uma vicinal de terra.
Com o automatismo de quem passara grande parte da juventude naqueles caminhos conhecidos, Cassie Marlow desacelerou e reduziu a marcha. O sol agora penetrava pela janela, à esquerda, incendiando-lhe os longos cabelos anelados, muito loiros, com reflexos avermelhados.
Os pensamentos de Cassie estavam naturalmente voltados ao passado, à infância e juventude que desfrutara com todo vigor ao lado dos irmãos e de Quentin Hatfield, considerado um a mais na família. E como irmãos haviam se tratado por anos e anos felizes, repletos de aventuras, cavalgadas pelas colinas, mergulhos nos rios profundos... Os banhos de cachoeira, os primeiros bailes...
Fora depois de uma reunião dançante na fazenda vizinha que, pela primeira vez, Cassie descobrira haver uma diferença marcante entre Quentin e seus verdadeiros irmãos. Aliás, fora ele mesmo quem provocara aquele súbito nascer de uma nova visão, insistindo em mantê-la como par durante quase toda a noite, elogiando seu vestido rosa e branco, acariciando-lhe os cabelos e por fim beijando-a, meio sem jeito, à porta da casa, na hora da despedida.
A pergunta que agora se fazia era se teria despertado sozinha para aquele sentimento, caso ele não houvesse insistido em vê-la a sós, falado da doce emoção chamada amor, lhe tocado o corpo com desejo e ternura.
Era muito tarde para responder a esta questão. O presente aparecia diante dos olhos de Cassie, na forma de diversos veículos, na maioria, utilitários, estacionados à sombra de grandes árvores, perto da sede da fazenda para onde se dirigia.
Lá estava o caminhão de Springer, ela identificou com facilidade. Afinal, o irmão, um ano mais novo que Cassie, jamais deixaria de participar de um encontro da “tribo”, que era a forma de tratarem o grupo de amigos em comum.
Estacionando a picape o mais perto possível da porteira, ela caminhou decidida em direção ao curral, onde alguns homens e poucas mulheres pareciam atentos a algo que acontecia no centro do cercado. Muitos estavam empoleirados nas largas tábuas que circundavam o curral e tomavam quase todos, cerveja em lata, como de costume.
Há nove anos, se estivesse com os cabelos presos, Cassie poderia ser tomada facilmente por um rapaz, dada sua alta estatura, as pernas longas e firmes, tão características dos Marlow, o nariz arrebitado e os olhos intensamente azuis num rosto constantemente queimado pelo sol. Os passos resolutos e largos, somados às calças jeans, botas e camisa axadrezada, completavam o quadro e, quem sabe, um equívoco constrangedor.
Mas o tempo passara e a natureza se encarregara de arredondar-lhe as formas, dando-lhe suavidade ao corpo, uma sensualidade inegável que emanava dos gestos mais despretensiosos.
Embora continuasse vestindo as mesmas calças jeans e camisas masculinas, o contorno dos seios generosos desmentia a severidade das roupas.


