
Aquele misterioso homem conhecia os segredos do amor....
Ele surgiu de repente em sua possante moto.
E Jessie soube que Ben lhe traria problemas.
Ela não conseguia se afastar daquele homem alto, forte e sexy. Nem lutar contra o poder de sedução de seus olhos enigmáticos.
Ben Harding só queria trabalhar e esquecer o passado. Nada de envolvimento, mulheres, paixão. Mas como resistir à fascinante inocência da doce Jessie? Cada vez mais, Ben desejava tomá-la nos braços e esquecer todas as suas decisões. Porém sabia que não ficaria ali por muito tempo, e Jessie não era o tipo de mulher para se amar apenas uma noite!
Capítulo Um
Fazenda Stone.
A placa corroída pelo tempo pendia do poste de madeira. Ben Harding pegou um papel do bolso da calça. Desdobrou-o para conferir o nome nele escrito.
— Parece que é aqui mesmo — murmurou.
Ele já percorrera longas distâncias, mas nada se comparava à tristeza daquele lugar.
"Combina comigo", pensou com um sorriso apático nos lábios.
Ben estava cansado. Dormira em campings, pousadas de estrada e até redes improvisadas.
Mas naquela noite gostaria de dormir em uma cama de verdade e comer um prato de comida quente.
Dirigindo sua motocicleta por uma estrada esburacada e lamacenta, chegou a uma colina deserta e sombria.
Ouvira falar do norte do Maine, lugar frio e inóspito, mas não ficara impressionado. Porém, a chuva gelada que caía sem parar acompanhada por um denso nevoeiro deixava a paisagem triste e pouco acolhedora.
Quilômetros de bosques haviam dado lugar a muitas fazendas.
Passou por buracos e trechos da estrada com desmoronamentos, detalhes omitidos no anúncio do jornal.
Após uma curva, deparou com um celeiro enorme ao lado de um silo. De repente, uma figura curvada surgiu por trás da construção.
— Preste atenção, companheiro! — gritou ele, espirrando lama para todos os lados, depois de fazer uma manobra perigosa.
— Droga! — O vulto ergueu os braços em sinal de protesto. E o barulho da moto abafou todas as outras palavras pronunciadas por ele.
Ben suspirou de alívio por não ter atropelado uma pessoa, mas devido a seu desvio de percurso, quase perdera de vista a casa assobradada.
Era muito velha, e a cor cinzenta não colaborava para deixá-la mais alegre.
Estacionou a moto, procurando contornar uma parte do telhado caído.
Uma luz pálida na parte dos fundos indicava que havia alguém.
Ele preferiu andar em direção à porta da frente.
Subiu três degraus e atravessou a varanda.
Bateu na porta uma, duas vezes.
Na terceira, ouviu o latido de um cão e a porta se abriu.
Com a cabeça no vão que se formou, o cão rosnou, mostrando todos os dentes.
— Que hora de aparecer — resmungou o novo patrão de Ben.
O homem de cabelos grisalhos e com a barba por fazer não parecia muito contente com a chegada dele. — Seu nome é Ben Harding, estou certo?
— Sim, senhor — Ben respondeu.
Com uma das mãos, agarrou a coleira do cachorro, forçando-o a entrar.
— Por acaso tem algum parentesco com o Harding, de Bethel?
— Não, senhor, acho que não — Ben respondeu, já arrependido por ter aceito o emprego pelo telefone.
— Ainda bem — Ira Carlisle resmungou, enquanto dava passagem para que ele entrasse.
— O homem é um ladrão da pior espécie. Pode até ser comparado aos federais.
Ben não pôde deixar de rir da piada. Ou será que estava muito cansado e riria mesmo que ela não fosse boa?