Mostrando postagens com marcador Corações Orgulhosos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Corações Orgulhosos. Mostrar todas as postagens

domingo, 15 de setembro de 2013

Corações Orgulhosos

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Uma vez tocada... Nunca esquecida. 

Marisa Somerville está diferente. A mulher de negócios segura e elegante de agora em nada lembra a assustada esposa de um marido agressivo. 
Embora Rafe Peverril tivesse perdido a memória ao sobreviver a um acidente de avião seis anos atrás, havia algo em Marisa que o incomodava e o atraía ao mesmo tempo. 
Afinal, ele reconheceria aqueles olhos verdes brilhantes e lábios voluptuosos em qualquer lugar do mundo! 
Ainda assim, Marisa insiste em dizer que jamais se conheceram. Porém, ela poderia negar tudo o que quisesse, mas não conseguia disfarçar sua reação todas as vezes em que ele a tocava... 


Capítulo Um 

Batendo forte no peito, o seu coração fazia mais barulho que o motor do pequeno avião. 
Rafe Peveril afastou os olhos das janelas molhadas pela chuva, pois não conseguia ver mais nada do lado de fora. Poucos segundos antes, quando o motor rugiu pela primeira vez, ele viu uma cabana lá embaixo. 
Caso saíssem vivos daquela viagem, a cabana seria a única esperança de sobreviver durante a noite. 
O avião foi atingido por mais uma forte rajada de vento, e tremeu. O motor engasgou duas vezes, e parou. 
Em meio ao silêncio, o piloto murmurou algumas rezas e palavrões no seu espanhol nativo, ao mesmo tempo que tentava fazer o aparelho voltar ao normal. 
Caso tivessem sorte – muita sorte – conseguiriam ao menos pousar em segurança. 
Quando o motor voltou à vida, a mulher ao lado de Rafe olhava para baixo, com o rosto pálido e os olhos verdes arregalados, tomada pelo medo. Por sorte, ela não gritava. Rafe pegou sua mão, apertou-a com força, depois a soltou, colocando-a sobre a cabeça da mulher. 
– Posição de emergência – gritou Rafe, em um tom muito alto. 
A mulher se curvou e Rafe trincou os dentes, preparado para o pouso forçado. Um solavanco, um barulho... E Rafe acordou. 
Erguendo o corpo, suspirou e abriu os olhos: estava em um cômodo muito familiar. 
A adrenalina que invadira o seu corpo se transformava em alívio. Em vez de inconsciente em uma cama de hospital sul-americana, ele estava em casa, no seu quarto, na Nova Zelândia. 
O que foi...? Tinham se passado dois anos desde aquele dia, e ele tentava encontrar outros sonhos para substituir o de sempre. No entanto, a sua sempre afiada memória era uma grande traidora. 
Ele ainda demoraria seis anos para se recuperar do vazio que tomou conta da sua mente após o acidente, mas deixara de lado as inúteis tentativas de se lembrar de tudo. Ainda assim, as 48 horas da sua vida que ficaram completamente esquecidas eram um fardo para Rafe. 
O relógio na mesa de cabeceira indicava que o amanhecer estava próximo. Seria bobagem tentar continuar dormindo. Precisava de espaço e ar fresco. 
Na varanda, respirou fundo, sentindo o cheiro de sal e flores, da grama recém-cortada, ouvindo o barulho suave das ondas. 
As batidas do seu coração ficaram mais espaçadas e as lembranças voltavam ao passado, de onde nunca deveriam sair. A luz da lua ainda banhava a casa, lançando sombras misteriosas. 
O piloto do avião morreu no impacto. No entanto, milagrosamente, ele e a mulher ao seu lado sobreviveram, com poucos ferimentos. Rafe bateu com a cabeça, e ela teve apenas alguns pequenos arranhões. 
Com um pouco de dificuldade, conseguiu se lembrar da mulher, a esposa do homem que gerenciava a sua fazenda de Mariposa – uma figura insignificante, sem vida, ainda bem jovem. 
Embora tenha passado a noite anterior ao acidente na fazenda, Rafe não conseguia se lembrar de nada mais sobre aquela mulher. 
Era uma pessoa reservada, uma mulher pouco interessante. E com um nome muito comum: Mary Brown.