Uma vez tocada... Nunca esquecida.
Marisa Somerville está diferente. A mulher de negócios segura e elegante de agora em nada lembra a assustada esposa de um marido agressivo.
Embora Rafe Peverril tivesse perdido a memória ao sobreviver a um acidente de avião seis anos atrás, havia algo em Marisa que o incomodava e o atraía ao mesmo tempo.
Afinal, ele reconheceria aqueles olhos verdes brilhantes e lábios voluptuosos em qualquer lugar do mundo!
Ainda assim, Marisa insiste em dizer que jamais se conheceram. Porém, ela poderia negar tudo o que quisesse, mas não conseguia disfarçar sua reação todas as vezes em que ele a tocava...
Capítulo Um
Batendo forte no peito, o seu coração fazia mais barulho que o motor do pequeno avião.
Rafe Peveril afastou os olhos das janelas molhadas pela chuva, pois não conseguia ver mais nada do lado de fora. Poucos segundos antes, quando o motor rugiu pela primeira vez, ele viu uma cabana lá embaixo.
Caso saíssem vivos daquela viagem, a cabana seria a única esperança de sobreviver durante a noite.
O avião foi atingido por mais uma forte rajada de vento, e tremeu. O motor engasgou duas vezes, e parou.
Em meio ao silêncio, o piloto murmurou algumas rezas e palavrões no seu espanhol nativo, ao mesmo tempo que tentava fazer o aparelho voltar ao normal.
Caso tivessem sorte – muita sorte – conseguiriam ao menos pousar em segurança.
Quando o motor voltou à vida, a mulher ao lado de Rafe olhava para baixo, com o rosto pálido e os olhos verdes arregalados, tomada pelo medo.
Por sorte, ela não gritava. Rafe pegou sua mão, apertou-a com força, depois a soltou, colocando-a sobre a cabeça da mulher.
– Posição de emergência – gritou Rafe, em um tom muito alto.
A mulher se curvou e Rafe trincou os dentes, preparado para o pouso forçado.
Um solavanco, um barulho...
E Rafe acordou.
Erguendo o corpo, suspirou e abriu os olhos: estava em um cômodo muito familiar.
A adrenalina que invadira o seu corpo se transformava em alívio. Em vez de inconsciente em uma cama de hospital sul-americana, ele estava em casa, no seu quarto, na Nova Zelândia.
O que foi...?
Tinham se passado dois anos desde aquele dia, e ele tentava encontrar outros sonhos para substituir o de sempre. No entanto, a sua sempre afiada memória era uma grande traidora.
Ele ainda demoraria seis anos para se recuperar do vazio que tomou conta da sua mente após o acidente, mas deixara de lado as inúteis tentativas de se lembrar de tudo. Ainda assim, as 48 horas da sua vida que ficaram completamente esquecidas eram um fardo para Rafe.
O relógio na mesa de cabeceira indicava que o amanhecer estava próximo. Seria bobagem tentar continuar dormindo. Precisava de espaço e ar fresco.
Na varanda, respirou fundo, sentindo o cheiro de sal e flores, da grama recém-cortada, ouvindo o barulho suave das ondas.
As batidas do seu coração ficaram mais espaçadas e as lembranças voltavam ao passado, de onde nunca deveriam sair. A luz da lua ainda banhava a casa, lançando sombras misteriosas.
O piloto do avião morreu no impacto. No entanto, milagrosamente, ele e a mulher ao seu lado sobreviveram, com poucos ferimentos. Rafe bateu com a cabeça, e ela teve apenas alguns pequenos arranhões.
Com um pouco de dificuldade, conseguiu se lembrar da mulher, a esposa do homem que gerenciava a sua fazenda de Mariposa – uma figura insignificante, sem vida, ainda bem jovem.
Embora tenha passado a noite anterior ao acidente na fazenda, Rafe não conseguia se lembrar de nada mais sobre aquela mulher.
Era uma pessoa reservada, uma mulher pouco interessante.
E com um nome muito comum: Mary Brown.
