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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Coração De Vidro

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Após o acidente que matou seu noivo e quase a deixou aleijada, Sara foi para as montanhas, refugiar-se numa cabana isolada.

Queria curar as feridas de sua alma e de seu corpo, longe de todos.
Queria esquecer que um dia fora Sheila Starr, cantora de grande sucesso.

Depois da plástica, com um novo rosto e um nome diferente, Sara acreditou que podia pegar os cacos de seu coração partido e começar a vida novamente.
Mas estava enganada.
A primeira pessoa que encontrou, quando estava decidida a apagar o passado, foi Doug Farrell, o homem que a rejeitara um dia.O único homem a quem amara verdadeiramente.
Desesperada, Sara começou a tecer sua rede de mentiras.
Até que se viu presa nela, sem saída, caluniada e odiada por Doug!

Capítulo Um

Agnes Hart estacionou o carro em frente à entrada do hospital e desceu. Sorriu encorajadoramente para a moça pálida e magra que esperava em uma cadeira de rodas.
— Pronta?
Sara Scott concordou com a cabeça, enrubescendo timidamente, enquanto a enfermeira levava sua bagagem para que Agnes a colocasse no carro. Depois sorriu e estendeu a mão para a enfermeira.
— Muito obrigada por tudo — disse sinceramente. — Sinto-me como se estivesse deixando minha família.
— Nós todos nos sentimos do mesmo modo — disse a enfermeira com um sorriso cordial. — Cuide-se bem.
— Pode deixar — Sara prometeu e, voltando-se, mancou dolorosamente em direção ao carro. Deslizou as pernas frágeis cobertas por jeans para dentro e fechou a porta. Agnes deu a partida.
Em um momento o carro fazia a curva pela alameda de pedras e saía do hospital.
Sara acenou para a enfermeira e, recostando-se, deu um profundo suspiro.
Finalmente estava deixando aquele lugar.
Era como um sonho se tornando realidade, e ela começou a apreciar a paisagem.
O dia estava bonito e, apesar de ter passado tantos meses naquele lugar, pela primeira vez podia admirar Colorado Springs.
O mundo parecia brilhante e ensolarado, acenando com uma promessa de verão.
Pikes Peak, com seu cume de neve, estava esplêndido, emoldurado pelo céu azul.
Só quando chegaram à estrada principal Agnes quebrou o silêncio.
Sua voz parecia cheia de preocupação.
— Você está certa de que é forte o suficiente para isso, Sara? Talvez o médico tivesse razão em querer que você ficasse mais algumas semanas no hospital.
Sara balançou a cabeça vigorosamente.
— De modo algum! Sinto-me como se tivesse deixado a prisão. Quase cinco meses!
Era inverno, havia neve, e agora veja: o mundo está fresco e novo outra vez.
Agnes sorriu.
— Você passou um mau pedaço, querida. Espero que essa cabana nas montanhas seja boa para a sua recuperação.
— Estou certa que sim — Sara disse com firmeza. — E eu realmente agradeço tudo o que você fez. — Seus lábios tremeram. Não tinha palavras para expressar sua gratidão.

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