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domingo, 14 de julho de 2013

Coração De Esmeralda

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 





Mesmo quando a vida de Harriet dá uma guinada, ela ainda é capaz de ser grata, pois uma herança inesperada, que inclui uma casinha e alguns estábulos em uma aldeia irlandesa, a convida a esquecer Londres, a carreira fracassada e o noivo infiel.

No entanto, logo um novo vizinho ameaça seus planos de recomeçar a vida na pequena ilha de Emerald: o rude homem de negócios Rafael Cavaliere. 
O fato de Rafael ter comprado a empresa em que Harriet trabalhava lhe custou o emprego, e agora parece que ele tem direito a metade de sua herança. 
Mas Rafael tem seus próprios meios: enquanto deixa o caminho de Harriet livre para ela lidar com a população local, ele exala charme e sensualidade. 
Por isso, ainda que corra o risco de se tornar mais uma de suas conquistas, Harriet decide entregar-se a um inebriante caso… 

Capítulo Um

Em um momento de honestidade em seu quarto de hotel em Manchester, Harriet Carmichael reconheceu que sua vida não era como ela sonhara. 

Porém, ainda não sabia que estava prestes a enfrentar seus piores pesadelos.
Em todo caso, em seu sétimo aniversário, seu padrasto lhe ensinara a ver sempre o lado bom, pois sua mãe falhara novamente em comparecer. 
As decepções constantes doíam tanto que Harriet logo aprendeu a ser positiva.
 Pensamentos negativos eram expulsos com um mantra de tudo pelo que achava que deveria ser grata: seu fantástico noivo, Luke, que se apaixonara por ela apesar de suas imperfeições, sua maravilhosa família e seu emprego, cujo salário convencera Luke a pensar em casamento.
Harriet sorriu e ligou a televisão no noticiário econômico.
— Após uma queda de preços, a chegada de Rafael Cavaliere a Londres anuncia uma crise no setor de eletrônicos.
Harriet estudou a imagem do empresário italiano no Aeroporto de Heathrow. 
Os guarda-costas cercavam a figura alta e imponente enquanto os paparazzi o chamavam. Em meio à multidão, Cavaliere caminhava tranquilamente. 
Um homem de gelo, pensou Harriet. Embora estivesse ainda na casa dos 30, tinha a confiança de um conhecedor da crueza do mundo dos negócios. Era rico, perspicaz e impiedoso. 
Atrás dos óculos escuros, seu rosto sombrio e atraente era indecifrável. Ela sentiu um calafrio.
Impaciente, tirou os cabelos vermelhos do rosto pálido cheio de reprovação. 
Havia dez anos, Rafael Cavaliere adquirira a farmacêutica em que seu padrasto trabalhava. A companhia deixara de existir e o desemprego assolara sua cidadezinha. 
Odiava tudo o que Cavaliere representava. Ele não criava, apenas destruía, em nome do progresso e do lucro.
Naquela época, Harriet era uma menina interiorana que ajudava na escola de hipismo. 
Sua única ambição era trabalhar com cavalos. Por isso, agitara-se, dois meses antes, ao receber uma herança inesperada. 
Um parente desconhecido lhe deixara um haras na Irlanda. 
Chocada e contente, Harriet se irritou ao saber que alguém fizera uma oferta pelo lugar e decidiu partir para Kerry. Infelizmente, ninguém compartilhava de seu entusiasmo por sua herança irlandesa.
Sua mãe, Eva, deixara a Irlanda na adolescência, grávida. Tinha memórias amargas e nunca contara a filha quem era seu pai. 
Harriet adoraria ter apoio para conhecer Ballyflynn, onde Eva cresceu, e descobrir a identidade de seu pai. Mas o haras seria vendido no dia seguinte. Harriet cedera à pressão e concordara em vendê-lo sem conhecê-lo. Afinal, mantê-lo viraria sua vida de cabeça para baixo.
O celular tocou. Embora frustrada, Harriet o atendeu com vivacidade.
— Harriet, meu terno Armani ainda está na lavanderia? — perguntou Luke.
— Deixe-me ver. — Harriet pensou no fim de semana corrido. Luke lhe pedira para buscar o terno e ela concordara. Mas o havia buscado? Desde que o trabalho invadira seus finais de semana, não conseguia achar tempo para as coisas corriqueiras.
— Harriet… Eu estou atrasado… — pressionou Luke.
— Eu peguei seu terno…