
Lance Matthews era um sonho impossível para Cynthia Fox.
Embora ela o amasse com intensidade desde sua adolescência, não fora capaz de conquistá-lo.
Anos depois, a menina se tornara mulher, e estava de volta ao mundo do automobilismo... no qual Lance ainda reinava.
O piloto imbatível se tornara um poderoso empresário, e as marcas do tempo só o haviam deixado mais atraente.
No entanto, Foxy ainda não superara a dor da rejeição, e era difícil se permitir perdoar... mesmo que Lance estivesse finalmente pronto para retribuir seu amor...
Capítulo Um
Foxy encarou o motor do MG, cercada pelo cheiro de óleo, enquanto apertava os parafusos.
— Sabe, Kirk, nem sei como expressar o quanto estou grata por ter me emprestado este macacão. — A voz de contralto suave soou permeada de sarcasmo.
— Para que servem os irmãos?
Foxy ouviu a nota de diversão no tom de sua voz, embora tudo que podia ver era a bainha da calça jeans desfiada e os tênis encardidos que ele usava.
— É maravilhoso você ser assim tão liberal. — Friccionou os dentes, enfatizando as palavras, enquanto trabalhava com a catraca. — Outros irmãos insistiriam em reparar a transmissão eles próprios.
— Não sou nenhum chauvinista — retrucou Kirk. Foxy observou os tênis dele, ao vê-lo caminhar para o outro lado do piso de concreto da garagem.
Então ouviu o clique e o ruído de ferramentas sendo substituídas.
— Se você não tivesse decidido ser fotógrafa, eu a teria empregado na minha equipe.
— Sorte a minha, prefiro revelação de filmes a motores à óleo.— Foxy esfregou a face com as costas da mão.
— E pensar que se eu não tivesse sido contratada para, fazer as fotos de Pam Anderson, não estaria aqui agora com os cotovelos apoiados em peças de carro.
Ao ouvir o riso breve e caloroso, percebeu o quanto sentira falta de Kirk.
Talvez pelo fato de ele não ter mudado nada nos dois anos em que estiveram separados. Era precisamente o mesmo, como se ela tivesse fechado a porta e voltado a abri-la apenas minutos depois.
A face ainda curtida pelo tempo e o sol, com rugas e vincos que prometiam apenas se tornarem mais acentuados e atraentes com a idade.
Os cabelos continuavam tão densamente cacheados quanto os dela, embora possuíssem um tom ouro-escuro e os seus um ruivo-vivo.
O bigode familiar repuxava sobre a boca, quando ele sorria.
Foxy não se lembrava da fisionomia do irmão sem o bigode. Tinha 16 anos quando começara a usá-lo e ela apenas seis. Dezessete anos depois, ainda estava lá como um acessório permanente em sua face.
Também reparara que a impetuosidade continuava a mesma. Estava no sorriso, nos olhos, nos movimentos.
Quando criança, ela o adorava. Era o seu herói.
Alto e louro, ele lhe permitia segui-lo e idolatrá-lo.
Fora Kirk que a apelidara de Foxy.
E a Cynthia Fox, de 10 anos de idade, se apegara ao nome como se fosse um presente. Quando o irmão deixara a casa dos pais para seguir carreira no automobilismo, ela passara a viver em função das suas visitas breves e ocasionais e das cartas esporádicas.
Ausente, seu herói se tornara ainda mais dourado e indestrutível.
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