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sábado, 25 de junho de 2016

Coração Selvagem

ROMANCE CONTEMPORÂNEO



Nada era de verdade... apenas seu coração descompassado...

Como tutor de Cassie Warrington, Blake Campbell devia salvá-la de muitos perigos e de decisões precipitadas a respeito do futuro.
O famoso homem de negócios faria qualquer coisa para preservar a inocência de sua protegida...
Assim, quando Cassie anunciou que estaria disposta a desposar o primeiro pretendente que aparecesse, Blake não teve outra alternativa senão apresentar-se como candidato...
Esta seria a única maneira de evitar que Cassie cometesse uma tolice... e de esperar que ela algum dia tomasse consciência de quanto estava sendo imprudente.
Mas uma cerimônia de casamento pedia um beijo, no final... e foi exatamente nesse momento que Blake, ao fitar Cassie nos olhos, compreendeu que estava numa sutil enrascada!

Capítulo Um

— Acho que já é tempo de me tornar mulher... de perder minha virgindade — disse Cassie.
Blake Campbell empalideceu. De todas as surpresas que tivera naquele dia, essa era a mais absurda. Fazendo um intenso esforço para não demonstrar o quanto estava chocado, ele tentou raciocinar rápido. Não que não soubesse o que dizer. Ao contrário, tinha uma resposta na ponta da língua.
Mas já fazia três anos que fora nomeado tutor de Cassie Warrington. E, com isso, aprendera várias lições, como por exemplo não argumentar de maneira radical com ela. Afinal, Cassie era persistente e teimosa. Bastava que alguém discordasse de seus pontos de vista para que ela se tornasse intransigente e irredutível em suas opiniões.
Quantas vezes ele já discutira com Cassie, até por assuntos corriqueiros. O resultado era sempre o mesmo: quanto mais ele insistia num ponto, mais Cassie se tornava obstinada.
Entretanto, quando conseguia contemporizar, ambos chegavam a um acordo. E era exatamente isso que ele precisava fazer naquele momento... Ainda que estivesse atônito.
"Ou será que estou fazendo uma tempestade em copo de água?", ele se perguntou.
Afinal, talvez Cassie não estivesse falando sério. Talvez quisesse apenas gracejar... Ou provocá-lo.
De qualquer modo, era melhor certificar-se de suas verdadeiras intenções, Blake decidiu, observando-a com atenção. Cassie tinha uma expressão altiva, determinada. E isso significava perigo.
Seus cabelos lisos caíam-lhe abaixo dos ombros como uma reluzente cascata cor de ébano. Os olhos, azuis como o céu daquela primavera, demonstravam firmeza, e tinham um quê de desafio. O rosto de traços delicados parecia mais corado do que de costume. Os lábios sensuais estavam um tanto contraídos, o nariz levemente arrebitado... Tudo isso era sinal de que Cassie não estava nada disposta a abrir mão do que acabara de dizer.
E como a confirmar essa constatação, ela prosseguiu:
— Vou completar vinte e um anos no próximo mês. Isso significa que serei adulta e emancipada, para cuidar de minha própria vida, sem interferência de ninguém.
A ênfase com que Cassie pronunciou a última palavra da frase não deixava dúvidas do que ela queria dizer...
"Está se referindo a mim", Blake concluiu, engolindo em seco. "Está protestando contra os conselhos e orientação que eu, como seu tutor, tenho todo o direito de dar. Aliás, não apenas o direito, mas também o dever."
Usando jeans, tênis e uma camiseta azul-turquesa, estilo regata, Cassie não demonstrava os vinte anos que possuía. Parecia ainda uma adolescente, sobretudo porque possuía duas características próprias dessa fase da vida: era bela, vibrante e... rebelde. Terrivelmente rebelde.
Blake suspirou. Fazia algum tempo que já não conseguia ver Cassie apenas como uma irmã mais jovem que necessitava de carinho, atenção e, ocasionalmente, alguns puxões de orelha.
 Ao contrário do que lhe ordenava a sensatez, muitas vezes flagrava-se olhando Cassie como... 

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Coração Selvagem

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 


Na África selvagem, a violência e a paixão marcaram a fogo o destino de Sara! 

”Você deve ser tratada como um animal selvagem e ganharia muito mais se fosse submissa aos meus desejos!” 

As primeiras palavras de Steve, o novo sertanista na reserva de animais, no interior do Quênia, foram dirigidas a Sara, filha do ecologista da reserva. 
Era um ultimato daquele que estava acostumado a caçar predadores e a partir da sua chegada, começou a agir como tal, tendo agora como presa a indefesa Sara que também precisou aprender a caçar, para conquistar aquele homem! 


Capítulo Um 

O crocodilo estava meio submerso na lama — uma ilha de tonalidades verdes e marrons que formavam uma camuflagem perfeita junto à margem do rio. Ao ouvir o ruído da pedra na superfície da água, o animal acordou de repente, animou-se e deslizou por baixo da correnteza, arrastando a cauda pontuda e enrugada que parecia não ter fim. 
Deve ter uns cinco metros e pouco de comprimento, pensou Sara no outro lado do rio. O maior que tinha visto até então. Escorregou para longe da depressão coberta de mato e subiu pelo barranco: com um gesto displicente tirou a poeira e as folhas que estavam presas na camisa e na calça desbotada. Permaneceu sentada um momento olhando em direção aos picos cor de safira da escarpa Mara, enquanto os olhos percorriam as ondulações das planícies que se estendiam para o sul. 
Não muito longe os massais estavam pondo novamente fogo no mato. Faziam isso para ter pastagens novas para os rebanhos, mas, às vezes, o fogo ardia bem perto do caminho, o que era perigoso. Na semana anterior, seu pai fora obrigado a voltar para a Estação de Kambata, passando pelo meio do pasto incendiado, e a fumaça praticamente o sufocou. 
Hoje, pelo menos, o vento estava soprando na direção oposta. Naquela hora, provavelmente, seu pai já estava no avião com destino à Inglaterra, onde iria tratar de uma herança deixada pelo único irmão. Sara morava na África oriental desde os oito anos de idade e lembrava-se vagamente do seu país natal. 
Os pais estavam sempre com a intenção de tirar férias e passar algum tempo na Inglaterra, mas o projeto nunca se concretizou realmente. Depois da morte da mãe, ocorrida quando Sara tinha doze anos, a intenção original foi cada vez se tornando mais remota e irreal. Graças ao interesse demonstrado por sou pai com respeito à ecologia da vida selvagem, ele foi chamado para trabalhar no Departamento de Animais Selvagens. 
Sara estava ainda no colégio quando Dave foi nomeado chefe da Reserva Mara-Massai, encarregado da Estação de Kambata, e foi obrigada a aguardar o fim das aulas antes de poder reunir-se a ele. Sorriu, lembrando-se dos primeiros dias após sua chegada. Estava tão inexperiente, tão pouco preparada para aceitar a vastidão de tudo aquilo! A paisagem africana aterrorizou-a e fascinou-a ao mesmo tempo. 
Agora, três anos depois, ainda a fascinava, mas o terror transformou-se em respeito. Havia ali uma qualidade do tempo que fora esquecida, um aguçamento dos sentidos que dava a cada coisa vista, a cada som ouvido uma claridade como nunca experimentara antes em nenhum outro lugar. 
Durante três anos só fizera uma vez a viagem circular de seiscentos quilômetros para Nairóbi, e não tinha nenhum desejo especial de repeti-la. Não agora, pelo menos. Gostava do tipo de vida que levava. O sol descia rapidamente. Ela percebeu que estava na hora de voltar. Dissera a Ted que estaria de regresso no máximo dentro de uma hora. Não que ele se preocupasse com um pequeno atraso. 
Tanto Ted quanto o pai sabiam que Sara tinha bastante experiência da selva para não correr riscos desnecessários. Apanhou a espingarda que estava deitada na grama e pôs-se em pé com um movimento ágil das pernas, passou em seguida os dedos por entre os cabelos desbotados pelo sol para tirar algum inseto que pudesse estar preso. 
Deixara o jipe Land-Rover estacionado no cinturão da floresta à beira do rio. Entrou no carro e retornou pela mesma trilha estreita que tomara na vinda. Tinha visto o que desejava ver e era sempre bom guardar essa lembrança na memória. O maior crocodilo que Kimani vira até então não passava de cinco metros. 
Acontece que ela nunca sabia quando Ted estava falando a verdade. Podia contar as histórias mais incríveis com a fisionomia mais séria do mundo.