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domingo, 7 de junho de 2015

Coração Partido

ROMANCE CONTEMPORÂNEO








Indo de mal... Ao casamento!

Hannah Latimer, á bonita e enigmática socialite, havia deixado seu estilo de vida glamoroso para trás.
Resolveu via­jar pelo mundo ajudando pessoas necessitadas.
Ao ser capturada por um regime autoritário, sua única chance de escapar é o poderoso e arrogante príncipe Kamel de Surana.
Mas a que preço? Forçado a casar com Hannah para evitar uma guerra, Kamel tem pouca paciência com a mimada princesa, mas proteger o reino é o seu dever! Talvez não exista amor entre eles, mas certamente haverá paixão...

Capítulo Um


Hannah não dormia quando a chave girou na fechadura. Além de alguns cochilos breves, não dormia havia 48 horas, mas estava deitada, os olhos fechados contra a forte lâmpada fluorescente do teto, quando o som a fez se sentar de repente e descer as pernas pelo lado da estreita cama de metal.
Fez algumas tentativas frenéticas de tirar o cabelo bagunçado do rosto e juntou as mãos trêmulas no colo. Era capaz de moldar a expressão numa máscara de compostura, mas reconhecia que não era mais uma questão de se a perderia, mas quando. Ainda queria manter pelo menos uma ilusão de dignidade.
Piscou para afastar as lágrimas que ardiam no fundo dos olhos. Apertou os dentes no macio lábio inferior e percebeu que a dor a ajudava a manter o foco enquanto erguia o queixo, jogava os ombros para trás e esticava a coluna para deixar retas as costas estreitas. No momento, estava determinada a não dar aos canalhas a satisfação de vê-la chorar.
Era isto que acontecia quando querer provar... Provar... O quê? E a quem?
Aos tablóides? Ao pai? A si mesma?
Respirou profundamente. Foco nos fatos, Hannah. O fato é que você estragou tudo! Devia ter aceitado o que todos pensam: você não é capaz de pensar seriamente ou fazer trabalho de campo.
Fique quieta no seu trabalho na escrivaninha e suas unhas perfeitas. Dobrou os dedos e olhou para as unhas roídas e engoliu uma onda de histeria.
— Agüente firme, Hannah.
Sempre considerara esta frase absurda.
Tão absurda como acreditar que trabalhar numa escrivaninha para uma entidade beneficente a qualificava para trabalhar no campo em qualquer capacidade!
Não vou desapontar vocês.
Mas havia desapontado.
Fechou as pálpebras e ficou tensa quando a porta se abriu. Então as ergueu, olhou para a parede e disse às palavras que haviam se tornado quase um mantra.
— Não estou com fome, mas exijo uma escova e uma pasta de dentes. Quando posso ver o cônsul britânico?
Não esperava uma resposta direta. Não recebera nenhuma para as perguntas que fizera desde que havia sido presa no lado errado da fronteira. Geografia jamais tinha sido seu ponto forte. Mas houvera perguntas, muitas perguntas, as mesmas, de novo e de novo. Perguntas e silêncios inacreditáveis.
Ajuda humanitária não existia na linguagem militar de Quagani. Dissera-lhes que não era espiã e nunca pertencera a um partido político e, quando tentaram negar sua alegação mostrando uma foto dela balançando um cartaz em protesto pelo fechamento de uma creche na aldeia local, ela rira. O que não tinha sido uma boa idéia.
Quando não a chamavam de espiã, acusavam-na de ser traficante de drogas. A evidência que usaram eram as preciosas caixas de vacina, agora inúteis porque não tinham sido mantidas numa geladeira.
No primeiro dia, agarrara-se à convicção de que não tinha nada com que se preocupar se dissesse a verdade. Mas agora não conseguia acreditar como tinha sido ingênua.
Trinta e seis horas haviam se passado, a notícia nem chegara aos jornais e os diplomatas não se moviam ainda quando o rei de Surana pegou o telefone e ligou para o sheikh Malek Sa’idi, governante do reino vizinho..