Série Herdeiros Secretos
Há segredos que nem o dinheiro pode revelar...
O filho do magnata!
Romeo Brunetti teve de reprimir suas emoções para superar a infância difícil e alcançar o sucesso. Até que, em um momento de rendição, ele se perdeu nos braços da estonteante Maisie O'Connell... E as consequências dessa noite inesquecível mudariam sua vida para sempre.
Maisie não sabe o que é mais surpreendente: reencontrar o pai de seu filho ou a proposta de casamento que Romeo fizera.
Ela aceitaria qualquer coisa para proteger o pequeno Gianlucca, mas estaria disposta a entregar seu coração novamente para o enigmático Romeo?
Capítulo Um
A odienta mansão, era como ele se lembrava em seus pesadelos, a fachada fantasmagórica e alaranjada contrastando com as venezianas azuis de mau gosto. A única coisa que não chocava nesse cenário que tinha diante dos olhos era a luz do sol sobre as estátuas grotescas, guardando os portões.
A última lembrança de Romeo Brunetti sobre esse lugar era em meio a uma chuva fria, as roupas esfarrapadas grudadas na pele enquanto se ocultava nas moitas fora dos portões.
Capítulo Um
A odienta mansão, era como ele se lembrava em seus pesadelos, a fachada fantasmagórica e alaranjada contrastando com as venezianas azuis de mau gosto. A única coisa que não chocava nesse cenário que tinha diante dos olhos era a luz do sol sobre as estátuas grotescas, guardando os portões.
A última lembrança de Romeo Brunetti sobre esse lugar era em meio a uma chuva fria, as roupas esfarrapadas grudadas na pele enquanto se ocultava nas moitas fora dos portões.
Em parte, rezara para não ser descoberto, mas, por outro lado, esperara que se o descobrissem significaria o fim de todo o sofrimento, da fome, da dor cruciante da rejeição que consumia seu corpo de 13 anos de idade, 24 horas por dia. Naquele tempo, até agradecera pela surra que seu salvador recebera por ousar levá-lo de volta a esse lugar. Porque a surra seria esquecida se pudesse ser recebido outra vez.
Infelizmente, o destino resolvera o contrário.
Ele se escondera nos arbustos, tremendo de frio e quase inconsciente, até que a fome constante o fizera se mover.
Retornando ao momento presente, Romeo fitou as lanças nas mãos das estátuas, recordando o modo como seu pai se gabara de serem feitas de ouro puro.
O homem que, cara a cara, o chamara de bastardo inútil. Logo antes de mandar seu empregado escorraçá-lo e garantir que não voltasse mais. Pouco se importava que os rebentos das prostitutas com quem se divertia nos becos de Palermo vivessem ou morressem, contanto que ele, Agostino Fattore, chefe da principal família de criminosos, não tivesse que ver o rosto daquele menino de novo.
Não, pensou Romeo... Ele não era seu pai. Aquele homem não merecia esse título.
Romeo apertou a barra de direção de sua Ferrari e refletiu pela milionésima vez por que se dera ao trabalho de vir àquele lugar. Por que a carta que o deixara furioso e que reduzira a pedacinhos logo após ler o compelira a voltar depois do juramento que fizera a si mesmo vinte anos antes.
Olhou para a direita, fixando o muro externo da propriedade do falecido Agostino Fattore, que se elevava para o céu, e viu os arbustos dos quais se lembrava tão bem, os ramos folhosos espalhados e que ofereciam uma falsa proteção.
Infelizmente, o destino resolvera o contrário.
Ele se escondera nos arbustos, tremendo de frio e quase inconsciente, até que a fome constante o fizera se mover.
Retornando ao momento presente, Romeo fitou as lanças nas mãos das estátuas, recordando o modo como seu pai se gabara de serem feitas de ouro puro.
O homem que, cara a cara, o chamara de bastardo inútil. Logo antes de mandar seu empregado escorraçá-lo e garantir que não voltasse mais. Pouco se importava que os rebentos das prostitutas com quem se divertia nos becos de Palermo vivessem ou morressem, contanto que ele, Agostino Fattore, chefe da principal família de criminosos, não tivesse que ver o rosto daquele menino de novo.
Não, pensou Romeo... Ele não era seu pai. Aquele homem não merecia esse título.
Romeo apertou a barra de direção de sua Ferrari e refletiu pela milionésima vez por que se dera ao trabalho de vir àquele lugar. Por que a carta que o deixara furioso e que reduzira a pedacinhos logo após ler o compelira a voltar depois do juramento que fizera a si mesmo vinte anos antes.
Olhou para a direita, fixando o muro externo da propriedade do falecido Agostino Fattore, que se elevava para o céu, e viu os arbustos dos quais se lembrava tão bem, os ramos folhosos espalhados e que ofereciam uma falsa proteção.
Por um momento insano, Romeo lutou contra a vontade urgente de descer do carro e arrancar aquele arbusto do solo com as mãos nuas, arrancar cada folha e galho para reduzi-los a pó.
Cerrou os maxilares e, por fim, baixou o vidro, digitando na caixa dos portões o código que ironicamente retivera na memória.
Enquanto os portões se abriam com um rangido, perguntou-se de novo por que fazia aquilo.
E daí se a carta fizera menção a outra coisa? O que aquele homem que o rejeitara com tanta frieza e crueldade teria a lhe oferecer depois de morto se em vida se recusara a dar? Fazia aquilo porque precisava de respostas.
Precisava saber se o sangue que corria em suas veias teria o poder sufocante de virar sua vida de cabeça para baixo quando menos esperasse.
Perguntou-se se as duas vezes na vida em que perdera o controle a ponto de não reconhecer a si mesmo voltariam a acontecer.
Ninguém além de Romeo se arrependia dos quatro anos que perdera após aquela noite amarga quando estivera ali pela última vez, procurando ser aceito de qualquer maneira.
Mais do que o ódio que sentia pelo homem que lhe dera a vida, odiava os anos que perdera tentando encontrar um substituto para Agostino Fattore.
Fechar seu coração aos 17 anos fora a melhor coisa que fizera na vida.
Então, por que está aqui?
Enquanto os portões se abriam com um rangido, perguntou-se de novo por que fazia aquilo.
E daí se a carta fizera menção a outra coisa? O que aquele homem que o rejeitara com tanta frieza e crueldade teria a lhe oferecer depois de morto se em vida se recusara a dar? Fazia aquilo porque precisava de respostas.
Precisava saber se o sangue que corria em suas veias teria o poder sufocante de virar sua vida de cabeça para baixo quando menos esperasse.
Perguntou-se se as duas vezes na vida em que perdera o controle a ponto de não reconhecer a si mesmo voltariam a acontecer.
Ninguém além de Romeo se arrependia dos quatro anos que perdera após aquela noite amarga quando estivera ali pela última vez, procurando ser aceito de qualquer maneira.
Mais do que o ódio que sentia pelo homem que lhe dera a vida, odiava os anos que perdera tentando encontrar um substituto para Agostino Fattore.
Fechar seu coração aos 17 anos fora a melhor coisa que fizera na vida.
Então, por que está aqui?


