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domingo, 7 de agosto de 2016

Convite de Casamento

ROMANCE CONTEMPORÂNEO






Senhoras e Senhores...

Kelly Walker e Michael Cameron gostariam de ter a honra de sua presença à cerimônia de seu casamento às dezoito horas do próximo sábado.
A cerimônia será realizada na residência do noivo, Peachland Avenue, Bewhall, Califórnia. A recepção terá início imediatamente após a troca dos votos matrimoniais.
Os noivos pedem desculpas por não terem enviado o convite antes, mas há uma história atrás dessa pressa, uma que vocês poderão comprovar com seus próprios olhos...Queiram juntar-se a Mike e a Kelly nessa aventura que iniciou como uma amizade perfeita e que talvez termine em paixão...

Capítulo Um

Kelly Walker escolheu um péssimo momento para riscar de sua vida os homens. Não que pretendesse mantê-los distantes para sempre, claro. No entanto, no estado em que se encontrava, não seria recomendável envolver-se sentimentalmente com nenhum deles.
Por outro lado, suspeitava que fora esse mesmo estado que levara o diretor da escola onde lecionava a querer vê-la em sua sala. Parou diante da porta onde se lia a inscrição "Diretoria". Por mais que tentasse se convencer, sabia que o sr. Bloomhurst não lhe pedira que fosse até ali para discutir sua interpretação de Hamlet. Na certa queria falar sobre o fato de ela estar grávida de seis meses, ser solteira e não estar de casamento marcado.
A Escola Stevenson ficava em Newhall, a pequena cidade californiana onde Kelly crescera, e ninguém melhor do que ela sabia como as pessoas ali gostavam de bater com a língua nos dentes. Também era espantosa a rapidez com que as fofocas espalhavam-se. Ela seria capaz de apostar que em poucas horas a cidade inteira saberia que estava grávida.
Até então, conseguira disfarçar a barriguinha que agora começava a se pronunciar. E apenas duas pessoas tinham conhecimento de que teria um bebê. Uma delas era Susan Wishart, que lecionava na classe ao lado, e a outra era Michael Cameron, encarregado do departamento de esportes, treinador-chefe do time de futebol e seu melhor amigo.
Kelly os fizera prometer que guardariam segredo até que ela mesma transmitisse a notícia ao sr. Bloomhurst. E, apesar de ter ensaiado o que dizer, não se sentia preparada para aquela conversa desagradável com o diretor.
Esperava colocá-lo a par da situação no final do semestre, quando os contratos do ano seguinte seriam assinados. Nas escolas do Arizona, onde lecionara antes de ir para Newhall, uma semana antes das férias de verão os professores já sabiam o que estariam lecionando no outono. Há dois anos Kelly lecionava em Stevenson e, uma semana antes de as aulas começarem, ninguém sabia o que iria ensinar. Ela, porém, já se acostumara à forma pitoresca como as coisas aconteciam por lá.
Julgara que disfarçaria o corpo roliço com as roupas largas que adotara. No entanto, percebia os olhares demorados e curiosos lançados em sua direção. 
As sobrancelhas se erguiam, indagadoras, quando alguém notava-lhe a cintura larga e, em seguida, examinava-lhe o rosto mais cheio. Por fim, mediam-lhe as pernas, para verificar se engordara por completo. E, após um ritual que durava aproximadamente dois segundos, a pessoa fingia nada haver notado.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Convite de Casamento

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

Michael tinha um ar de mistério que seduziu Blair.... 

Blair Lawrence seria capaz de tudo para não ir ao casamento do irmão acompanhada por um homem escolhido por sua mãe... Tanto, que convidou Michael, o jardineiro que cultivava as plantas de seu escritório, para acompanhá-la. 
De todos os "empregos" que Michael tivera, aquele não era tão ruim... exceto pelo fato de não poder convidar Blair para sair. 
Porém, tão logo sua missão estivesse concluída, ele planejava "cultivar" outra coisa: um irresistível convite de casamento!


Capítulo Um

 — Então, querida? — A voz de Marta Lawrence soava ansiosa, do outro lado da linha. 
— Já encontrou alguém? Blair suspirou, fazendo um esforço imenso para não perder a paciência. 
— É claro que não, mamãe... ao menos não nos últimos quarenta minutos, quando nos falamos pela última vez. — Ela procurava manter a voz num tom baixo, pois o jardineiro da companhia de decoração Art & Plants, responsável pelos arranjos e vasos de plantas que enfeitavam os escritórios do edifício, tinha acabado de entrar. E agora ajeitava, com extremo cuidado, as folhas de uma samambaia que pendia da parede. 
Blair simpatizava vagamente com ele, que se chamava Michael e sempre a tratava com deferência. 
Mas mesmo sabendo que Michael era uma pessoa discreta, Blair não queria discutir com a mãe, na frente dele. Só que não tinha outra opção, pois Michael agora aguava os vasos de violetas, e esse trabalho levaria alguns minutos. 
Resignada, Blair girou sua cadeira, voltando as costas ao jardineiro. Pela janela envidraçada podia ver a Avenida Thanksgiving, lá embaixo, com tráfego intenso, incessante. 
— Mamãe ... — ela continuou, no tom mais baixo possível — acho que esta não é a hora apropriada para discutirmos um assunto tão delicado. Se não me engano, eu já lhe disse que tenho um trabalho urgente a concluir. E já estou atrasada. 
Martha Lawrence não se fez de rogada: 
— O seu problema, filhinha, é que você está sempre indo para alguma reunião, ou então está correndo para entregar um trabalho urgente. 
— Acontece, mamãe, que estou trabalhando. E a vida aqui no escritório em geral é muito atribulada. 
— Sim, doçura, eu sei. Mas pense na importância do que está prestes a acontecer em nossa família... 
— O casamento de Tim e Alícia realmente é algo muito importante, mamãe. Mas isso não significa que eu deva jogar meu emprego para cima, não acha? 
— Claro, filha. Mas você ao menos poderia dar-me algumas opiniões sobre a cerimônia, já que não pode estar aqui, para ajudar-me pessoalmente. 
Blair levou a mão à testa, afastando uma mecha de cabelos castanhos, que caía-lhe sobre os olhos. 
— Mamãe, não seja injusta. Você liga constantemente para me pedir palpites e eu sempre a escuto com a maior boa vontade do mundo. 
— Mas nas últimas vezes você tem se mostrado muito impaciente comigo — Martha protestou. 
"Não é à toa", Blair respondeu, em pensamento. Afinal, só naquele dia Martha Lawrence já lhe telefonara quatro vezes. 
— Mamãe, não seja tão dramática. Por favor, diga-me logo do que se trata.