Faltavam poucos minutos para o programa entrar no ar. Rebeca correu para o estúdio onde seu convidado já a aguardava.
Sob a luz forte dos refletores, os cabelos negros de Brett Hilliard reluziam, emprestando mais charme à sua aparência.
Ela ocupou seu lugar, censurando-se.
Não estava ali para admirá-lo. Pelo contrário.
Afinal, era Rebeca, a rebelde, e sabia que Brett queria sabotar o programa.
Mas se tencionava desconcertá-la com ataques pessoais, teria uma bela surpresa!
A luz vermelha acendeu e Rebeca olhou para a câmera:
"Boa noite! Estamos começando mais um Cidade em Destaque...”
Capítulo Um
A escada de incêndio rangia ruidosamente enquanto Rebeca Barclay subia os degraus, apressada, procurando na bolsa pela chave da entrada particular que ficava nos fundos do prédio Broadcast.
Como de costume, passou pelo relógio de ponto em cima da hora.
Mais uma vez ela entraria na lista negra de Jack. Não que isso a preocupasse.
Afinal, ao longo dos quatro anos de trabalho na pequena estação de rádio e televisão de Fultonsville, Rebeca fora muito bem aceita pelo público, e certamente haveria muita revolta caso fosse despedida.
O hall encontrava-se deserto.
Ela se esgueirou até a sua sala, passando pela porta aberta do estúdio, onde a esperava Jack Barnes, seu diretor.
— Esta sala já deve ter sido um armário — murmurou Rebeca, insatisfeita.
O escritório não tinha janelas e nele mal cabiam a cadeira giratória e a mesa minúscula.
Sem dúvida, acomodações bastante inadequadas para a locutora e criadora do popular programa vespertino "Rebelde com justo motivo".
— Na próxima oportunidade, exigirei uma sala maior.
— Se eu fosse você, não faria isso hoje — uma voz feminina soou junto à porta.
— Jack está nervoso, esperando por você no estúdio. Rebeca consultou o relógio. — Ele disse que a gravação para a TV seria só às dez, Janet — ela retrucou, encolhendo os ombros com indiferença.
— Ainda faltam cinco minutos. — Olhe, só sei que ele está furioso. — A recepcionista estendeu-lhe um maço de papéis.
— Aqui estão seus recados... Eu sabia que você entraria pelos fundos. Rebeca colocou o punhado de memorandos sobre a mesa e voltou a reclamar:
— Este escritório é ridículo. Quando preciso trazer um convidado para cá não posso lhe oferecer nem um lugar para se sentar. Se Jack quer que eu grave também programas de televisão, terá de me arranjar um gabinete maior. E precisarei de uma penteadeira.
Rebeca inclinou-se para a frente e escovou com força os longos cabelos castanhos.
Quando se endireitou, agitando a cabeça, as mechas encaracoladas caíram, leves e soltas, sobre seus ombros.
Janet meneou a cabeça, admirada. — Nunca entendi como você faz isso.
— Eu nasci com sorte. — Rebeca examinou o rosto no minúsculo espelho pendurado atrás da porta e aplicou um pouco de pó compacto no nariz.
— Malditas sardas. — Você vai precisar de toda a sorte que possui para sair-se bem hoje. — Sempre consegui lidar muito bem com Jack.
— É. Mas pode ser que não se saia muito bem com o entrevistado. Ele está esperando por você há meia hora na sala verde. E está quase perdendo a paciência, com certeza.
— Problema dele — Rebeca replicou, enquanto passava batom. — Eu nunca me atraso. Apenas não chego cedo, porque considero isso uma perda de tempo. A propósito...
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