O luar iluminava a praia, e as ondas vinham morrer aos pés de Samantha e Jason.
Abraçados, eles se beijavam com paixão, protegidos pelo cúmplice silêncio da madrugada. De repente, porém, como que caindo em si, Samantha afastou-se, horrorizada por ter cedido a uma atração que deveria reprimir.
Como pudera esquecer que Jason Cole era seu patrão e, além de tudo, estava envolvido com a bela e insinuante Lena?
E ela própria, Samantha, não ia em breve ficar noiva de Oliver, o namorado que todos diziam ser perfeito para ela?
Capítulo Um
Nervosa, Samantha Peabody entrelaçou os dedos, levantou a cabeça e encarou os profundos olhos azuis que a analisavam.
— Não, muito obrigada — repetiu, erguendo um pouco mais o queixo. — Sinto ter de recusar seu pedido.
— Não?! — O homem pronunciou a palavra como se não acreditasse nos próprios ouvidos.
Com certeza ele nunca recebeu um não, Samantha pensou. Duvidava que as pessoas contrariassem Jason Cole com frequência.
— Mas você nem mesmo quis saber os detalhes!
— Não é preciso, já sei o suficiente. — Ela balançou a cabeça, decidida.
— Não, obrigada. Sinto muito.
Na realidade não “sentia muito”.
A última coisa que gostaria de fazer durante o verão era trabalhar para aquele homem; mesmo que o emprego significasse dar aulas de violoncelo e fazer companhia a sua talentosa irmã de quinze anos. Quando soubera que teria de ficar na casa dele, decidira que não aceitaria aquele trabalho.
No instante em que o conhecera tinha percebido que ele representava tudo que mais detestava em um homem. A arrogância, a postura de empresário bem-sucedido, e principalmente aquele tremendo charme eram suficientes para afugentá-la.
Imaginava os perigos que correria se ficasse perto de um homem como Jason Cole. Com um simples olhar, era capaz de fazê-la esquecer o próprio nome e todo bom senso.
Quando o vira pela primeira vez junto à janela na recepção da Rudley School, sentira as palmas das mãos úmidas, a boca seca e o coração disparando. Seu pai sempre a alertara sobre aquela reação física. Dizia que eram os “hormônios”, e com um tom de desprazer acrescentava:
— E você sabe o que acontece quando se dá importância a essas bobagens.
Samantha sabia. Fora o que acontecera com sua mãe ao encontrar Louis Lambert, e o que lhe acontecera ao conhecer o delicado e sofisticado Fritz; uma lição que não pretendia esquecer.
— Não se preocupe — sempre dizia ao pai. — Isso nunca se repetirá comigo.
Mas ali estava agora, tão perturbada que se via tentada a dar meia-volta e fugir. Contudo sentou-se em frente a Jason, procurando permanecer imune a tanto charme. Não importava o que ele desejasse, não o atenderia.
— Não lhe interessa a quantia que posso pagar? — Ele parecia não levar a sério o seu “não”.
Recostado numa das poltronas de espaldar alto que ficava junto à janela, ele mantinha as longas pernas cruzadas.
Usava um terno com colete cinza-escuro que valorizava ainda mais o seu porte atlético. E o queixo firme e bem desenhado harmonizava-se ao nariz aquilino, acentuando o ar autoritário que emanava dele. Samantha calculou que tivesse aproximadamente trinta anos.
