
Apesar de sentir na pele o calor dos lábios sedutores de Jonathan, Trina custa a acreditar que essa cena seja mesmo real.
Ainda há pouco, o príncipe encantado com que sonhava não passava de um mito.
Agora, por um capricho do destino, ele está em seus braços, fazendo-a delirar com suas carícias.
Conseguirá prendê-lo para sempre, já que pertencem a mundos completamente diferentes?
Capítulo Um
Interrompendo o trabalho no microcomputador, Trina desviou o olhar para o sobrinho Donald.
— Logo que possível? — indagou ela ao adolescente. — Que quer dizer?
— Bem... — hesitou o garoto, remexendo-se. — Você ainda tem umas duas horas. Estou avisando com antecedência para que não se distraia e perca a hora.
— Mas para quê? — insistiu Trina, sem deixar de olhar para o monitor de vídeo e de digitar.
— Para ouvir a banda no aeroporto, tia Trina. Teddy e eu já lhe falamos sobre isso ontem!
— Lembro-se vagamente — concordou ela, dando um suspiro. — Devo estar com a cabeça nas nuvens.
— Você não dorme o suficiente — comentou o sobrinho, em tom de advertência.
— Você e Teddy também ficam quase a noite inteira acordados, às vezes.
— Mas é diferente. Você trabalha com os computadores, ao passo que nós nos divertimos com eles.
Interessada no progresso dos garotos, Trina voltou-se para o sobrinho e indagou:
— E o que é que aprenderam nos últimos dias?
— Enviamos correspondência eletrônica pelo Centro de Intercâmbio por Computador. Mandamos várias cartas a outros usuários do CIC.
— É muito divertido, não é? — comentou Trina, lembrando-se dos amigos que fizera anos atrás, graças à mágica das telecomunicações por computador.
— Sim, é como ter correspondentes em todas as partes, só que não é preciso esperar o correio entregar as cartas. E já começamos a receber respostas. Uma garota de Atlanta nos mandou um poema.
— Aproximando o dedo indicador da tela, Donald desenhou um quadrado imaginário.
— Ela o compôs de forma que todos os versos ficassem do mesmo tamanho. Muito bonito de ver.
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