Que segredos esconderão os olhos desse homem?
Perturbada com as palavras de Jake Ferriter, Katleen não conseguia dormir.
A proposta que acabara de receber a deixara indignada.
Não bastava ele ter lhe tirado as terras e a casa que tanto adorava?
Como ousara lhe pedir que se tornasse sua amante?
Logo ela, uma garota romântica, que sonhava encontrar um homem especial que a fizesse feliz para sempre...
Essa vitória Jake não teria. Nem que estivesse loucamente apaixonada se entregaria a ele!
Capítulo Um
Acelerando o Maserati vermelho conversível, Jake Ferriter tinha pressa em chegar a Cashelkerry, grande propriedade rural no sul da Irlanda, onde de agora em diante deveria morar.
Nascido na Flórida e educado na Suíça, aos trinta e três anos ansiava por estabelecer um verdadeiro lar, o que desconhecia até então.
Tampouco conhecia Cashelkerry, pois, desde o tempo de seu bisavô, há quatro gerações, nenhum Ferriter pisava o solo de Cashelkerry que caíra nas mãos de intrusos, o que não impedia que Jake fosse o legítimo herdeiro delas. Pensando nisso, dirigia apressado pelas tortuosas estradas de Kularney, rememorando fatos das gerações passadas.
Pensava também em seu próprio futuro, preparando-se agora para enfrentar e expulsar os malditos O'Connell do lugar, e tomar posse definitiva da terra.
Cansado de dirigir e sentindo-se empoeirado, ansiava por chegar. Sentia o vento forte bater em seu rosto, revolvendo-lhe os cabelos negros e imprimindo um ar de determinação, estreitando um pouco seus grandes olhos verdes. Ainda que estivesse cansado, sentia uma imensa vontade de vencer, suplantar os obstáculos que o esperavam e apossar-se do que era seu. Foi nesse estado de espirito que gritou contra o vento:
— Jake Ferriter, você é um vencedor!
Imediatamente, seu cérebro tornou a reorganizar os passos que deveria dar para a conquista de seu objetivo final. Primeiro enfrentaria a jovem Katleen O'Connell, depois então colocaria em prática seus planos e realizaria seus sonhos.
Um brilho de vingança surgiu em seus olhos e ele sorriu ao pensar em Katleen O'Connell. Ainda não a conhecia, mas chegava a sentir pena dela, por ter de enfrenta-lo. Reconhecia-se um inimigo feroz e implacável, quando se tratava de defender o que era seu. E, pensando nisso, acelerou ainda mais o carro.
Enquanto isso, a jovem Katleen O'Connell entrava no escritório, o coração apertado ao ver Cormac Kelly, seu capataz, ruivo e forte, no lugar que, ainda há poucos dias, seu pai ocupava. Mas havia tanto a fazer que ela sepultou por um momento a dor e a saudade e, com um ar encorajador, dirigiu-se a Cormac, avisando-o:
— Irei um instante à casa da praia. Poderemos conferir as contas assim que eu voltar.
Cormac concordou, acenando com a cabeça, os olhos postos no trabalho. Algum tempo atrás ele ainda alimentava o sonho de casar-se com ela. Mas Katleen não sentia a menor atração por ele. Reconhecia em Cormac competência e dedicação ao trabalho, mas não o amava e, por isso, não aceitara qualquer compromisso. Entretanto agora, após a morte do pai, Katleen sabia-se totalmente dependente da amizade e do apoio profissional de Cormac... Percebia que o rapaz ainda nutria grande afeição por ela, lutando a seu lado na tentativa de salvar a propriedade das dívidas. E era esse agora o único objetivo dos dois.
Aos vinte e dois anos, Katleen recebera de herança apenas uma perspectiva de lutas e o desejo de salvar o lugar onde sempre vivera.
Antes que ela deixasse a sala, Cormac pigarreou, sugerindo com muito tato:
— Já está tudo pronto, Kate. Não prefere que eu a ajude a resolver as coisas?


