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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Consultório Sentimental

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

Encontrei o homem dos meus sonhos: um duque inglês!

Alto, loiro, encantador...
Então, qual o problema, você deve estar perguntando.
Ele é tipo terno e gravata, eu sou tipo abrigo e tênis.
Ele é um lorde britânico, eu sou uma garota americana.
Oh, outra coisa, eu arruinei a vida dele...
O que vou dizer-lhe agora?
Escreva-me, Desolada de Seattle.
Mathilda McKinney gostaria de pedir o conselho da popular conselheira de jornal Tia Tilly... só que ela era a Tia Tilly.

Capítulo Um

Tilly recostou-se na cadeira olhando para a tela do computador enquanto massageava a nuca.
Depois de criar uma inspirada frase na qual recomendava ao sr. Phelps, um mecânico de Fargo especialista em motores Diesel, que parasse "de brincar com a esposa do açougueiro antes que fosse esfolado, cortado, embrulhado em plástico e vendido com preço especial na terça-feira", não conseguia mais escrever.
Sabia que tinha mais a dizer, só não conse­guia lembrar o quê.
Estava sentada diante do com­putador desde às seis da manhã e começava a ficar sem disposição.
— Preciso de cafeína — murmurou ela, olhando por uma das persianas que cobriam as paredes de vidro de seu escritório, isolando-a do labirinto de cubículos dos repórteres, secretárias e todo o pessoal necessário para fazer funcionar o Seattle Globe. — E depressa. Onde será que está Amy?
Tilly levantou e se espreguiçou, feliz por ser sexta-feira, quando podia usar jeans velhos e uma blusa muito larga.
Não precisaria nem se trocar ao chegar em casa, iria apenas cair no sofá com seu gato, Rebound, para assistir os Sonics fazerem o Jazz.
Mas não antes de terminar a coluna "Pergunte à Tia Tilly", e para isto precisava da coisa mais famosa de Seattle, o café.
E em grande quantidade.
Após apertar a tecla para salvar o texto, ela foi até a porta.
Amy deixara seu escritório vinte minutos an­tes, prometendo voltar logo com uma caneca de café e um enroladinho de queijo.
Mas aparentemente fora retida no meio do caminho.
Amy, que trabalhava ali como "faz tudo" enquanto não conseguia uma vaga no setor de diagramação, era muito requisitada.
Tilly começara no jornal numa posição tão humilde quanto a de Amy, então compreendia e simpatizava com a pobre garota quando ela não conseguia fazer tudo que todos lhe pediam ao mesmo tempo.

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