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domingo, 21 de setembro de 2014

Conquista Selvagem

ROMANCE CONTEMPORÂNEO







Na busca do amor, Robert e Vanessa estavam destinados um ao outro...

Vanessa sentiu-se indignada! 

Como Robert Savage tinha coragem de acusá-la de sedução, se tudo não passara de um mal-entendido?
Pouco importava que ele fosse um exemplo perfeito de autocontrole e sofisticação, também era seu patrão, além de um perigoso predador de corações femininos. 
Só que Vanessa não tinha nenhuma intenção de se tornar mais uma vítima do charme desse homem. Porém, Robert parecia não pensar do mesmo modo que ela...

Capítulo Um

Estava escuro no interior da casa, mas a falta de iluminação não o impediu de subir a escada estreita. Movia-se com a habilidade de alguém acostumado a explorar totalmente os próprios sentidos. Não precisara enxergar para abrir a porta da frente e ir direto até a escada. Seus sentidos aguçados haviam sido suficientes para guiá-lo.
Ao alcançar o topo da escada, adiantou-se com passos firmes, em meio à escuridão, centralizando-se mentalmente entre as paredes, para evitar alguma colisão com os móveis. Poucos metros adiante, virou para a esquerda e entrou em um dos quartos. 
Ao fechar a porta atrás de si, a escuridão tornou-se quase completa. Após um instante de hesitação, avançou até o outro lado do aposento. Afastou as cortinas, revelando a janela com vista para o lago de águas escuras.
Fechou a mão com força e a relaxou contra o vidro da janela, como se o simples gesto houvesse eliminado toda a tensão de seu corpo. Exalou um suspiro de alívio, depositando a mala e a sacola de viagem no chão. Permaneceu diante da janela durante um longo tempo, apoiando a testa no vidro frio.
Então, com outro suspiro, endireitou o corpo e massageou a nuca, aliviando a tensão. Em seguida, encaminhou-se até a segunda porta do quarto. Robert Savage estreitou os olhos para protegê-los da claridade, ao acender a luz do banheiro. Deixou os óculos sobre a pia de mármore.
Não lembrava de haver sentido esse cansaço antes. Talvez porque a fadiga da viagem de retomo à Nova Zelândia era geralmente sobrepujada pela sensação de euforia diante da possibilidade de outra comissão. Dessa vez, porém, a euforia fora substituída por uma indefinível insatisfação que o enfurecera. 
Esse último trabalho fora, sem dúvida, o melhor de sua carreira. Talvez houvesse se dedicado demais ao projeto e gerado uma expectativa além da conta.
Robert balançou a cabeça, tentando afastar a exaustão que obscurecia seus pensamentos. Tirou o terno conservador, pendurando as peças com cuidado nos cabides. 
Um sorriso curvou seus lábios quando pensou na possibilidade de estar sentindo os efeitos da idade. No dia seguinte faria trinta e quatro anos. Embora continuasse confiante quanto às habilidades intelectuais, sentia que seu corpo começava a cobrar um ritmo mais ameno de trabalho e viagens.
Essa viagem ao redor do mundo, em particular, fora um verdadeiro pesadelo de cancelamentos e atrasos. Estivera próximo de ter um colapso nervoso. Isso, acima de tudo, fizera-o enxergar que estava na hora de selecionar melhor suas prioridades. 
Antes de entrar no chuveiro, Robert deu uma olhada em seu reflexo ao espelho. Sentiu-se melhor ao notar que sua aparência não denunciava o cansaço físico. Seus olhos azuis continuavam com o mesmo brilho de sempre. Os cabelos negros apresentavam alguns fios prematuramente prateados, mas seu corpo continuava esbelto como sempre, graças à sua herança genética e principalmente ao fato de ele nunca se hospedar em um hotel sem piscina. Tinha o hábito de nadar muito pela manhã, para aliviar a tensão mental e enrijecer os músculos do corpo.
O banho quente surtiu um ótimo efeito. Após enrolar-se na toalha felpuda, voltou para o quarto. 
Passou os dedos sob o queixo, dando graças por não precisar fazer a barba de novo, antes de dormir. Mais de uma mulher já comentara o inusitado contraste entre sua barba que crescia rápido demais e seu peito sem pêlos.
Abriu um pouco a janela, apreciando o ar fresco sobre sua pele ainda úmida. No fim de março, Auckland costumava ser um lugar frio, mas nessa noite a região mantinha características evidentes do verão. Espreguiçou-se longamente, prolongando o bocejo. 
Tirou o Rolex e o deixou sobre a mesa-de-cabeceira. A perspectiva de deitar o corpo nu entre os confortáveis lençóis parecia boa demais para ser verdade. Deu graças ao pensar que a única coisa que o envolveria nas próximas horas seriam os braços celibatários de Morfeu. 
Talvez estivesse mesmo ficando velho, pensou consigo.Apertou os lábios, espantando-se de repente. A cama já estava ocupada!