
Virando a mesa... Richard Chisholm é um homem charmoso e atraente além da conta, muito mais do que deveria ser permitido por lei.
Forçado pelas necessidades da família a assumir a administração do pub local da cidadezinha de Glenbuie, Richard passa a apreciar cada um dos aspectos de sua nova vida: o contato mais próximo com a comunidade, o jogo de bilhar, as conversas com os clientes e a oportunidade de flertar à vontade com as garotas... com exceção de Barbara Henderson, é claro.
Aquela garota seria bem capaz de lhe dar um chute na canela, se ele tentasse!
No entanto, Barbara está prestes a mostrar a Richard que a mulher de seus sonhos pode ser justamente ela, e que uma mesa de bilhar pode servir para jogos bem mais interessantes do que aquele jogado com tacos e bolas coloridas...
Capítulo Um
— Este lugar é pequeno demais para nós duas. — Barbara Henderson limpou as mãos no pano encardido que pendia da alça de seu macacão.
Olhou para o outro lado da rua, um pouco adiante da praça, e viu Margaret MacDonnel virando a placa de “Aberto” da pequena papelaria.
— “Pode me chamar de Margaret Mac” — Barbara a imitou, exagerando nos trejeitos cheios de afetação. Lembrou-se da maneira como a americana empertigada havia se apresentado três semanas antes, ao assumir o antigo negócio de sua falecida tia Maude.
Claro que se a placa junto à janela fosse a única coisa que Margaret andasse “virando” ali, em Glenbuie, Barbara teria sido a primeira a dar as boas-vindas à mais nova residente da pequena aldeia do leste escocês.
O problema era que todos os rapazes da região também tinham incluído o verbo em seus vocabulários diários, pois andavam com a cabeça “virada”, suspirando pela ianque, desde o momento em que tinha chegado à cidade.
— Pare com isso — Frederick Henderson a repreendeu —, e me passe a chave-inglesa.
A maldita alavanca resolveu emperrar. Barbara obedeceu sem prestar muita atenção ao que fazia, pois ainda não tinha tirado a intrusa americana da cabeça.
— Se quer minha opinião, acho que você deveria fazer uma visita de cortesia e tentar fazer amizade com sua suposta inimiga — sugeriu o pai, entre um resmungo e outro, uma vez que estava difícil soltar o que quer que estivesse emperrado naquele momento.
Dadas as precárias condições do Mini Cooper antigo em que trabalhava, Barbara não ficaria surpresa se todo o chassi do carro tivesse sido soldado apenas com graxa.
Contudo o que via naquele momento, mais se assemelhava a uma meleca grudenta, misturada a esterco seco, em formato de uma peça automobilística.
Só mesmo Hinky Thomas poderia imaginar que um Mini Cooper seria um veículo próprio para uma fazenda. — Está sugerindo que eu banque a boazinha? Justo eu? E por que raios eu faria isso?
— Porque dessa forma você aproveitaria melhor o seu tempo, em vez de desperdiçá-lo lançando faíscas contra a porta de uma papelaria. Mas aquela não era uma porta qualquer, Barbara blasfemou baixinho. Apanhou a ferramenta que o pai lhe estendia e entregou a estopa para que ele limpasse as mãos.
— Também não pode culpar os rapazes de ciscarem por lá.
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