
Um único pecado numa vida inocente mudou esta família para sempre.
Rebecca: Ela é a esposa e mãe perfeita... aparentemente.
Mas a verdade é que, apesar de não demonstrar, está vivendo em desespero.
Damon: Ele é rico, poderoso e invejado.
E infiel! Rebecca aprendeu a fechar os olhos para os defeitos do marido... até para o fato de ele ter uma amante.
Dusty: Ela é a única filha do casal, a riqueza de ambos.
E está crescendo rapidamente e se afastando de sua família "perfeita".
Então, Dusty traz para casa seu jovem noivo.
Ele é tudo que os pais poderiam desejar para a filha. Mas o destino arma sua teia...
Capítulo Um
Numa tarde quente de julho em Nova York, Rebecca Lowel estava em seu quarto num apartamento do Upper East Side, olhando para o espelho.
Não era uma tarefa que a agradasse. Eram necessários muitos ajustes. Havia mudanças a serem feitas na face que a observava do espelho, naturalmente. Pequenos toques que a tornariam apresentável para os outros. Mas haviam também mudanças a serem realizadas no interior, de forma que quando se afastasse do espelho tivesse uma imagem de si mesma com a qual fosse capaz de conviver. Essa era uma tarefa muito mais difícil.
Rebecca não se considerava uma mulher atraente. Nunca fora. Nem mesmo quando era magra e ativa, antes que o nascimento da criança lhe tivesse engrossado a silhueta e o rosto.
Não que suas feições fossem ruins. O nariz e o queixo eram finamente modelados. Olhos grandes o inteligentes dominavam o rosto, algumas vezes produzindo um ar triste. Os cabelos curtos, os cachos um pouco mais claros do que o tom acinzentado da cômoda. A pele parecia pálida. Com o tempo haveria rugas, como as de sua mãe, mas por enquanto ainda parecia jovem.
Possuía uma inegável dignidade, um certo ar de maturidade. O calor de uma mulher que vivera, sentira e desejara. Mas não possuía o charme que tornava algumas mulheres atraentes e outras bonitas. Mesmo naqueles olhos interessantes se podiam perceber oportunidades inexploradas, algo jamais testado. E ninguém enxergava isso mais claramente do que a própria Rebecca.
Olhou para outro lado. Uma dúzia, de vezes por dia ela se voltava com o mesmo olhar, aquele olhar no qual encontrava a si mesma e pensava: Você agora é o que poderia ter sido. Deixou de lado aquele pensamento na mente, aprumou os ombros e enfrentou o mundo com uma expressão de respeito-próprio que fazia os outros confiarem tanto nela que ela mesma quase se convencia.
— Rebecca, ajude-me com isso, sim?Seu marido entrou no quarto de vestir.