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domingo, 6 de dezembro de 2015

Como Laçar uma Noiva

ROMANCE CONTEMPORÂNEO








Amy Vale estava determinada a se tornar a melhor esposa do Wyoming. 


Encontrara alguém bom e simpático com quem dividir sua vida; alguém honesto e que tinha a capacidade de fazê-la rir. A paixão, a seu ver, era algo que não importava...
Jeff Diablo certamente merecia o sobrenome que levava. Era um caubói atraente e sensual. E estava determinado a não permitir que uma loira interesseira da cidade fizesse seu pai de bobo. Ele colocaria um fim naquele casamento. Sabia muito bem como! Os beijos de Jeff eram quentes o suficiente para derreter toda a neve do Estado. Então, ele sabia exatamente o que fazer para roubar o coração de uma mulher!

Capítulo Um

O forasteiro entrou no restaurante como um fu­racão acompanhado de uma rajada de vento frio e de flocos de neve.
Sua postura era rígida e ele parecia zangado por algum motivo. Seus braços estavam um tanto distantes do corpo, como se tivesse sido transportado para o Velho Oeste e se preparasse para sacar o revólver a qualquer instante.
Amy tinha problemas o suficiente. Não precisava de mais um. Dessa forma, precisava decidir o que fazer e rápido. Mas não pôde resistir à tentação de verificar se as feições daquele homem combinavam com a imagem que fazia de um caubói.
Foi uma decepção. Quando ergueu os olhos para analisá-lo, viu que o chapéu Stetson preto escondia o rosto. Por sorte, as luzes fluorescentes lhe proporcionaram uma visão espetacular de dois ombros fortes sob a jaqueta de couro.
Aquilo é que era homem, Amy pensou. Não era uma dessas figuras da cidade de Chicago, disfarçadas de vaqueiro, que freqüentavam o bar onde trabalhava há quatro anos como garçonete.
Podia apostar que se tratava de um vaqueiro autêntico.
Ele tirou o chapéu e bateu-o contra a perna. A calça jeans era tão justa que ela conseguiu ver o movimento involuntário dos músculos. Outro detalhe que comprovava sua autentici­dade. Alguém, no bar onde trabalhava, mencionara uma vez que um caubói de verdade exibia coxas mais musculosas, do que as da maioria das pessoas, devido às longas horas sobre uma sela.
Em seguida ele passou uma das mãos enluvadas pelos cabelos pretos e ela acompanhou também esse movimento. Quan­do percebeu que ele olhava em sua direção, engoliu em seco.
Os olhos eram firmes, desafiadores, da cor do céu invernal. Subitamente, antes que ela pudesse reagir, ele se virou e se pôs a examinar a longa fila diante do único telefone do local.
Os passageiros da linha comercial, que fazia ponto naquele restaurante, esperavam a vez para se comunicar com os pa­rentes, ou ainda para providenciar acomodações de emergência, pois a polícia rodoviária havia fechado as estradas para o norte e para o oeste por causa de uma nevasca.
Amy ouviu os passos sobre o piso de madeira e cogitou se o forasteiro havia, finalmente, localizado aquele a quem esperava.
Movia-se com elegância. Exercia total controle sobre si mes­mo e sobre seu mundo. Mas pela respiração e pelo modo de olhar, Amy percebeu que o homem estava encontrando difi­culdade para controlar suas emoções.
Desviando a atenção para seu relógio de pulso, Amy mordeu o lábio. Ira estava meia hora atrasado. Teria Diablo Butte sido afetado pela nevasca? Deveria tentar reservar um quarto no motel local, se é que havia um motel naquelas paragens? Apesar de aquela comunidade, na parte oeste de Wyoming, se chamar Big Elk, que significava grande alce, de grande ela só tinha o nome. Da janela do ônibus, não vira nenhuma construção por quilômetros e quilômetros a não ser aquele restaurante e o posto de gasolina do outro lado da rua.
Mesmo que Big Elk contasse com um motel, porém, isso não importava muito. Ela estava mal de finanças. Sete dólares e trinta e três centavos eram tudo o que tinha e não bastava sequer para um quarto barato numa cidade fantasma.
O motorista do ônibus dera uma opção aos passageiros. Se quisessem, ele os levaria de volta a Kemmerer, onde poderiam esperar até a tempestade cessar para depois prosseguir viagem. Por fim, avisou que estaria à disposição de todos e que a partida estava marcada para dali a trinta minutos.
Amy não tinha idéia se a companhia de ônibus cobraria alguma taxa para levar os passageiros de volta a Kemmerer, considerando-se a emergência da situação. Provavelmente. A companhia não tinha culpa sobre a nevasca. Mas se cobrasse ela não teria como pagar. E, afinal, aquele era seu ponto de destino. Ira combinara de vir buscá-la para seguirem juntos até Diablo Butte, onde planejavam construir uma nova vida.
Olhou para a quantidade de gente que ainda aguardava para usar o telefone e desejou ter sido a primeira a ligar para Ira. Pelos seus cálculos, levaria no mínimo meia hora até chegar sua vez.
O estranho estava perto de um amontoado de caixas de refrigerantes. E também a mulher que viajara no banco atrás dela e que não parara de fumar e falar sobre sua carreira de dançarina e sobre seus planos de alcançar fama e fortuna em Hollywood.
Amy se perguntou o que um homem atraente como aquele vaqueiro poderia ter em comum com uma mulher que usava os cabelos descoloridos a ponto de parecerem brancos. A roupa era extravagante. Collant listrado, botas brancas e um casaco de pele de leopardo. Os dois juntos era um disparate. Era o mesmo que tentar reunir a Madonna com o John Wayne. A não ser, é claro, que ele tivesse um fraco por esse tipo de mulher.
Ela acendeu um cigarro e soltou a fumaça pelas narinas. Depois balançou a cabeça e os brincos de pingente chegaram até os olhos exageradamente maquiados.
De repente, o caubói fez um movimento irritado com a cabeça e se afastou.
Bem, Amy refletiu, ou a mulher não gostou dele, ou ele não lhe fez o tipo de convite que eu imaginei.
De qualquer forma, o que o vaqueiro fazia ou deixava de fazer não era da sua conta. O melhor era ela se preocupar consigo mesma. Ira deveria estar a caminho. Mas, talvez, ela devesse telefonar para seu rancho só para ter certeza de que tudo estava bem. Oxalá não fosse uma ligação interurbana, ou ela se veria em maus lençóis.
Não se sentia à vontade para fazer uma ligação a cobrar, mesmo que Ira fosse seu noivo. E ele, sem dúvida, aceitaria a chamada sem hesitar. Como dono de um rancho, devia ter muito dinheiro.
O pensamento lhe provocou inquietação. Não queria que Ira acreditasse que ela estava se casando com ele por interesse. Ele admitira que já tivera esse tipo de problema no passado. Não era o caso dela. Era sincera. Queria ser esposa de um rancheiro. Para sempre. Provaria isso a ele durante a cerimônia que seria realizada no Dia dos Namorados, dali a três dias.