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domingo, 17 de julho de 2016

Ciranda do Amor

ROMANCE CONTEMPORÂNEO




Quatro amigas do colegial e um pacto: casarem-se com o homem ideal até os trinta anos!

A noiva: Raven Muldoon, terapeuta por vocação e comediante por talento, percebe que as amigas da "Aliança do Matrimónio" cometeram um grande erro na escolha de seu homem perfeito...
O noivo: Brent Radley, um homem aparentemente perfeito para ser o marido... pelo menos até Raven conhecer seu irmão mais novo...
O obstáculo: Hunter, o irmão de Brent, não parece ser o exemplo de homem ideal, mas nem ele roubaria a namorada do irmão. Agora, cabe a Raven convencê-lo...

Capítulo Um

Prólogo
Jones Beach, Long Island, Agosto de 1988
— Veja os cabelos daquele gato ali! — Amanda Coppersmith cutucou a garota morena deitada a seu lado na colcha que servia de toalha de praia. — Ele está olhando para você, Charli. Sorria. Vá em frente.
— Amanda, quer parar? Ele vai ouvir! — Enrubescendo intensamente apesar do bronzeado, Charli Rossi arriscou uma olhadela ao rapaz que atirava um disco voador de brinquedo ao longe.
Do outro lado de Amanda, Sunny Bleecker rolou para ficar de bruços. Pousando a cabeça no braço, afastou os cachos ruivos curtos do rosto.
— Pare de atormentá-la, Amanda. Se acha aquele cara tão demais, vá atrás dele. — Riu. — Se tiver coragem.
— É um desafio?
— É.
— E eu a desafio em dobro! — completou Raven Muldoon, chegando toda molhada de um mergulho nas ondas. Estendeu-se na colcha e empurrou Sunny com o quadril. As três se ajeitaram para lhe dar espaço. — Mas quem estamos desafiando a fazer o quê mesmo?
Charli apoiou-se num cotovelo e sussurrou: — Sunny desafiou Amanda a falar com aquele gato ali.
Raven sentou-se e olhou ao redor. — Que gato?
— Não olhe! — Charli encolheu-se e enterrou o rosto nos braços cruzados.
— Aquele de calção verde — esclareceu Amanda, apontando.
— Cabelos bonitos. — Raven afastou a alça do maio para ver como ia o bronzeado. — Aposto que ele está na universidade. Uns vinte anos...
— Um homem mais velho. — Surgiu um brilho audacioso no olhar de Amanda, que ajeitou o biquíni para ficar mais chamativa. — Talvez eu vá falar com ele.
— Sei. — Raven procurou a caixa de isopor com refrigerantes em lata. — Você é quase tão tímida quanto Charli. Só fala...
— Sobraram biscoitos? — Sunny passou por Raven para pegar a bolsa lotada de salgadinhos e biscoitos.
— E você? — indagou Amanda a Raven. — Não a vejo convidando os rapazes para sair...
— Não sou tímida — declarou Raven, soltando o rabo-de-cavalo e espremendo a água salgada dos longos cabelos castanho claros. — Apenas seletiva.
— Sim, deve ser por isso que nenhuma de nós tem namorado — concluiu Sunny, com a boca cheia de biscoito. — Por sermos seletivas demais...
— Do que está falando? — indagou Charli. — Você tem Kirk.
— Tinha Kirk.
Charli, Raven e Amanda trocaram olhares de desânimo. Sunny suspirou. Pegou outro pacote de biscoito e o fitou. Não demonstrava a vivacidade costumeira. — Nada de mais. Kirk vai para a Universidade Stanford, na semana que vem, e eu já comecei como garçonete lá na Wafflemania. Sempre soubemos que não ia dar certo.
— Mas pensei... — Charli mordiscou o lábio. — Pensei que gostasse dele.
— Fizeram bem em terminar — opinou Amanda, com seu pragmatismo costumeiro. — Ela acaba de arranjar um emprego aqui em Long Island. Kirk vai passar os próximos quatro anos na Califórnia. Relacionamentos de longa distância não vão para a frente.
— Lamento, Sunny. — Raven afagou o ombro da amiga, buscando, como sempre, demonstrar empatia e compaixão. — Tinha esperança de que vocês dois arranjassem uma solução.
— Não foi nada, está bem? — Sunny atirou o biscoito na areia branca e deitou-se de barriga para baixo. — O namoro não era tão sério assim. Quero dizer, ele nem me perguntou se eu queria ir para lá com ele. Acho que está ansioso para sair com todas aquelas universitárias... — Como ninguém se manifestava, acrescentou: — De qualquer forma, não vou trabalhar naquela espelunca por muito tempo. Não precisarei... Lá é um bom lugar para se conhecer rapazes.
Amanda completou a ideia: — E um desses rapazes vai arrebatá-la e você estará casada antes do Natal.
— Ora, isso pode acontecer — devaneou Sunny. — Aposto que arranjo um marido mais rápido na Wafflemania do que você em Cornell.
— Acontece que eu não quero arranjar um marido! — retificou Amanda. — Quero seguir carreira.
— Por que não pode ter os dois? — questionou Charli.
— Não tenho nada contra o casamento — esclareceu Amanda. — Só não tenho ideia fixa, como Sunny. Somos jovens! Acabamos de nos formar no ensino médio! Vamos viver a vida antes de nos estabelecer.
Sunny enrolou a camiseta e colocou-a debaixo da cabeça, como um travesseiro.
— Acho que só vou começar a viver de verdade quando me estabelecer com o homem certo e ter alguns filhos. Quero o tipo de felicidade que meus pais têm. Que há de errado nisso?