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sábado, 23 de maio de 2015

Cilada Para Um Homem

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

Kitt deita-se sobre o corpo másculo do fazendeiro Max Carlson, 

numa demonstração de audacioso desejo. Suas bocas se unem num beijo delirante, as mãos dele insinuando-se nos secretos recessos da feminilidade de Kitt...
Apesar dos momentos de intensa e desvairada paixão que eles compartilham, Max se recusa a permitir que o amor o arraste de novo para a ruína. Ele a ama, mas quer Kitt fora de sua vida!


Capítulo Um

Durante o verão, as duas únicas coisas que mantinham Max Carlson acordado, após a meia-noite, eram uma mulher ardente e dinheiro. Nos últimos anos, tivera o bom senso de evitar todos os tipos de mulher, ardentes ou não, e considerando que naquele exato momento até estava com calor, suado, faminto e extremamente cansado, sexo era a última coisa que ele tinha em mente. O dinheiro era a única coisa que importava. 
Piscando muito por causa da poeira da estrada, que entrava em seus olhos pela janela, Max mudou a marcha. Seu velho caminhão parecia resfolegar enquanto subia outra colina e Max checava a carga pelo retrovisor. 
O carregamento que transportava não valia mais de dois mil dólares, entretanto, era a sua primeira colheita do ano. Ele precisava de cada centavo. Os diversos caixotes de pêssegos, devidamente acomodados na carrocería, aqueciam-se ao luar. As frutas pareciam tão robustas quanto enormes bolas de beisebol, mas não eram. Nada era mais frágil do que um pêssego. 
Max cultivara doze variedades da fruta e justamente essa, a primeira colheita do ano, era a mais delicada de todas as espécies. Aquela variedade de pêssego requeria mais atenção do que uma mulher mimada. Exigia cuidados especiais e uma elaboração perfeita do solo para que não se perdesse nenhuma das frutas. 
O pneu da frente bateu num buraco e Max, aflito, encolheu-se, não por si mesmo, mas por seus "bebês". A noite estava escura como breu e aquela estrada era completamente estranha para ele. Normalmente, Max costumava vender os pêssegos perto de casa, mas seu usual comprador, Litowski, fora muito injusto em relação ao preço das frutas. Max costumava ser uma pessoa condescendente. 
No entanto, perdera essa característica da sua personalidade quando a sua ex-mulher lhe tomara tudo, quatro anos antes. Agora, não dava nada de graça e não fazia concessões, pois a pequena úlcera que ardia em seu estômago agia como uma espécie de lembrança de que aquele carregamento poderia ser sua salvação ou sua ruína, e naquela altura, por um dinheirinho extra, entregaria seus pêssegos até no inferno. 
Exausto, Max bocejou, desejando estar em Poughkeepsie. A estrada esburacada era pior do que a solidão. Ele não vira nenhum outro carro desde que deixara a estrada principal. Apesar da escuridão, o leve brilho da lua banhava a paisagem à sua volta. De um lado, as árvores fechavam-se como uma sólida parede, não permitindo que se enxergasse qualquer coisa que houvesse entre elas. 
Porém, contrastando com aquele quadro, do outro lado, havia diversas dunas que pareciam se perder no horizonte. Contudo, não havia uma só luz em toda aquela região. Ocasionalmente os faróis do seu caminhão capturavam o brilho dos olhos de alguns animais que por ali circulavam.