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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Charada

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
A viagem ao Havaí seria um sonho para Wilma, 

se Richard não a assustasse tanto, falando de sua família. Como aquela gente aristocrata reagiria, quando chegasse com uma noiva pobre? Temia principalmente a avó dele. 
Quanto ao irmão, Adam, devia ser um sujeito de meia-idade e ranzinza. No entanto, nada aconteceu como imaginava. Adam era o homem mais perturbador que já tinha visto e a Sra. Lê Brun logo se encantou por ela. Então, por que Richard de repente não queria mais ouvir falar de casamento? 
O pior é que Wilma sentia que precisavam casar o mais depressa possível... Antes que se deixasse arrastar para os braços do irmão dele!

Capítulo Um

Wilma Grahame estava decidida a não deixar que o homem a seu lado percebesse seu nervosismo. Nem que desconfiasse que tivesse se arrependido muitas vezes de fazer aquela viagem, desde que haviam embarcado no aeroporto de Londres. Era muito tarde para isso agora, claro. Mas Wilma nunca tinha se sentido tão apreensiva com a ideia de conhecer alguém como naquele momento em que voava ao encontro da família Lê Brun. O fato de ele lhe jurar que seria muito bem recebida não fazia a menor diferença. 
A família de Richard, isto é, o meio-irmão e uma avó velhinha certamente a trataria com a mesma polidez com que tratava qualquer outro hóspede, mas Wilma estaria mais confiante se ele não tivesse lhe contado tantas histórias sobre os dois. A avó, apesar de ter deixado a França ainda menina e viver a quase oitenta anos no Havaí, ainda se considerava uma francesa e uma aristocrata. 
Adam Lê Brun, o meio-irmão mais velho, tinha, segundo Richard, herdado toda a arrogância da família. Plebeia de pai e mãe, Wilma achava a perspectiva de conhecer os aristocráticos Lê Brun mais assustadora à medida que o momento se aproximava. O que tinha a oferecer para gente assim, além de uma bela aparência? Nunca frequentou os mesmos círculos que os ricos e seu encontro com Richard foi mero acaso. Ele a viu pela primeira vez na livraria onde Wilma trabalhava. Depois disso, tornou-se freguês assíduo e acabou convidando-a para sair. O rapaz tinha um charme incrível, que a conquistou imediatamente. E conquistou a família de Wilma também, a ponto de concordarem que a levasse naquela viagem ao Havaí. 
Foi o irmão mais velho de Wilma quem insistiu para que ficassem noivos antes. Pelos pais, ela teria ido sem nenhum compromisso. Nem lembrava direito como as coisas tinham acontecido. Só sabia que, de repente, estava dentro do avião e Richard a olhava, os profundos olhos azuis sorrindo, encorajadores. 
— Nem acredito que está aqui, querida. Ele era encantador, impossível negar. Uma mistura exótica de muitas raças. O pai, francês, descendia de portugueses. A mãe tinha sangue irlandês, italiano e inglês. Richard, no entanto, gostava de se considerar um autêntico americano e ridicularizava o orgulho da família por suas origens nobres. Os pais tinham morrido num acidente de carro, sete anos antes, quando era um rapazola de dezesseis, deixando-o sob a tutela da avó e do meio-irmão. Wilma tinha quase certeza de que os dois não a aprovariam. Meio tonta e muito amedrontada, desembarcou no aeroporto do Havaí e entrou com Richard no carro que os esperava. Depois de viajarem algum tempo por uma larga autoestrada, ele perguntou: 
— Não está nervosa, está? Wilma não conseguiu esconder mais a preocupação. 
— Estou um pouco amedrontada. O que esperava Richard, depois de me fazer atravessar metade do mundo para conhecer. . . 
— Minha digna família, ele cortou com um sorriso. E gostaria que me chamasse de Rick. Richard soa como se eu fosse um pequeno príncipe. Ela sacudiu a cabeça. 
— Prefiro Richard. E você mesmo disse que sua família não gosta de apelidos. Vou começar com o pé esquerdo, sem chegar lá o chamando de Rick. 
— Ora, minha querida, ninguém vai engolir você! Vovó é aristocrata demais para isso. E Adam. . . Bem, ele aprecia uma bela garota. Não se preocupe com eles. Podem latir, mas não mordem.