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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Atrás dos Portões dos Castelos

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Cesario Piras, o inquietante dono do Castello del Falco, 

não estava preparado para a visita que apareceu em seu lar durante um temporal, nem para o pequeno pacote com o nome dos Piras que ela carregava. 
Sua razão insistia para que ele a ignorasse, mas ele foi traído pelo coração. Beth Granger sabia que não haveria volta depois que batesse à porta do castelo. 
Ela tinha uma missão a cumprir. Mas, assim que Cesario olhou fundo em seus olhos suplicantes, o plano infalível de Beth foi por água abaixo.


Capítulo Um

A estrada galgava a montanha como uma serpente negra. A chuva parecia aumentar à medida que subiam. Haviam deixado Oliena havia quinze minutos e Beth observou as luzes da cidade desaparecendo aos poucos. Perguntou ao motorista do táxi: 
— Quanto falta para chegarmos? — Descobrira que ele falava um pouco de inglês e de fato o homem respondeu:
— Logo verá o Castello del Falco... Castelo do Falcão. Acho que é assim na sua língua — explicou com seu sotaque carregado. Beth franziu a testa. 
— Quer dizer que o sr. Piras vive em um castelo de verdade? — Presumira que a residência particular do proprietário do Banco Piras-Cossu na Sardenha fosse uma villa luxuosa e que “castelo” não passasse de força de expressão. Dessa vez o motorista não respondeu, porém enquanto o táxi avançava nas Montanhas Gennargentu Beth prendeu a respiração diante da visão de uma enorme fortaleza cinzenta que surgia na escuridão. Estreitou os olhos para ver além da chuva e vislumbrou os portões. 
Os muros externos do castelo estavam iluminados por lampiões que revelavam o tamanho gigantesco da propriedade. Céus! Beth tratou de controlar sua fértil imaginação, porém, à medida que o táxi avançava, não conseguiu afastar uma inexplicável sensação de ansiedade e sentiu-se tentada a pedir que o motorista voltasse para a cidade. Talvez fosse seu excesso de imaginação, mas sentia que sua vida mudaria para sempre se cruzasse a soleira do Castello del Falco. Viera à Sardenha por causa de Sophie, pensou fitando a cadeirinha presa ao seu lado. Não podia recuar agora. 
Mesmo assim seu coração bateu mais forte quando o carro passou pelos portões e lançou um olhar para trás como se tivesse passado do mundo conhecido para outro misterioso. A festa estava no auge. Do ponto estratégico em que se encontrava e que dominava o salão de baile, Cesario Piras observou os casais dançando e bebendo champanhe. Pela porta que conduzia ao salão de banquete via as pessoas se reunirem em torno das mesas abarrotadas de iguarias. 
Estava contente por constatar que se divertiam. Sua equipe trabalhava muito e merecia ser agraciada com essa maravilhosa recepção em reconhecimento aos serviços prestado para o Banco Piras-Cossu. E os convidados não deveriam tomar conhecimento que seu anfitrião contava os minutos para se ver sozinho de novo. Lamentava não ter pedido a sua assistente de Relações Públicas que mudasse a data escolhida para a festa. Donata trabalhava para ele havia apenas alguns meses e ignorava que o dia 3 de março estava para sempre gravado na alma de Cesario. De modo automático ele deslizou um dedo pela cicatriz profunda que começava no canto do olho esquerdo e descia para a face, terminando na boca. Hoje era o quarto aniversário da morte de seu filho.