A noiva estava maravilhosa, o noivo era lindo, o local era magnífico e a nata da sociedade estava presente.
Era um momento glorioso, não fosse por alguns pequenos problemas.
O noivo estava comportando-se de forma possessiva e ciumenta, o que era estranho, pois Amber e Jake eram amigos, não amantes.
Amber estava grávida, tendo dentro de si o filho de outro homem.
Isso, no entanto, não era tudo, e o pior estava para chegar: Jake estava prestes a revelar a Amber um segredo sobre seu passado, sua família.
Era uma revelação que iria mudar sua vida, deixando às claras os verdadeiros motivos que o haviam levado a se casar com ela. E tudo isso acontecia durante a cerimônia de casamento.
Capítulo Um
— Você disse... Caribe?
Atônita, Amber virou-se tão depressa que o véu de seu vestido de noiva caiu-lhe sobre os olhos, obscurecendo-lhe a visão por um instante. Retirou tanto o véu quanto os longos cachos ruivos com um gesto impaciente, encarando o amigo de forma inquiridora.
— Está brincando comigo!
Louis recostou-se na parede e sorriu.
— Bem! Finalmente consegui sua atenção! Aqui estou eu, dizendo que vou me mudar para Santa Lúcia, e tudo o que você faz é ficar se gabando de seu novo marido!
— Jake! — Amber franziu as sobrancelhas, surpresa. Teria mesmo feito aquilo? Tinha se gabado? — Eu... não estava... tem certeza?
— Absoluta!
— Não foi de propósito! — Ela recobrou a compostura e tentou aparentar indiferença. — Além disso, eu seria uma péssima noiva se fizesse o contrário.
Mas era exatamente como uma péssima noiva que ela se sentia! Seu casamento com Jake era pura conveniência. Nenhum sexo, nenhum envolvimento emocional, apenas um afeto morno. Perfeito. Não sentia nada de especial por Jake, nada que não sentisse por qualquer outro amigo.
Os convidados, vestidos a caráter, enchiam o salão de festas do castelo de Castlestowe. A figura alta e atlética de Jake destacava-se das demais, mas o mais surpreendente era sua calma.
Ela passou a estudá-lo, examinando com atenção o rosto maravilhoso e másculo. Ele parecia feliz: seus olhos brilhavam de contentamento. Mas uma coisa intrigava Amber: por que Jake estava tão estático?
No momento em que ele dissera "sim", o sorriso franco em seus lábios a desarmara. Ao retribuir o sorriso, Amber sentiu uma certa excitação. Infelizmente, ele era sexy. Afinal de contas, era homem. Mas Amber não tinha o hábito de confiar em homens quando seus hormônios lhe dificultavam os pensamentos.
— Acho que Jake deve parecer outra pessoa para você, agora que está bem-vestido. Não é o mesmo, vestido a rigor — Louis comentou afavelmente.
Sim. Era por isso que ela achava Jake intrigante... o contraste absoluto. Mistério resolvido!
— Está muito elegante, não é mesmo? Nunca pensei que ele pudesse parecer tão civilizado! — disse ela com um ligeiro riso.
"Quase civilizado, mas não muito", pensou. Havia algo em Jake que a assustava um pouco. Parte disso advinha do fato de ele falar pouco sobre si mesmo. A outra parte era algo que Amber não podia definir. Por trás do charme e das boas maneiras, sentia algo sombrio. Definitivamente, aqueles olhos escondiam algum segredo.
Muitas vezes, durante o curto noivado, ele se afastara quando a conversa girava em torno de assuntos de família. Amber intuíra que Jake provavelmente passara por problemas familiares que não gostava de comentar. Era impossível aproximar-se o bastante para fazê-lo abrir o coração. Isso, é óbvio, transformava-o num admirável desafio para qualquer mulher.
Conheciam-se há muito tempo, embora se vissem apenas de passagem. Ele trabalhava como correspondente para uma importante agência internacional de notícias, enquanto Amber era agente de campo da Unite, uma organização de ajuda às crianças que se perdiam durante conflitos civis.
Haviam se conhecido em Bucareste, voltando a se encontrar depois em Sarajevo, em Ruanda e em outro país da África. Todas às vezes ele saltara do jipe com um charme devastador, seduzindo as jornalistas com sua figura alta e musculosa, com seus olhos penetrantes. O adjetivo mais usado sobre Jake era "estonteante". Mas as mulheres também concordavam em um ponto: tratava-se de um homem com coração de aço.

