5- OUSADIA REVELADA

Ele não poderia ignorar seu herdeiro.
Aquele deveria ser o último encontro para assinar os papéis do divórcio.
Mas a paixão dominou e Maggie King foi embora com algo além de uma decisão legal: levava em seu ventre o filho que Justice King sempre evitara.
Ela jamais teria a coragem de revelar a verdade para ele.
Mas quando as circunstâncias a obrigaram a retornar ao rancho de seu ex-marido, não conseguiria ocultar a verdade por muito tempo.
Ele seria pai, ainda que renegasse sue filho.
Pois ter um herdeiro de seu sangue significava que cometera o maior erro de sua vida....
Capítulo Um
Justice King abriu a porta e se viu diante do passado.
Lá estava ela, encarando-o com aqueles olhos azuis muito claros que tentara desesperadamente esquecer.
Os longos cabelos de um vermelho dourado voavam movidos pelo vento, e a boca se curvava num meio sorriso cínico.
— Oi, Justice — era a voz que assombrava seus sonhos — faz algum tempo.
Oito meses e vinte e cinco dias, pensou. Pousou o olhar sobre ela numa inspeção breve, mas completa.
Era alta, e mantinha a mesma inclinação obstinada do queixo, assim como as sardas salpicadas sobre o nariz.
Os seios fartos subiam e desciam rapidamente a cada respiração e isto, mais do que tudo, revelou que estava nervosa. Bem, então não devia ter vindo.
Seu olhar se prendeu ao dela.
— O que faz aqui, Maggie?
— Não vai me convidar para entrar?
— Não — a voz soou fria. Não a queria perto demais.
— É assim que fala com sua esposa? — Passou por ele e entrou na casa do rancho.
Sua esposa... as lembranças vieram à tona e ele fechou os olhos contra aquela investida.
Mas nada bloquearia as imagens poderosas que surgiram em sua mente.
Maggie nua, estendida em sua cama e lhe dando as boas-vindas. Maggie gritando com ele, os olhos cheios de lágrimas.
Maggie indo embora sem olhar para trás.
E, finalmente, Justice se viu trancando a porta depois que ela partiu e, com a mesma firmeza, fechando seu próprio coração.
Nada havia mudado, ainda eram as mesmas pessoas que tinham se casado e separado.
Assim, ele se controlou e fechou a porta, então se virou para enfrentá-la.
A luz fraca do sol de inverno descia da claraboia, iluminando a madeira do assoalho e o espelho pendurado na parede mais próxima.
Sobre um pedestal, um vaso em tom azul-cobalto vazio... não havia mais flores no hall desde que Maggie partira...
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6- CENAS DE PAIXÃO

Um casamento inesperado... e um filho?
Todos aceitavam as ordens de Jefferson King.
Menos os moradores de um vilarejo que ele havia encontrado na Irlanda para a produção de seu último filme.
Ao retornar à cidade, descobriu que ninguém se dirigia a ele. Afinal, engravidara uma das moças.
Na verdade, ele não atendera as ligações de Maura Donohue por que era um milionário e sua agenda estava sempre repleta de compromissos.
Não tinha nada a ver com aquela noite de paixão, que ele jamais conseguira esquecer.
Naturalmente, ele assumira a responsabilidade e se casaria com ela em uma cerimônia a altura de um King. Porém, Maura se recusava a contrair um matrimônio sem amor... e Jefferson não se curvaria às suas exigências!
Capítulo Um
— Você acha que sou encantador — Jefferson King sorriu, presunçoso.
— Estou vendo. — Encantador, é? — Maura Donohue se esticou em toda a sua altura, que não era muita.
— Acredita que sou tão facilmente encantada por um homem de fala mansa?
— Facilmente? — Jefferson riu. — Nós nos conhecemos há quase uma semana, Maura, e posso dizer com certeza que não há nada de 'fácil' sobre você.
— Bem — ela também sorriu —, não é uma coisa adorável de se dizer?
Estava satisfeita, Jefferson podia ver em sua expressão. Jamais conhecera uma mulher que se sentisse elogiada ao saber que um homem a considerava difícil.
Mas, então, Maura Donohue era uma em um milhão, não era?
Soubera disso no momento em que a conhecera. Jefferson, que estava na Irlanda em busca de locações para o filme que a King Studios produziria a seguir, encontrara por acaso a fazenda de ovelhas de Maura no County Mayo e percebera no mesmo instante que era exatamente o que estava procurando.
Mas, é claro, convencer Maura era uma coisa bem diferente.
— Sabe — encostou um ombro na parede de pedra do celeiro —, a maioria das pessoas agarraria bem depressa a oportunidade de ganhar um dinheiro fácil.
Ela jogou os longos cabelos negros para trás dos ombros e entrecerrou os olhos de um azul cor do mar para mirá-lo. — Lá vai você de novo com a palavra "fácil", quando já admitiu que não sou uma mulher acostumada a seguir o caminho mais tranqüilo.
Ele suspirou e balançou a cabeça.
A mulher tinha resposta para tudo, mas o intrigava tanto que estava se divertindo.
Como presidente da King Studios, Jefferson se acostumara a ter as pessoas se desdobrando para agradá-lo.
Quando entrava numa cidade procurando uma locação pela qual pagaria muito bem, aqueles com quem lidava ficavam sempre ansiosos para assinar na linha pontilhada e pegar seu dinheiro.
Mas não Maura. Fazia dias que ia diariamente à fazenda Donohue para conversar com sua teimosa proprietária e única funcionária.
Enchera Maura de elogios, tentara-a com promessas de montanhas de dinheiro que sabia muito bem que não podia recusar e, de modo geral, fora amistoso demais para qualquer um resistir.
Mas ela resistira.
— Você está no meu caminho.
— Desculpe.

Série Reis da California
1- Pai por Contrato
2- Casamento sob acordo
3- Termos de um Romance
4- Conquistando um Coração
5- Ousadia Revelada
6- Cenas de Paixão