Ela não podia esquecer este homem... Ele não conseguia se livrar do passado!
Um nome falso!
Era isto que Autumn Milski faria para poder rever Saul, o grande amor de sua vida.
Havia o perigo de ele reconhecer a garota que um dia fora, a garota a quem considerava culpada pelo acidente que sofrerá e que o marcara pelo resto da vida.
Mas já havia se passado tanto tempo...
Mesmo assim, valeria a pena correr o risco.
Precisava ter certeza de que o que sentia por ele era apenas uma cega obsessão... e não amor!
Capítulo Um
Autumn sabia que cometera um terrível engano.
Estava correndo um enorme risco, mas não conseguia lembrar uma época em que não sentira amor por Saul.
Era como se ele sempre houvesse feito parte de sua vida, e a necessidade de vê-lo mais uma vez superara o bom senso.
Estava sentada na poltrona de couro, tensa e rígida, como se qualquer movimento pudesse trair seu nervoso e atrair o olhar curioso da mulher sentada atrás da mesa.
Passara os últimos vinte e cinco minutos lamentando o ato de loucura, e já estava pensando na desculpa que daria para partir quando o som do interfone assustou-a.
— O Sr. Cresswell vai recebê-la agora — anunciou a secretária de Gerald Baber.
Combatendo a onda de pânico, Autumn levantou-se, ajeitou os cabelos avermelhados e bateu na porta que a separava do grande momento.
— Entre — ordenou uma voz fria.
Ela obedeceu e deu alguns passos pelo interior do luxuoso escritório, os olhos verdes fixos nas costas do homem parado ao lado da janela.
Conhecia bem a altura imponente, a largura dos ombros e a inclinação arrogante da cabeça.
Também sabia que o poder físico associava-se ao intelecto aguçado, à mente rápida que o tornava duplamente formidável e fazia com que muitos homens tidos por inteligentes parecessem lentos e pouco observadores.
Ele virou-se com uma rapidez que a assustou, acelerando as batidas de seu coração e o ritmo de sua respiração.
Aquele rosto forte, de sobrancelhas negras e boca ampla, também era dolorosamente familiar.
Apenas os óculos escuros eram estranhos e desconhecidos.
Acostumara-se a vê-lo vestido casualmente, com roupas velhas e normalmente manchadas de tinta, mas agora ele usava terno e gravata.
O traje civilizado não ocultava a masculinidade primitiva.
Pelo contrário, era como se a acentuasse.
Enquanto o observava em silêncio, tinha a impressão de que o coração saltaria do peito, as lágrimas quentes brotando de seus olhos e descendo pelo rosto pálido.
Este era o homem que havia enriquecido sua vida, encorajando seus talentos e alargando sua mente.
O que homem que, com sua presença, bordara o tecido simples de sua existência, transformando-o numa tapeçaria de rara beleza.
E também era o homem que a fizera compreender o significado da palavra desespero.
Não, não era verdade. Ela havia destruído tudo com sua estupidez.
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