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domingo, 23 de fevereiro de 2014

Cavaleiro Solitário

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 


O medo de Allie era que Dal partisse sem dizer adeus… 

Seu nome era Dal. Apenas Dal. 

O caubói taciturno e enigmático chegou em busca de trabalho e, para Allie Pearson, a proprietária do rancho, foi uma verdadeira dádiva dos céus. 
Dal não pretendia fixar-se em lugar algum. 
Apenas ajudaria Allie por um tempo antes que descobrissem seu passado. 
E antes que a atração que sentia por aquela mulher adorável o envolvesse por completo. 
Não desejaria enfrentar o olhar de Allie quando soubesse do segredo que guardava… 


Capítulo Um 

O caubói vinha do Oeste. 
Os últimos raios de sol queimavam suas costas, forçando Allie Pearson a proteger os olhos com a mão para vê-lo. 
O homem moreno, de cabelos escuros, montado num cavalo majestoso, parecia não ter pressa para chegar até o portão de entrada do pequeno Texas Panhandle Ranch.
Allie esperava com paciência. Não o conhecia, nunca o vira antes. 
Poderia ser um vendedor, um viajante perdido buscando informações ou até mesmo um ladrão de gado. Não. 
Era um peão. Allie reconhecia pela postura. E vinha em busca de emprego. 
A intuição feminina lhe assegurava que o homem montado na sela, com tanta elegância, representava a solução para todos os seus problemas.
 Mesmo à distância, Allie já notava os ombros largos, as mãos grandes segurando as rédeas e as pernas musculosas do desconhecido. 
Não importava que se tratava de um homem bonito, com o rosto bronzeado, anguloso e olhos verdes. O que realmente contava era que tinha diante de si um homem alto e forte, portanto, capaz de lidar não só com o trabalho do rancho como também do gado. 
Observando-o com atenção, notou o chapéu Stetson, surrado pelos inúmeros invernos e verões que, provavelmente, já enfrentara e os jeans desbotados. 
— Senhora. — O homem parou junto ao portão tocando a aba do chapéu com a mão. 
— Procura trabalho? 
— Sim. — Olhou ao redor e Allie sentiu-se humilhada ao perceber que o desconhecido examinava o estado precário do rancho. 
— Não posso pagar muito — antecipou. 
— Porém, ofereço as refeições e o alojamento. Preciso de alguém disposto a trabalhar, pois há muito serviço aqui.
Avaliou-a por inteiro, de um modo que a perturbou. Sabia que sua aparência não era das melhores. 
Velhas calças jeans, camiseta, os longos cabelos louros trançados. 
Encarou-o com ar autoritário. Outrora, levara uma vida despreocupada e, embora continuasse uma mulher alegre e sempre bem-humorada, não podia mais se dar ao luxo de fugir das responsabilidades. 
— Coloque seu cavalo na cocheira. Há água, feno e capim. Depois, venha até a cozinha, que o jantar está quase pronto. — Sem despedir-se, entrou em casa. 
— Senhora? 
— Sim? — Voltou-se, tocando a fivela de prata do cinto, o único objeto de real valor que lhe restara. 
— Meu nome é Dal. 
— Dal…? 
— Somente Dal. E o seu? 
— Allie Pearson. Vou preparar o jantar. — Apressada, entrou e o som dos saltos das botas ecoaram no assoalho da casa.