Uma canção de amor.
Mercy não esperava perder o controle logo após sua chegada ao México, especialmente numa missão beneficente.
Mas sua irritação com o incessante ruído que perturba as apresentações do coral não é nada em comparação ao confronto com o arrogante... e incrivelmente charmoso... gerente da cantina!
Hunter Wilson é um homem que sabe o que quer, e que sempre consegue o que deseja! Até defrontar-se com a petulante e encantadora...
Mercy Spencer, que irrompe cantina adentro, reclamando do barulho... Como desarmar uma mulher tão determinada, que o encara com olhos mais azuis que um céu de primavera?
Não será fácil, mas Hunter não é homem de fugir de desafios... e se tudo der certo, aquela adorável jovem de voz melodiosa entoará apaixonadas canções de amor... antes do próximo confronto!
Capítulo Um
Pequenas gotas de suor escorriam por entre os seios de Mercy, e a alça de elástico do sutiã aderia à pele, deixando-a desconfortável. Ela removeu um lenço de papel do bolso do jeans e enxugou as poucas gotas de suor que porejavam sob o lábio superior.
O que a teria persuadido a ir para aquele lugar desolado, mesmo que por apenas uma semana? Ah, sim fora culpa do dr. Nelson, sua consciência a lembrou.
Bem, no próximo ano, o dr. Nelson poderia implorar até que seus pequenos olhos saltassem da órbita e o bigode grisalho subisse pelo rosto e tentasse cobrir-lhe a cabeça calva.
Ela jamais desperdiçaria uma semana de suas férias naquele lugar novamente. Se não tivesse um coração tão mole, não estaria ali, para início de conversa. Estaria em algum lugar agradável, num bom hotel com ar-condicionado, lendo um livro bem grosso e pensando no filé grande e suculento que iria saborear na hora do jantar. Porém, em seu íntimo sabia que as coisas nunca aconteciam bem assim.
Afinal, tudo que o dr. Nelson tivera de fazer para convencê-la a tomar parte naquela aventura fora lhe contar sobre pobres criancinhas com problemas dentários, e lá estava ela, no meio do fim do mundo, numa cidadezinha rural mexicana, cujo nome não sabia sequer pronunciar.
Jenny, a amiga que dividia a casa com ela, achava que eram férias fenomenais. Este era o terceiro ano que ela e o namorado, Kyle, passavam naquele lugar inóspito. E tinha sido Jenny quem encorajara o dr. Nelson quando ele insistira em levar Mercy consigo para fazer o que fazia durante o ano inteiro, ou seja, trabalhar como sua assistente.
E claro, Kyle estava matriculado num seminário e pretendia ser missionário, então ele e Jenny seriam os salvadores do mundo. Bem, eles poderiam salvar o mundo se quisessem, mas bem que poderiam tirar seu nome do alto da lista daqueles dispostos a segui-los. Porque, depois do terceiro dia ajudando a obturar dentes que tinham buracos grandes o suficiente para guardar um tanque do exército, ela estava pronta para voltar à sua casa.
E, naquela noite específica, Mercy deveria conduzir o coral da igreja, e se sentia extremamente esgotada. Tudo o que queria era tirar toda a roupa, deitar-se na cama e rezar para que uma brisa, por mais leve que fosse, entrasse pela janela do quarto. A última coisa que desejava era reger um coral de garotos cantando hinos religiosos.
— Por que está tão aborrecida? — perguntou Jenny, olhando para a amiga que era muito mais alta do que ela.
— Estou com calor. Aliás, minha pele está pegajosa de tanto calor. Estou suando e não gosto de suar. Neste momento, não quero cantar. Apenas quero sentir frio e não quero cheirar a poeira. Gostaria de afundar numa banheira de espumas e beber tanta água gelada que não me importaria de ficar doente — declarou Mercy.

