
Dever público e escândalo privado.
As notícias de que a rebelde socialite Verônica St. Germaine resolveu mudar sua conduta e seguir os passos do pai como governante de um principado no Mediterrâneo criou um frenesi nos tabloides mais sensacionalistas!
Mas não são só os paparazzi que estão ameaçando a segurança de Verônica...
Uma importante regra exige que ela seja protegida por Rajesh Vala.
O problema é que Verônica jamais aceitou ordens...
Capítulo Um
Londres, fim de novembro. A Presidente de Aliz estava escondida no toalete das mulheres. Verônica St. Germaine levantou a cabeça e franziu a testa diante de seu reflexo no espelho.
Sabia que deveria sair dali, mas estava cansada de sorrir, de cumprimentos, de conversas e sentindo-se desesperada e assoberbada com tudo, totalmente fora de seu normal.
Mesmo assim, sabia que tinha um trabalho a fazer por seu país, Aliz. Seu povo precisava dela, e não os decepcionaria.
Eles haviam lhe confiado à prosperidade da terra, e ela não voltaria de mãos abanando.
Nem podia.
Logo retornaria ao salão do hotel com um sorriso grudado no rosto, mas precisava recuperar a calma.
Não saberia dizer o que tinha provocado àquela necessidade premente de fugir.
Talvez a multidão de rostos curiosos, os olhares sugestivos ou até mesmo saber que estava rodeada por alguns homens de smoking preto, que seguiriam seus passos como cachorrinhos pelos próximos dois anos de sua vida.
De tudo, era isso o que mais detestava: a perda da autonomia.
Na verdade, aquilo a remetia a associações nada agradáveis, que preferia esquecer. Até atingir os 18 anos, sua vida fora tão regulada que nem sequer fizera amigos.
Verônica respirou fundo e tirou o batom da bolsa. Mais um instante e teria de voltar para a festa.
Já fazia duas semanas que estava viajando, tentando angariar investimentos para seu país.
E não era uma tarefa fácil.
Aliz era um lugar lindo, com uma costa cheia de praias incríveis e uma brisa agradável, mas também era um país pobre depois de tantos anos sendo mal governado.
Os investidores queriam garantias de que seus esforços não seriam em vão.
Tinha de convencê-los de que Aliz era uma aposta boa.
E vinha sendo muito mais difícil do que previra. Verônica não se sentia preparada para aquele trabalho. Havia recusado a presidência, mas Paul Durant, um amigo antigo de seu pai, a tinha convencido de que ela era a pessoa certa para reverter à situação do país.
Em um primeiro momento, Verônica riu. Afinal, quem era ela para se tornar presidente de uma nação?
Era famosa em Aliz, mas uma desconhecida para o resto do mundo.
Havia uma grande diferença, mas Paul não lhe dera ouvidos.
Tinha falado com tanta paixão e convicção que acabara por convencê-la de que era a pessoa certa para o cargo. Sua notoriedade era um ativo no cenário público.
Lembrou-se daquilo ao mesmo tempo em que recordou que fizera muita coisa errada na vida, mas agora daria o melhor de si.
Aliz precisava de sua ajuda, e ela já não era mais a mesma pessoa que tinha saído da casa do pai havia 10 anos.
Na época, era cabeça-dura, egoísta e um tanto ingênua.
Almejava aventuras, e ansiava cometer todos os excessos assim que escapasse do controle do pai.
E o inevitável aconteceu: tornou-se uma menina malvada, uma diva, uma debutante mimada.
Alguns até a chamariam de devassa, mas a verdade era que Verônica se permitia a liberdade de arrumar quantos amantes quisesse.
Sentiu uma pontada no coração ao lembrar que seu último relacionamento não terminara tão bem.
No entanto, não tinha sido ele a causar a dor que ameaçava consumi-la naquele momento.
Se parasse de lutar por um segundo que fosse, a dor tomaria conta de tudo.
Lembrava-se bem de que a culpa de tudo tinha sido dela.
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