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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Castelo De Areia

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

Seu coração sabia que um dia ele voltaria... 

Para Bridget, a vida na pequena cidade da Califórnia se resume a cuidar de sua loja de souvenirs e do píer com embarcadouro, que é a atração turística da cidade. 
Ali, de pé, olhando o mar, os cabelos revoltos pelo vento, ela pensa em Mike, o homem que amava e que partira, jurando voltar. 
Bridget sabia que a vida longe daquele lugar tinha muito mais atrativos e era quase impossível que um amor de infância permanecesse intato pela vida toda. 
Ela sabia que como companhia só teria o mar, a areia e as lembranças do passado. 
No entanto, um revés do destino iria mudar a vida de Bridget completamente. 
E Mike estava prestes a desembarcar no píer. 
Seria dessa vez para sempre? 

Capítulo Um 

 Eu vejo aqui um homem saindo das névoas do tempo... para dentro de seu futuro... um futuro próximo... 
— A cartomante mantinha os olhos semicerrados, sonhadores, olhando para as carreiras de cartas espalhadas sobre a toalha de cetim vermelho a sua frente. 
As grandes argolas de ouro penduradas nas orelhas brilhavam na luz bruxuleante de uma vela quando ela movimentava, com graça, as mãos sobre a carta a sua direita, um cavaleiro montado num cavalo negro, brandindo sua espada acima da cabeça. 
Bridget 0'Dwyer gargalhou, colocando os cotovelos sobre o tampo e inalando o ativo perfume de sândalo do incenso que saía em espirais do queimador ali a seu lado. 
— Não acredito no que está me dizendo, Joleen. Suponho que a próxima coisa que me dirá é que ele é alto, moreno, sexy e bonito. 
Uma sobrancelha muito bem delineada arqueou-se, e a cartomante, indignada, encarou Bridget. 
— Na realidade, sita. Sabichona, ele é alto, sexy e bonito. 
— E não é moreno? 
— Não acha que três qualidades em quatro já é bom demais? E, por favor, chame-me de madame Joleen quando estou lendo a sorte para você. 
— Oh, certo... Desculpe-me, madame Joleen. 
Sorrindo, Bridget encostou-se nas almofadas de cetim e veludo e sentiu um forte de cansaço dominá-la. Fora um dia extenuante. 
O sorriso esmaeceu de seu rosto bonito para ser substituído por um olhar de preocupação. 
Passando as mãos pelos embaraçados cachos loiros, percebeu que não tivera tempo de escová-los. 
Sua velha camiseta estava manchada de tinta, assim como os braços e as costas das mãos.
Não conseguia recordar a última vez em que fez as unhas. 
— Por favor, Jô, ponha as cartas mais uma vez para mim. As pupilas da mulher idosa brilharam com afeição e bondosa compreensão. 
— Por quê? — indagou, num tom que sugeria que já sabia a resposta. 
— Quero saber se Mike vai ficar bom. Joleen suspirou, meneando a cabeça. 
— Não acho que seja uma boa idéia perguntar isso ao taro neste momento. 
Bridget estudou o semblante da amiga, tentando entender que sabedoria existia atrás daquela enigmática expressão. 
— Por quê? Você sabe algo que eu não sei?
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