Flint Tancer lhe daria uma noite de amor.
Mas depois a deixaria de braços vazios.
A voz acariciante de Flint Tancer repetia, sussurrava ao ouvido de Lia um pedido que a excitava, tentava como um fruto proibido.
“Quero fazer amor com você, possuir seu lindo corpo uma vez, antes de ir embora.”
Uma vez, antes de ir embora!
A realidade atingiu Lia como um raio.
Tudo o que Flint queria era uma noite de programa, após divertir-se no cassino do lago!
Ah, como fora tola em imaginar a possibilidade de um romance belo e duradouro!
Jogadores inveterados como Flint Tancer nunca se entregavam muito tempo a uma mesma mulher!
Capítulo Um
Cinco dias por semana, Lia Andrews trabalhava como crupiê de vinte-e-um num dos enfumaçados cassinos que existem na praia sul do lago Tahoe.
Não é de admirar, portanto, que Sapphire Point, com sua beleza e quietude, tenha lhe parecido um pedacinho do paraíso naquela manhã.
Deitada sobre uma toalha alegremente colorida, aberta sobre a areia muito branca, ela aproveitava os primeiros raios de sol.
Não havia ninguém à vista, a não ser um homem que saíra de um grupo de árvores localizado no outro extremo da praia e que agora vinha em sua direção, correndo pela areia molhada, bem junto à água.
Por entre as pálpebras semicerradas, Lia observou-o um momento, antes de voltar à atenção para as águas brilhantes do lago Tahoe e o magnífico cenário que tinha diante de si.
O local em que estava pertencia ao Estado de Nevada, e do outro lado, meio encoberta pela névoa matutina, podia se ver a praia pertencente ao Estado da Califórnia. Montanhas azuladas erguiam-se num vasto semicírculo em torno do lago, traçando com seus picos e encostas um desenho belo e rústico sobre o céu claro.
Apesar de seus sentimentos ambivalentes pelo lugar em que trabalhava, ela estava lá de livre e espontânea vontade. Se não fosse crupiê num cassino do lago, seria crupiê em outro lugar qualquer, tal como Reno ou Las Vegas, o que seria até pior, pois não teria um refúgio como Sapphire Point.
Uma brisa repentina, vinda do lago, levantou uma camada de areia, jogando-a sobre o rosto de Lia. Piscando e balançando a cabeça de cabelos cacheados, curtos e de um castanho-aloirado, ela se sentou.
Mal o sol começara a esquentar, já era hora de voltar para a escrivaninha e dedicar-se ao trabalho que era seu real motivo de estar ali.
“Posso perder as esperanças de conseguir um lindo bronzeado”, pensou, examinando os braços e as pernas com desgosto.
Embora estivesse a uma enorme distância, o sol podia ser traiçoeiro, mas não nas primeiras horas da manhã, que era quando Lia se permitia ir à praia.
Depois de dois meses, sua pele mal tinha um leve bronzeado, pois a cor que adquiria em seus dias de folga logo desaparecia sob a luz artificial do cassino.