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segunda-feira, 31 de março de 2014

O Vento das Estepes

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 




Cavalgando, numa louca corrida, com o vento das estepes beijando-lhe os cabelos, Holly olhou, com medo e ansiedade, para o belo homem ao seu lado, montado num fogoso garanhão árabe. 

Arif Hakal, vestido à moda turca, parecia um rei do Império Bizantino!
Como num sonho, Holly chegou a um oásis paradisíaco e entrou com Arif na tenda das paixões, no deserto de Riadja... 

Capítulo Um


Holly tocou os flancos da égua com as esporas. As orelhas de Lady Mandarin estremeceram ao sutil comando e ela disparou, os cascos batendo surdamente no gramado.
Holly manejava habilidosamente as rédeas com as mãos enluvadas, prestando atenção apenas no desempenho da égua, sem reparar que em pouco tempo as altas paredes de pedra cinzentas do castelo nada mais eram do que uma mancha ao longe. 
Depois de cinco minutos de desenfreada corrida, os cabelos loiros tinham escapado do prático boné que os prendia e misturaram-se com a crina da égua quando Holly inclinou-se para murmurar: 
— Muito bem! Se correr assim, amanhã, nós vamos ganhar! 
Voltaram sobre os próprios passos, mais devagar, ao longo do campinho poeirento que separava os bonitos canteiros do Castelo Malmaison, de Paris, da pista gramada onde ia se realizar a corrida no dia seguinte.
Holly puxou as rédeas, com delicadeza, quando iam se aproximando das centenárias estrebarias de pedra e madeira da morada de Napoleão e de sua imperatriz, Josefina. 
O modo mais descontraído de cavalgar de Holly não deu certo; quando estavam chegando na quina da construção a égua, de repente, empinou, relinchando, quase jogando a moça fora da sela. 
Manejando as rédeas com energia, acabando por dominar o nervoso animal, Holly pôde procurar a causa da irritação da égua. 
Seus olhos encontraram o olhar divertido do homem que cavalgava tranqüilamente um garanhão negro, apesar da agitação do animal diante da égua. Estremecendo nervosamente, a égua ficou imóvel, olhos fixos no garanhão, que erguia a cabeça, como que orgulhoso de seu domínio. 
Holly admirou os músculos fortes do cavalo, o peito amplo e ancas altas. Seus olhos continuaram subindo e teve impressão de que o cavalo era parte do cavaleiro de olhar malicioso. 
Diante do olhar inquisidor dela, o cavaleiro soltou um pouco as rédeas e o garanhão movimentou-se para a frente. Imediatamente o homem puxou as rédeas, contendo o cavalo. 
Mas Lady Mandarin, num gesto de excitação pela proximidade do macho, afastou-se e tropeçou na baixa grade de madeira do canteiro. 
Preocupada com o fato de a égua poder se machucar, Holly olhou zangada para o cavaleiro e disse, no seu francês limitadíssimo: 
— Não devia montar esse cavalo, monsieur, se não tem capacidade para controlá-lo.


quinta-feira, 19 de maio de 2011

Dança, Amor E Lágrimas

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Paris, Amsterdã, Munique, Florença... teatros reluzentes, música, aplausos: o universo maravilhoso do balé.

Um mundo encantado do qual Raine foi arrancada à força, em pleno palco!

Um acidente, hospital, longos meses de desespero.
Após tanto tempo, Raine tinha medo de dançar, achava que nunca mais conseguiria.
Mas Brandon du Rivage não pensava assim. Seus olhos azuis, penetrantes, infundiam coragem.
De suas mãos emanava uma força magnética.
Raine vibrava com ele, porém tinha que refrear o coração: Brandon queria uma bailarina, não uma mulher apaixonada...

Capítulo Um

A mão de Raine Cameron pousou suavemente na barra, enquanto ela dobrava os joelhos e seus músculos contraíam-se para fazer o demi-plié do balé clássico.
A dor também estava presente naquele ato.
Era uma dor aguda, que atingia o longo osso da perna esquerda até o joelho flexionado da bailarina.
Porém, ela estava acostumada. Aquela dor era sua companheira constante desde o acidente, embora sua intensidade já estivesse dissipando-se através dos longos meses de recuperação.
Raine forçou-se a ignorar as pontadas e continuou sua série de exercícios ao longo da barra de madeira.
De vez em quando, abaixava-se para massagear seus músculos doloridos.
Debaixo das meias de aquecimento, sua perna estava bonita e bem torneada, como sempre fora. Não havia sinais de ferimento.
Havia somente a maldita falta de firmeza de seu membro, que, física ou psiquicamente, fazia-a temer a entrega aos prazeres sem limites da dança.
O medo e a dor pareciam estar cravados em sua mente, mas, de novo, ela disciplinou-se para ignorá-los.
Um pouco depois, ao fazer uma pausa para enxugar o suor de seu rosto com uma toalha, Raine tomou consciência do sol brilhante que entrava em cheio pela longa janela do século XVIII do estúdio.
Por causa de sua intensa concentração, quase havia se esquecido de onde estava. Porém, a luz intensa do sol que brilhava naquele telhado alto lembrou-a de que se encontrava em Paris, a muitos e muitos quilômetros de Nova York, e, havia um ano, distante da Companhia de Balé Kingsley e da terrível queda que tinha ameaçado colocar um fim prematuro em sua carreira artística.
Embora tivesse fechado os olhos para afastar a lembrança tão sofrida, ela voltou com força total à sua mente.
Raine recordou-se do arriscado dueto que John Kingsley havia coreografado para o espetáculo de dança Winter Morn e do momento em que seu parceiro a levantara bruscamente.
O movimento fora criado especialmente para sugerir um vôo sem limites, mas algo havia saído completamente errado.
O resultado do erro fora Raine caída no chão, com o joelho quebrado e a perna torcida. Ela acabara desmaiando de dor...
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