Ele apareceu na porta de Laura sem ser convidado, dizendo ser o irmão de seu falecido marido.
Embora jamais houvesse conhecido Enzo Rossi, algo nele era inquietantemente familiar, e não se tratava apenas de semelhança de traços.
Quando Enzo a beijou, suas pernas fraquejaram.
Quando pediu que o acompanhasse à Itália e levasse seu filho para ser apresentado à família Rossi, não teve forças para recusar.
E quando a pediu em casamento, ela disse simplesmente sim.
Capítulo Um
A tontura, o zumbido nos ouvidos, o panorama de luzes e cores que havia distorcido sua visão certamente não fora provocado pelo retrato de um nobre italiano do século dezesseis, mas pelo remédio que tomara para combater um resfriado de inverno e pela refeição pobre que ingerira naquela manhã. Ou não?
Laura Rossi, viúva, trinta e três anos de idade, estava novamente sentada no banco no Instituto de Arte Regenstein Hall de Chicago com o propósito de descobrir a resposta.
Laura Rossi, viúva, trinta e três anos de idade, estava novamente sentada no banco no Instituto de Arte Regenstein Hall de Chicago com o propósito de descobrir a resposta.
E no entanto, ao olhar mais uma vez para os olhos escuros e sombrios do nobre, o bloco de desenhos esquecido no colo, teve certeza de que o sentimento de inquietação devia-se mais à obsessão do que à curiosidade.
A pintura fazia parte de uma exposição itinerante de trabalhos renascentistas celebrada mundialmente.
A pintura fazia parte de uma exposição itinerante de trabalhos renascentistas celebrada mundialmente.
Laura conhecera as obras uma semana antes, quando fora ao museu em busca de idéias para a coleção de inverno da Rossi Originais.
Desde então, voltara três vezes a fim de fazer desenhos adicionais. Pelo menos fora o que havia dito a Carol Merchant, sua amiga e sócia na promissora firma de desenhos de moda que fundara após a morte do marido.
Na verdade, havia sido incapaz de evitar as novas visitas, motivada pelo intenso desejo de rever o retrato do nobre italiano, um homem de olhar intenso, por volta dos quarenta anos de idade, que usava um casaco de veludo negro, um jabô de renda branca sobre o peito e ostentava um elegante par de luvas de couro nas mãos fortes, embora graciosas.
Na verdade, havia sido incapaz de evitar as novas visitas, motivada pelo intenso desejo de rever o retrato do nobre italiano, um homem de olhar intenso, por volta dos quarenta anos de idade, que usava um casaco de veludo negro, um jabô de renda branca sobre o peito e ostentava um elegante par de luvas de couro nas mãos fortes, embora graciosas.
Tratava-se de um sujeito anônimo. De acordo com o cartão de identificação, a obra fora executada por um mestre pouco conhecido em 1520, séculos antes de seu nascimento.
E, no entanto, era como se o conhecesse bem, como se sempre soubesse de sua existência.
Reconhecimento genuíno era obviamente impossível, já que muitos séculos os separavam.
Reconhecimento genuíno era obviamente impossível, já que muitos séculos os separavam.
O único laço que podia imaginar era o fato do marido falecido, o automobilista Guy Rossi, ter sido originário da mesma área da Itália onde o retrato fora pintado.

