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quarta-feira, 24 de julho de 2013

Case Comigo Outra Vez

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 








Ele apareceu na porta de Laura sem ser convidado, dizendo ser o irmão de seu falecido marido.

Embora jamais houvesse conhecido Enzo Rossi, algo nele era inquietantemente familiar, e não se tratava apenas de semelhança de traços.
Quando Enzo a beijou, suas pernas fraquejaram.
Quando pediu que o acompanhasse à Itália e levasse seu filho para ser apresentado à família Rossi, não teve forças para recusar.
E quando a pediu em casamento, ela disse simplesmente sim.

Capítulo Um

Aconteceria novamente? Ou a experiência que tanto a perturbara e abalara na tarde anterior havia sido apenas produto de sua imaginação? 
A tontura, o zumbido nos ouvidos, o panorama de luzes e cores que havia distorcido sua visão certamente não fora provocado pelo retrato de um nobre italiano do século dezesseis, mas pelo remédio que tomara para combater um resfriado de inverno e pela refeição pobre que ingerira naquela manhã. Ou não?
Laura Rossi, viúva, trinta e três anos de idade, estava novamente sentada no banco no Instituto de Arte Regenstein Hall de Chicago com o propósito de descobrir a resposta.
E no entanto, ao olhar mais uma vez para os olhos escuros e sombrios do nobre, o bloco de desenhos esquecido no colo, teve certeza de que o sentimento de inquietação devia-se mais à obsessão do que à curiosidade.
A pintura fazia parte de uma exposição itinerante de trabalhos renascentistas celebrada mundialmente. 
Laura conhecera as obras uma semana antes, quando fora ao museu em busca de idéias para a coleção de inverno da Rossi Originais. 
Desde então, voltara três vezes a fim de fazer desenhos adicionais. Pelo menos fora o que havia dito a Carol Merchant, sua amiga e sócia na promissora firma de desenhos de moda que fundara após a morte do marido.
Na verdade, havia sido incapaz de evitar as novas visitas, motivada pelo intenso desejo de rever o retrato do nobre italiano, um homem de olhar intenso, por volta dos quarenta anos de idade, que usava um casaco de veludo negro, um jabô de renda branca sobre o peito e ostentava um elegante par de luvas de couro nas mãos fortes, embora graciosas. 
Tratava-se de um sujeito anônimo. De acordo com o cartão de identificação, a obra fora executada por um mestre pouco conhecido em 1520, séculos antes de seu nascimento. 
E, no entanto, era como se o conhecesse bem, como se sempre soubesse de sua existência.
Reconhecimento genuíno era obviamente impossível, já que muitos séculos os separavam. 
O único laço que podia imaginar era o fato do marido falecido, o automobilista Guy Rossi, ter sido originário da mesma área da Itália onde o retrato fora pintado. 
E mesmo assim, era um laço tênue e hipotético.