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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Casamento no Alasca

ROMANCE CONTEMPORÂNEO




Sara Eller viajara até o Alasca com o objetivo de buscar a irmã, que fugira de casa para casar-se com Robert Shepard, um completo desconhecido.

Contudo, ao chegar, Sara descobrira duas coisas: Robert, misterioso e desiludido, não queria noiva nenhuma. E a irmã nem sequer estava ali.
Ao fitar esse homem sensual e atraente, Sara sentiu ter encontrado o amor de sua vida. 
E, apesar de saber que não tinha a mínima chance de conquistá-lo, decidiu arriscar tudo numa única cartada e tornar-se sua mulher!

Capítulo Um

O homem que causara tanta angústia a Sara encontrava-se a menos de cem metros a sua frente. De ombros largos, usando um suéter verde-musgo, estava de pé na beirada do penhasco, olhando o mar. Para ela foi uma provação ver aquele... aquele aproveitador de crianças numa atitude tão displicente. Que tipo de homem seria, capaz de iludir uma menina de dezesseis anos, induzindo-a a ser sua noiva por correspondência?
Sara jurou que ficaria calma, quando se defrontasse com o canalha que ajudara sua irmãzinha a fugir de casa. Mas, depois de uma semana de desespero, ia ser muito difícil manter a frieza. Claro, estava furiosa com Lynn por fugir. A mocinha era mais sua filha que irmã, porque Sara praticamente a criara. Mas esperava que ela, inocente no que dizia respeito aos homens e suas maldades, estivesse em segurança. Quando tornasse a ver a irmã sabia que sua primeira reação seria abraçá-la com toda a força que tivesse, mas em seguida torceria aquele pescocinho sardento!
Os receios de Sara haviam diminuído na última etapa da viagem do Kansas até a ilha remota no mar de Bering. O piloto que a levara da ilha de São Paulo até aquele ponto minúsculo no oceano, ouvira falar do tal de Ransom Shepard, que ela considerava um sedutor de meninas. Sara sabia que estava prejulgando o homem, mas o que mais poderia fazer, aflita e cansada como estava? Até já criara uma imagem nada lisonjeira dele: um velhote de óculos bifocais e pernas tortas.
Mas, para ser justa, o velho piloto mascador de fumo dissera que Ransom Shepard era observador de pássaros e uma pessoa tranquila. Mas que tipo de homem, ela tornou a pensar, arranjaria uma noiva por correspondência?
Depois de desembarcar do avião, pedira a um habitante que lhe explicasse como chegar à casa de Ransom Shepard. Para seu espanto, ficara sabendo que ele era dono de toda a península. E ficara mais espantada ainda ao ver o homem musculoso, de suéter e jeans, à beira do penhasco. Não era, de modo algum, o velhote de óculos e pernas tortas que ela imaginara!
Devia ter mais de um metro e oitenta de altura, era atlético e as pernas modeladas pelo jeans apertado pareciam bastante fortes e retas. Agarrando a alça da mala com desespero, Sara sentiu a apreensão aumentar. Pelo que via de Ransom Shepard, ele era do tipo que só fazia o que queria, sem medir consequências.
Quando aproximou-se do estranho que tirara vantagem da inocência de sua irmã, Sara lutava para controlar-se, entre o desejo de avançar para o monstro com unhas e dentes e o receio de descobrir o que poderia ter acontecido com Lynn. O povo dizia que as ruivas tinham gênio apimentado, mas Sara orgulhava-se da capacidade de manter a calma, quando necessário. Portanto, tratou de segurar a raiva e o medo, repetindo mentalmente que precisava dar ao homem a chance de se explicar.
Presa em seu tumulto íntimo, ela mal percebia o cheiro de sal do ar, ou a sinfonia alegre dos pássaros nas árvores. Também não olhou duas vezes para a areia escura da praia lá embaixo, onde focas se arrastavam preguiçosamente.
O estranho não a ouviu aproximar-se, talvez por causa do marulho das ondas e do canto dos passarinhos. Mas quando ela estava a cerca de dois metros, ele pressentiu sua presença e virou-se para olhá-la. Mechas escuras caíam-lhe na testa larga e os olhos profundos, que pareciam cinzentos, revelavam aborrecimento ou preocupação. O nariz era reto e aristocrático, mas foi a boca que chamou a atenção de Sara. Os lábios, nem finos, nem muito grossos, eram másculos e firmes. Uma boca perfeita, feita para beijar. Ela encolheu-se involuntariamente, ao pensar na reação de sua impressionável irmã, diante de um homem tão bonito.
Suas emoções haviam se debatido entre o terror mais profundo e a raiva assassina, quando ela descobrira para onde Lynn fora: ao encontro de um noivo desconhecido nos confins do Alasca. Gastara até o último centavo que economizara para chegar àquele fim de mundo. O que mais lamentava era que o dinheiro fora reservado para a educação da irmã, que queria ser enfermeira.
Continuando a observar o homem, imaginou por que motivo, sendo tão incrivelmente lindo, precisara procurar uma noiva através de uma agência de casamentos. Percebendo que o encarava, sem nada dizer, sentiu-se corar.
— Você é Ransom Shepard — declarou, como se fizesse uma acusação.