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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Calor da Proteção

ROMANCE CONTEMPORÂNEO





Sete dias longe da coroa!

A princesa Layla de Ishla sempre sonhou em ser livre. Ter uma semana inteira para realizar seus desejos proibidos era um luxo. Um jantar romântico, dançar a noite toda e beijar um belo homem... Entretanto, ela deveria respeitar apenas uma regra: permanecer pura para o futuro marido. Ao chegar à Austrália, ela busca a única pessoa que pode ajudá-la a conseguir o que quer. 

Mikael Romanov é reverenciado e temido, porém, a bela e inocente Layla consegue derrubar facilmente sua fachada dura e tocar seu coração. Mikael jurou mantê-la a salvo, mas conseguiria protegê-la de si mesmo?

Capítulo Um

— Princesa Layla, você está animada para ser...?
Layla esperou pacientemente enquanto a menina na tela do computador gaguejava escolhendo as palavras. Pelo vídeo, Layla participava das aulas das meninas e dos jovens de Ishla. Cada aula levava em média uma hora e, graças ao árduo trabalho, Layla conseguia participar de uma aula por mês. Nesta especificamente, encorajava as crianças a conversarem em inglês e a se dedicarem aos trabalhos de casa. Sua contribuição provava ser um enorme sucesso.
— Princesa Layla — tentou a menina de novo. — Está animada para ir com o príncipe Zahid e a princesa Trinity à viagem de lua de mel do casal para a Austrália?
Ao ouvir a palavra “lua de mel”, a turma começou a dar risinhos nervosos. Layla fez o possível para conter o próprio riso. A turma consistia em meninas de 10 anos, todas animadíssimas em conversar sobre casamentos e, sobretudo, a respeito do casamento do príncipe Zahid com uma inglesa, Trinity.
E de luas de mel então, nem se fala!
— Muito bem — disse Layla à menina quando as risadas cessaram. — Você falou direitinho... Sim, estou muito animada em acompanhar meu irmão e a mulher a Sidney, Austrália. Sabia que esta é minha última aula antes de eu embarcar no avião real hoje à noite?
O casamento de Zahid e Trinity tinha sido lindo e toda a população de Ishla participara das comemorações. É verdade que o anúncio da gravidez de Trinity havia causado comoção. De acordo com as regras estabelecidas, Layla responderia a qualquer pergunta, desde que feitas de modo educado e correto. Algumas delas, entretanto, sobre a gravidez de Trinity, tinham sido muito estranhas, e não apenas por se tratar de um assunto delicado. O fato é que Layla simplesmente não sabia as respostas, o que a levara à compreensão do quanto era ingênua.
Layla ansiava por conhecimento.
Há muito sonhava com o mundo fora dos muros do palácio.
Antes mesmo de Zahid escolher a noiva, ele tinha concordado em levar Layla em sua lua de mel. Como futuro rei, Zahid não podia se ocupar da esposa o dia inteiro, e, é claro, imaginaram que ela precisaria de companhia.
Porém, os dois estavam tão apaixonados, talvez preferissem viajar sozinhos, mas Layla não abriria mão de sua primeira viagem para fora de Ishla.
Contudo, a culpa a consumia.
Não por se julgar uma imposição ao casal apaixonado. Na verdade, a culpa tinha a ver com o que planejava, em segredo, realizar ao chegar à Austrália.
— Princesa Layla, está com medo? — perguntou outra menina.
— Um pouco — respondeu, o que não deixava de ser verdade. — Afinal, nunca saí de Ishla e não sei o que me espera, mas ao mesmo tempo estou animadíssima. Vai ser uma grande aventura e há tempo venho sonhando com essa viagem.
— Princesa Layla...
Todas as mãos estavam erguidas. As alunas a adoravam. Preparavam seus deveres de casa, cumpriam todas as regras apenas para ter a chance de falar com a princesa de seu reino todo mês. Embora ainda houvesse uma lista de perguntas, o pai de Layla, o rei Fahid, queria conversar com ela antes da viagem, e assim ela encerrou a aula.
— Agora — comunicou Layla às alunas -, não resta mais tempo para perguntas. Chegou a hora de me desejarem boa viagem.
Ela sorriu ao ouvir as vozes obedientes.
— Vai sentir nossa falta? — perguntaram.
Layla ergueu dois dedos mostrando uma pequena distância entre eles. — Um tantinho assim. — Uma vez iniciados os protestos, Layla abriu os braços ao máximo. — Talvez esse tantão! Todas sabem que vou sentir falta de vocês daqui até a lua.
Sim, sentiria muita saudade delas, pensou deitada na cama de barriga para baixo, checando e rechecando os detalhes no computador pela última vez.
Seu pai deixaria que ela voltasse a dar aulas depois que...?
Layla interrompeu os pensamentos; não se permitiria pensar nisso agora. Independentemente das consequências de seus atos, arcaria com a responsabilidade.
Uma semana de liberdade valeria qualquer punição imposta pelo pai.
Layla morria de medo de tomar um táxi sozinha na Austrália, mas vira uns vídeos no computador repetidas vezes e tinha certeza de que obteria êxito.
Como adorava seu computador!