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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Série Os Irmãos Castelli

1- Sentimentos Mascarados
ROMANCE CONTEMPORÂNEO



Uma nova chance?

Após um acidente de carro, Lily Holloway foi embora e deixou para trás a paixão proibida que viveu com Rafael Castelli. 
Cinco anos depois, quando seus caminhos se cruzam novamente, ela fica desesperada para manter sua liberdade e finge sofrer de amnésia, negando ter qualquer lembrança de Rafael. 
Contudo, essa mentira é rapidamente consumida pelo intenso desejo que sentem. 
Agora que se reencontraram, Lily sabe que é apenas questão de tempo para que Rafael descubra o seu maior segredo: o filho que tiveram.

2- Sentimentos Ocultos





Anjo ou pecadora?

O magnata Luca Castelli acha que sabe tudo sobre a viúva de seu pai, Katheryn. E não se deixará enganar pelos elogios dos tabloides. 
Para ele, essa jovem estonteante não é nenhuma santa! 
E quando uma cláusula do testamento o obriga a se tornar chefe de Katheryn, Luca decide testar seus limites. 
Contudo, ela se mostra à altura do desafio, fazendo com que a mistura entre o ódio e o desejo que sentem um pelo outro fique ainda mais perigosa. Até Luca descobrir que a inocência de Katheryn é bem maior do que ele imaginara...

Série Os Irmãos Castelli
1- Sentimentos Mascarados
2- Sentimentos Ocultos
Série Concluída



quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Algemas de Sedução

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


“Você pertence a mim.”

No deserto, a palavra do sheik Kavian é a lei.

Por isso, a fuga de sua prometida no dia da cerimônia é intolerável. 
Talvez Amaya precise de mais uma prova do prazer que ele pode proporcionar. 
Assim que ela volta ao reino, Kavian comanda sua sensual redenção. 
Amaya teme que a paixão que a consome a enfraqueça, porém, logo se prova à altura do desejo de Kavian. 
Ele precisa de uma noiva que o aceite por completo... Será que Amaya conseguirá encarar o passado sombrio de Kavian e abraçar seu destino como rainha?

Capítulo Um

Não houve aviso algum.
Nenhum homem misterioso, de olhos cruéis e perspicazes, a observou das sombras. Não houve nenhum momento de silêncio constrangedor quando ele entrou no pequeno café da minúscula vila à beira do lago, na Colúmbia Britânica.
Não houve nenhuma ligação perdida ou interrompida em seu telefone descartável, geralmente indicativas que sua coleira estava se esticando ao máximo.
Ela estava com uma grande xícara de café forte e quente para espantar o frio que fazia no fim de outono ali no Norte, quando a neve soterrava as encostas das Montanhas Rochosas do Canadá e as nuvens pesadas pairavam baixo. 
O folhado que havia escolhido era exageradamente doce, mas ela o comeu mesmo assim. Verificou os e-mails, as mensagens. Havia uma mensagem de voz de seu irmão mais velho, Rihad, que ela ignorou. Ela ligaria para ele mais tarde, quando estivesse menos exposta. Quando ela tivesse certeza que os homens de Rihad não iriam poder rastreá-la.
Ela então ergueu os olhos, ao sentir uma perturbação no ar que fez sua pele arrepiar, no segundo antes de ele se sentar diante dela, na mesa do café minúsculo.
— Olá, Amaya — disse ele, com uma espécie de satisfação calma e resoluta, enquanto dentro dela ecoava um grande grito. — Encontrá-la foi mais difícil do que eu imaginava.
Como se aquele fosse um encontro perfeitamente casual, ali, naquele café tranquilo em uma vila à beira do lago, em uma parte remota do Canadá na qual ela achava que ninguém a encontraria. Como se ele não fosse o homem mais perigoso do mundo para ela — aquele homem que tinha a vida dela nas mãos, mãos que pareciam relaxadas sobre a mesa entre eles, apesar das cicatrizes e marcas do trabalho pesado, em um notável contraste com a fúria implacável naqueles olhos demasiadamente cinza.
Como se ela não o tivesse abandonado — Sua Alteza Real, Kavian ibn Zayed al Talaas, sheik governante da fortaleza do deserto Daar Talaas —, não exatamente no altar, mas bem perto disso, seis meses atrás.
Desde então, Amaya não parou de fugir. Ela sobreviveu com o dinheiro da carteira e a habilidade de não deixar rastros, graças a uma rede global de amigos e conhecidos que havia tecido durante a juventude errante ao lado da mãe. 
Ela dormiu no chão da casa de verdadeiros estranhos, ficou em quartos esquecidos de amigos de amigos e caminhou quilômetros e quilômetros na mais absoluta escuridão para sair de cidades e até mesmo países onde achava que poderia ser encontrada. 
Tudo o que ela queria fazer era levantar e sair correndo pelas ruas da vila quase deserta de Kaslo — direto para as águas congelantes do Lago Kootenay, se necessário. Porém, Amaya tinha certeza que Kavian iria alcançá-la, se tentasse.
Com as próprias mãos, desta vez.Ela não conseguiu reprimir o arrepio que percorreu seu corpo só de pensar nisso.E muito menos o que veio a seguir, quando a boca sensual de Kavian curvou-se em um esboço de sorriso ao ver a reação dela.
Controle-se, disse Amaya para si mesma, em sua mente.
Mas Kavian parecia ter ouvido isso, também. Ela odiava saber que uma parte de si acreditava que ele conseguia fazer isso.
— Você parece surpresa em me ver. Mas com certeza não está.
— Claro que estou. — Amaya não sabia como havia conseguido pronunciar as palavras. Uma lista de coisas que ela precisava fazer... naquele mesmo instante, se ainda houvesse alguma chance de escapar dele, agora que Kavian estava esperando que ela o tentasse... surgiu em sua mente. Mas ela não conseguia tirar os olhos dele. Assim como na última vez em que o havia visto, no noivado arranjado deles, ele detinha a total atenção dela. — Achei que tinha ficado bem claro nos últimos seis meses que eu não queria vê-lo nunca mais.
— Você pertence a mim





quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Laços de Sangue

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Grávida e fugitiva!

O poderoso sheik Rihad al Bakri quer que o bebê que Sterling McRae carrega no ventre seja criado como seu sucessor ao trono. 
A criança é filha de Omar, irmão de Rihad, e foi concebida para proteger um segredo. 
Com a morte de Omar, Sterling sabe que não há ninguém que possa impedir Rihad de conseguir o que deseja.
Contudo, ele não contava que aquela bela e desafiadora mulher abalaria suas estruturas. 
E logo o seu autocontrole dá lugar a uma paixão avassaladora. Agora, Rihad sabe que para assegurar o futuro de seu reino, ele precisa conquistar o corpo e o coração de Sterling.

Capítulo Um

Da última vez em que ela fugira para salvar a própria vida, Sterling McRae era uma adolescente rebelde com mais coragem do que bom senso. Hoje era mais uma negociação do que uma fuga em si, graças ao bebê que carregava e precisava proteger a todo custo, agora que Omar estava morto, mas o princípio continuava o mesmo.
Saia. Fuja. Vá para algum lugar onde nunca consigam achá-la.
Pelo menos desta vez, doze anos mais velha e séculos mais sábia do que a garota de 15 anos que fugira do lar adotivo em Cedar Rapids, Iowa, não dependia da rodoviária local para fugir. Desta vez, tinha cartões de crédito sem limite e uma SUV à sua disposição, com motorista para levá-la aonde quisesse ir.
Teria de dispensar tudo isso assim que saísse de Manhattan, mas pelo menos começaria a sua segunda reinvenção com um pouco mais de estilo.
Obrigada, Omar, pensou Sterling. Os saltos que fazia questão de usar mesmo já estando em um estágio avançado da gestação ecoavam no piso da cobertura que ela e Omar dividiam desde que se conheceram quando ele cursava sua pós-graduação. Uma onda de tristeza ameaçou derrubá-la, mas ela lutou, determinada, e cerrou os dentes.
Não tinha tempo para tristeza. Assistira ao noticiário pela manhã. Rihad al Bakri, o temido irmão mais velho de Omar e agora ditador do minúsculo país no Golfo Pérsico de onde Omar fugira aos 18 anos, acabara de chegar a Nova York.
Sterling não tinha dúvidas de que ele viria procurá-la.
Ela sabia que havia chance de já estar sendo vigiada, de o sheik ter enviado uma equipe antes para vir atrás dela, mesmo ele tendo chegado a menos de meia hora. Esse pensamento fez com que diminuísse o ritmo de seus passos, para que parecesse calma, apesar do coração acelerado. Sorriu ao atravessar o saguão, como se fosse um dia qualquer. Não honraria Omar se deixasse que ela, ou pior, seu bebê, caíssem nas garras das pessoas de quem ele lutara tanto para escapar. E ela sabia um pouco sobre como os predadores reagiam ao ver presas agindo como presas.
Quanto mais medo mostrasse, com mais força eles atacavam. Sterling sabia disso muito bem.
Então, caminhou.
Sterling caminhou como a modelo que fora antes de assumir sua posição ao lado de Omar tantos anos atrás. Como a amante sensual e famosa do playboy internacional, como Omar era visto pelo mundo. Saiu pela manhã de Nova York e não olhou em volta para a cidade que tanto amava. Não tinha tempo para despedidas. Não se quisesse manter o seu bebê, e de Omar, a salvo.
Podia ter perdido Omar, mas com a ajuda de Deus, não perderia seu bebê.
A manhã de verão estava clara e quente, dando-lhe uma desculpa para esconder sua tristeza e ansiedade, e as lágrimas que se recusava a deixar escorrer por trás das lentes dos óculos de sol. Demorou um pouco mais de tempo do que deveria para perceber que, embora fosse a SUV preta de Omar parada no meio-fio, não era o seu motorista que estava parado ao lado.
Este homem estava encostado na lateral do carro como se ali fosse um trono e ele, seu rei por direito. Sua atenção estava no celular, e alguma coisa na forma como ele mexia na tela dizia que era insolente. Ou talvez a forma como se mexeu e levantou o olhar, escuro e desaprovador, que encontrou o dela com a forma de um soco.
Sterling precisou parar para não cair; e não tinha nada a ver com tristeza.
Porque aquele olhar parecia um toque, íntimo e de luxúria. E apesar de a imagem de mulher que se entregava aos prazeres da carne que Sterling trabalhara duro para ter, ela não gostava de ser tocada. Nunca.  Nem mesmo assim. Quando sabia que não era real. Parecia real.
Este motorista era muito...

domingo, 17 de abril de 2016

Sem Defesa

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Votos de Conveniência






Um casamento em jogo.

Subir ao altar com o irresistível CEO Chase Whitaker não deveria ter sido o destino de Zara Elliot. Contudo, para salvar os negócios da família, ela precisa ser conivente... Chase possui apenas um interesse: vingar-se do pai dela. Porém, não esperava que seu férreo autocontrole fosse abalado pelo charme natural de Zara. 

Durante a noite de núpcias o jogo vira, e ambos percebem que estão brincando com um fogo impossível de ser domado. Chase não considerava a derrota como opção... Mas vencer passou a ter um novo significado.

Capítulo Um

Zara Elliot percorreu metade da aleia da igreja First Congregational, toda branca e considerada por ela muito pretensiosa, considerando o quarteirão inteiro florido no centro da bem cuidada aldeia de construções brancas na qual a família vivia desde a fundação da primeira colônia de Connecticut, lá pelos idos de 1630. Então a noção do ato insano a atingiu com força.
Sentiu os joelhos tremerem de modo alarmante, ocultos por baixo de todo aquele tecido branco que a deixava parecida com um bolo de casamento, e por um triz parou ali mesmo. Diante das centenas de testemunhas que o pai determinou serem necessárias para o show circense.
— Não ouse parar agora — sibilou o pai com aquele sorriso simpático que usava em público, apesar da tensão do corpo rijo. — Se for preciso, Zara, eu arrasto você até o altar, mas prefiro não ser obrigado a tomar tal atitude.
Isso constituía o máximo de amor paternal e apoio que poderia esperar de Amos Elliott, que colecionava dinheiro e poder assim como outros pais colecionavam selos. Zara nunca tivera coragem de enfrentar o pai.
Isso fazia parte do departamento da irmã, Ariella.
Motivo pelo qual tudo aquilo estava acontecendo, lembrou-se enquanto, obedecendo ao pai, continuava caminhando. Então precisou se forçar a parar de pensar na irmã mais velha, porque o vestido podia ser uma escandalosa monstruosidade de tecido branco transparente, mas também era muito — mas muito mesmo — apertado. Ariella era no mínimo oito centímetros mais alta que ela e tinha seios de menino, o que era perfeito para se exibir em biquínis e roupas que desafiavam a gravidade como bem entendesse. Se Zara se irritasse, como aconteceria se pensasse mais a sério sobre o assunto, tiraria aquele vestido que não lhe pertencia, e que não cabia nela, ali mesmo, bem no meio da igreja que seus ancestrais ajudaram a construir séculos atrás.
Seria bem feito para o pai, concluiu irritada, mas não valeria a pena o preço que ela, Zara, teria que pagar. De qualquer modo, ela fazia tudo pela falecida avó, que acreditava de todo coração que Zara deveria dar outra chance ao pai e a fizera prometer, em seu leito de morte no último verão, que Zara atenderia a seu pedido. Entretanto, decidira deixar o chalé em Long Island Sound de herança para a neta, caso essa última chance não funcionasse direito.
Em vez disso, concentrou-se no infame Chase Whitaker — seu noivo — que, parado no altar, aguardava de costas por sua chegada. Parecia estar alimentando um suspense romântico quando Zara sabia que o mais provável é que tentasse ocultar a raiva por ter sido obrigado a casar. Ele deixara bem claro que não queria se casar. O acontecimento era conveniente para o pai dela, que o obrigara a ceder depois de meses, após o pai-todo-poderoso de Chase morrer de repente, deixando Amos em situação frágil na estrutura da Whitaker Industries, que ele, no cargo de presidente do conselho de diretores, poderia explorar.
Chase teria se oposto a este casamento mesmo se fosse com quem deveria ser: Ariella, que no seu estilo típico, não se dera ao trabalho de aparecer de manhã.
Zara sempre se orgulhara de sua praticidade, uma virtude que não fazia parte da lista de valores da família Elliott, mas tinha de admitir que uma parte de si admirava os ombros largos do noivo e aquela altura deslumbrante que o deixava tão elegante. Imaginou como seria se tudo aquilo fosse real. Se ela não fosse a substituta de última hora para a beleza da família, que uma vez tinha sido descrita, na sua frente, para que escutasse, como a joia da coroa dos Elliott. Se um homem como Chase Whitaker, com aqueles olhos azul-escuros, os cabelos escuros e fartos e aquele corpo atlético deslumbrante, que deixava qualquer mulher ruborizada e sorrindo feito idiota só de admirá-lo, sem mencionar aquele sotaque delicioso ao qual ele adicionava tanto charme, estivesse de fato esperando por ela no altar.
Se, se, se, debochou de si mesma. Você também está se comportando feito uma idiota.
Ninguém, indispensável dizer, tinha jamais descrito Zara como uma joia de qualquer espécie. Embora sua amada avó a tivesse chamado de formidável uma ou duas vezes antes de falecer no último verão, naquele tom que mulheres da alta classe social da avó usavam para se referir às meninas que consideravam razoavelmente elegantes, mas acima de tudo confiáveis, porém, longe de serem consideradas bonitas.
— Você é tão confiável — tinha dito Ariella havia uns dois dias, daquele seu jeito habitual, com um sorriso e um tom sarcástico que Zara sempre preferira ignorar durante a maior parte de seus 26 anos. Ariella fazia a maquiagem para uma das festas comemorativas do casamento que se daria dentro de dois dias, um exercício que lhe tomava uma quantidade inacreditável de tempo, na opinião de Zara. Não que Zara compartilhasse sua opinião. — Não sei como você suporta se comportar assim todo o tempo.
— E, por acaso, tenho escolha? — perguntou Zara com um levíssimo toque de grosseria, pois o modo de Ariella dizer confiável não era em hipótese alguma um elogio, ao contrário da expressão da avó. — Você está planejando mudar de atitude e em algum momento de sua vida se tornar confiável?

Série Votos de Conveniência
2- Sem Defesa
Série Concluída

sexta-feira, 25 de março de 2016

Sem Escolha

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Votos de Conveniência



“Tudo não passa de um jogo de xadrez, e eu sou um peão conveniente...”

O magnata grego Nicodemus Stathis nunca conseguiu esquecer a bela herdeira Mattie Whitaker. E agora, depois de dez anos alimentando uma deliciosa tensão sexual, ele tem Mattie exatamente onde a quer. Com a ruína da poderosa dinastia dos Whitaker, apenas Nicodemus pode oferecer uma solução... Desde que seja acompanhada de votos matrimoniais! 

Apesar de não ter escolha, Mattie se recusa a ceder ao capricho de Nicodemus. Mas a lenta e calculada sedução desse grego implacável derruba a resistência de Mattie, deixando-o cada vez mais perto do "xeque-mate".

Capítulo Um

Se ficasse quieta, se conseguisse prender a respiração e evitasse piscar tanto os olhos, Mattie Whitaker tinha certeza de que seria capaz de fazer desaparecer as palavras ditas por Chase, seu irmão mais velho. Ela as rebobinaria, depois as apagaria integralmente.
Do lado de fora da velha mansão, bem acima do rio Hudson, cerca de duas horas distante de Manhattan, uma chuva fria caía do céu. Árvores secas por conta do outono eram assoladas pelo vento do mês de outubro. A propriedade estava envolta em nuvens escuras, cinzentas, e os solenes pinheiros verdes faziam um contraste soturno com o ambiente. A velha mansão era conhecida pelo nome de Greenleigh, embora não houvesse muito verde por ali. Ao seu lado, sentado à mesa que sempre seria do seu pai, embora o patriarca não estivesse ali há meses, Chase estava em silêncio.
Mas nada seria rebobinado. Nada seria apagado. Ela não conseguiria escapar do que sabia estar chegando.
Ainda por cima, naquele instante, sendo perfeitamente honesta consigo mesma, ela sabia que tal dia chegaria. Mais cedo ou mais tarde.
— Eu não escutei muito bem — disse Mattie, finalmente.
— Claro que escutou — falou seu irmão.
Ela devia se sentir melhor ao perceber que ele estava tão perdido quanto ela, pois isso era melhor do que a distância que sempre imperava entre os dois. No entanto, o pior é que ela não se sentia melhor.
— Repita, por favor — pediu ela, pressionando os dedos contra o vidro da janela, deixando que o frio entrasse em sua pele. É uma bobagem chorar diante do inevitável, teria dito o seu pai. Aliás, ele repetia essa frase desde a morte de sua mãe.
Guarde suas lágrimas para as coisas que você pode mudar, Mattie.
Chase suspirou, e Mattie sabia que, se olhasse para ele, veria um homem de pele pálida, o mesmo homem que os tabloides londrinos insistiam em rotular como sendo um solteiro de ouro. Um homem que parecia viver em eterna homenagem à sua mãe, há tempos falecida. E o pior é que tinham se passado longos quatro meses desde a inesperada morte do seu pai. As coisas se complicavam para Chase, que teve de suportar o peso dos negócios do pai. Porém, Matt não estava com humor para bancar a generosa... em nenhum sentido.
Mattie não olhou para trás. Ela não queria fazer isso.
Por outro lado, não se esconda das coisas que nunca funcionam, murmurou uma voz no interior da sua mente, uma voz que a lembrava de coisas que ela preferia esquecer.
Mattie calou essa voz rapidamente, mas as suas mãos tremiam.
— Você prometeu que nós faríamos isso juntos — mencionou Chase, baixinho. E era verdade. Ela prometera isso no funeral do pai, assustada por conta da perda, envolta em um terrível sentimento de luto, e sem pensar nas consequências. — Agora somos apenas nós dois, Matts.
Ele não a chamava assim há séculos, desde que ficaram presos em um carro juntos, e ela odiava ouvir tal apelido novamente. Ela queria se afastar disso tudo. Queria se afastar de Chase, do seu único irmão.
— Eu, você e o marido novinho em folha que você está me vendendo como se fosse um cavalo de raça, certo? — Perguntou ela, corrigindo-o, com um tom de voz gélido. Contudo, era melhor um tom gélido do que outro amargo, de pânico ou de terror. — Eu não sabia que nós estamos vivendo na Idade Média.
— O papai sempre deixou claro que casamentos cuidadosamente marcados e bem definidos estão entre as melhores práticas de negócios — declarou ele, e a voz de Chase era sardônica, talvez se tratasse de amargura, e Mattie girou o corpo, finalmente, para encontrá-lo encarando-a com uma expressão terrível em seus olhos azuis, e com os braços cruzados sobre o peito. — Eu estou no mesmo barco, Mattie... Amos Elliott está me perseguindo desde o dia do funeral. E ele já deixou claro que, se eu me aproximar de alguma das suas filhas, meu relacionamento com a diretoria será muito melhor. Sim, minha querida, nós estamos vivendo na Idade Média.

Série Votos de Conveniência
1- Sem Escolha
2- Sem Defesa 

terça-feira, 8 de março de 2016

Entre o Amor e a Vingança

ROMANCE CONTEMPORÂNEO





— Não é o ato que importa. É a submissão.

Paige Fielding esperou dez anos até Giancarlo Alessi voltar para sua vida. Mas o homem que ela fora obrigada a trair não quer saber de explicações ou desculpas. Surpreso por ver Paige trabalhando como assistente pessoal de sua mãe, Giancarlo decide colocar em prática seu plano. Ele a atrai até a Toscana e a faz se submeter a todos os seus comandos. 
Porém, a linha entre a revanche e o desejo é muito tênue... E quando Giancarlo descobre que Paige está grávida, precisa perguntar a si mesmo o que realmente quer: amor ou vingança?

Capítulo Um

— Devo estar tendo alucinações. E que Deus tenha piedade de você se assim não for.
Paige Fielding não ouvia aquela voz há dez anos. E a voz a envolveu como se a sugasse e deixasse eufórica e apavorada ao mesmo tempo.
A tarde no sul da Califórnia estava terminando. O surgimento inesperado daquele homem fizera com que o e-mail que redigia desaparecesse de sua mente completamente. Fizera com que ela esquecesse em que ano ou mês estavam e que dia era, levando-a de volta, vertiginosamente, para o passado doloroso.
Aquela voz. A voz dele.
Máscula. Voluntariosa. A leve alusão a sexo e à Itália, apesar do tom irritado, fez Paige arder da cabeça aos pés. Soou às suas costas fazendo com que desejasse se virar no assento, ou apenas se dissolver onde estava sentada. Ou perder o controle... Fácil e instantaneamente... Como sempre acontecia quando a ouvia.
Então ela se voltou na cadeira, obedecendo de um modo inconsciente e sabendo muito bem quem veria nas arcadas que conduziam à mansão de Bel Air, nas colinas de Hollywood. A mansão, chamada La Bellissima, era em homenagem à sua famosa proprietária, a lenda das telas cinematográficas, Violet Sutherlin. Uma estrela que havia várias décadas encantava o mundo com seu charme e talento, Paige lembrou vagamente.
Retornando ao momento presente, Paige sabia quem estava ali parado e, mesmo assim, uma espécie de premonição a invadiu fazendo sua pele arrepiar nos segundos antes de seu olhar encontrá-lo na soleira da porta com uma carranca que misturava desprezo e puro ódio.
Giancarlo Alessi. O único homem que ela amara com todo o seu coração ingênuo e sofrido, apesar disso não ter feito bem para nenhum dos dois. Ele fora o único que a fizera gritar, soluçar e implorar por mais na cama, até ficar rouca e depois muda de desejo.
O único cuja lembrança ainda a assombrava, e que, provavelmente, sempre a assombraria apesar de tudo.
Porém, Giancarlo fora também o único homem que ela traíra. Completa e indiscutivelmente. Sentiu o estômago se contrair, fazendo-a recordar o que fizera. Como se ela pudesse esquecer algum dia.
Na época, ela não tivera escolha, mas duvidava que Giancarlo relevasse o acontecido mesmo agora.
— Posso explicar — disse Paige depressa demais e muito nervosa. Não se lembrava de ter levantado da mesa onde fazia seu trabalho à luz do sol, como era seu costume nas tardes preguiçosas. De qualquer modo, agora estava de pé, sentindo as pernas bambas, perdida na expressão sombria dele como estivera dez anos antes.
— Pode explicar para os seguranças — replicou ele cada palavra, soando como uma bofetada.
Paige ficou vermelha, sentindo-se exposta como se ele pudesse enxergar sua alma até a parte do passado quando ela arruinara os dois.— Não me importa o que faz aqui, Nicola. Quero que vá embora.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Quero que você me Use

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Quinta Avenida


Dez anos se passaram desde a trágica noite que mudara as vidas de Austin, hunter e Alex. 

Agora, cada qual deve cumprir com sua parte na vingança contra o homem que arruinou tudo.
Hunter Talbot Grant III, celebridade esportiva de reputação duvidosa e podre de rico, acredita que os escândalos que cultiva podem esconder as sombras de seu passado. 
Quando surge a oportunidade de arruinar financeiramente o império de Jason Treffen, ele não pensa duas vezes. Mas antes deverá se livrar da mulher enviada para controlar seus passos. A relações-públicas Zoe Brook sempre consegue devolver a luz para estrelas que perderam o brilho. E Hunter não é exceção. 
O trabalho seria perfeito caso Zoe não fosse uma armadilha. Apesar de tomados pela febre da paixão, ela esconde um segredo: também havia se envolvido com Jason. E agora, assim como Hunter, tem sede de vingança!

Capítulo Um

Zoe Brook entrou determinada na boate de striptease, que ficava camuflada sob uma placa discreta em uma ruela do luxuoso bairro de Manhattan. Ela parecia um anjo vingador pronto para a guerra.
Passaram-se quase sete anos, mas sua vingança estava prestes a ser realizada.
Finalmente!
Ignorou os seguranças inexpressivos que a deixaram entrar, bem como o sorriso forçado da hostess ao passar pela recepção.
Havia pouquíssimos clientes a essa hora da manhã – eram 10h17 na última vez em que consultou o relógio. E isso tornou fácil encontrar quem ela procurava naquele lugar barulhento e quase sem luz, cheio de barras de pole dance espalhadas e um punhado de dançarinas entediadas com performances apáticas, sem um pingo de entusiasmo naquela penumbra vermelho-escura.
Não que sua presa estivesse tentando se esconder.
Hunter Talbot Grant III, outrora um atleta prodígio e extraordinário, hoje um incompetente profissional, se esparramava em um luxuoso camarote no canto da boate quase vazia, profundamente envolvido com mulheres seminuas.
Os lábios de Zoe se contraíram ao ver a cena, que era mais repulsiva do que esperava. As mulheres davam risadinhas, uma de cada lado, rebolavam na frente dele, contorciam-se como se a mesa dele fosse um palco. E Zoe, em seu elegante e habitual vestido tubinho e casaco sob medida para enfrentar o frio do inverno, estava mais vestida do que todas elas juntas.
– Bom dia, sr. Grant – ela cumprimentou, seca, observando o homem em toda a sua sórdida glória. – Parece que se esqueceu da nossa reunião de hoje às nove e meia.
Não era bem uma surpresa que alguém que atualmente fosse considerado a Celebridade Mais Odiada dos Estados Unidos fosse um boçal. Na verdade, Zoe já contava com isso. Hunter Grant era a vergonha dos esportes. Rico demais e desacreditado por opção, tinha as boates de striptease como seu hábitat natural. Boçal era redundante
– E você parece estar usando muita roupa.
A voz dele era um rosnado, profundamente masculina, e saía com uma arrogância aveludada e crua, combinando com seu corpo grande e impressionante, todo à vontade naquele camarote cheio de strippers. Mas seus olhares se encontraram como se estivessem sozinhos, e ele, completamente sóbrio. Houve certa hesitação no ar, um tipo de carga elétrica que fez a pele de Zoe vibrar.
Ela ignorou essa sensação estranha, mantendo o olhar sobre ele como se o choque de sua intensa corporalidade não parecesse sugar todo o ar ao redor, como um aspirador. Ou como se ela não percebesse, porque não deveria. Porque não podia.
– É um hábito horrível que tenho.
Zoe ergueu as sobrancelhas em desafio. Hunter era um homem que jogava para viver, e gente assim buscava desafios de todo tipo, não podia evitar. O que significava que ela poderia usar isso contra ele.
– Pelo jeito, não consigo evitar.
– Recomendo parar imediatamente – disse ele com um brilho sombrio naqueles famosos olhos azuis, sobre os quais as princesas do pop vinham cantando nos últimos anos.
Zoe baixara todas as músicas nas últimas semanas como parte de sua pesquisa exaustiva sobre a vida e as atitudes asquerosas de Hunter Grant, o quarterback de pior comportamento da história da liga nacional de futebol americano. Ela precisava saber de cada detalhe sobre ele, já que ia usá-lo como sua arma pessoal.
E iria usá-lo. Hunter apenas não sabia disso ainda.

Série Quinta Avenida
1 - Quero que Você me Vingue
2 - Quero que você me Use
3-  Quero que você me revele

sábado, 13 de dezembro de 2014

Noticías Escandalosas

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Série Os Coretti da Sicília



Abandonado no dia do casamento, Alessandro Corretti embarca em seu iate para fugir da imprensa e se recuperar. 

A bordo da embarcação e vestida com uniforme de funcionária está a mulher que havia destroçado o coração dele seis meses antes: Elena, o troféu de seu inimigo. Proibida para Alessandro.
Contudo, em alto-mar não existem regras, e Alessandro irá se apoderar da mulher que sempre desejou…

Capítulo Um

 — Que diabos você está fazendo no meu barco? 
Elena Calderón congelou no ato de polir o luxuoso bar de madeira no saguão superior do iate. A voz masculina baixa do outro lado da sala continha uma autoridade que demandava obediência instantânea. 
E ela sabia exatamente quem ele era, sem olhar para cima. Sabia. Alessandro Corretti. Ele não deveria estar lá, pensou ela freneticamente. Ele não usava aquele barco havia mais de um ano! Geralmente, alugava-o para estrangeiros. 
— Eu estou polindo o bar. — Ela conseguiu dizer. Manteve o tom calmo, porque era como uma comissária de bordo de um iate luxuoso falava com os hóspedes. Isso sem mencionar o próprio dono. Mas Elena não o olhou. Ele deu uma risada irônica. 
— É algum tipo de brincadeira? 
— Não é brincadeira. Esta é uma madeira de lei, segundo o comissário-chefe. Ela dissera a si mesma, repetidamente, que o que acontecera durante uma dança louca, seis meses antes, tinha sido uma casualidade, devendo-se mais ao vinho, à música e ao cenário romântico do salão de bailes do que ao homem... Não acreditava nisso, porém. Cautelosamente, olhou para cima. 
Ele estava meio escondido nas sombras da entrada do saguão, com o sol siciliano brilhando atrás, mas ela o reconheceu. Uma onda de calor a envolveu, e seu coração disparou. 
Alessandro Corretti. O homem que despedaçara sua vida com uma única dança. O homem que ela sabia que era ruim, independentemente de quão bonito fosse e do quanto se sentisse atraída por ele. O homem que era ainda pior do que seu ex noivo mentiroso, violento, com inclinações criminosas, Niccolo. Elena não ousara ir à polizia quando fugira de Niccolo, temendo as conexões da família dele. 
A família de Alessandro, todavia, fazia tais conexões parecerem sem substância. Eles eram os Corretti. Estavam acima da lei. E quando Alessandro adentrou mais o saguão, o peito de Elena se comprimiu em reação... E não era de terror. Seu coração disparou. Exatamente como seis meses antes, era como se seu corpo acreditasse que ele era bom. Seguro. 
— Essa foi uma tentativa de levitar? — Não havia nada seguro na voz dele ou na expressão daqueles olhos. 
— Hilário, tenho certeza. Mas você ainda não respondeu à minha pergunta, Elena. 



Série Os Coretti da Sicilia
 1- Legado de Silêncio
 2- Convite ao Pecado
 3- Sombra de Culpa
 4- Herança de Desonra 
 5- Sussurros de Tragédia
 6- Frágil Fachada
 7- Notícias Escandalosas
 8- Fome Pelo Proíbido
 

terça-feira, 10 de junho de 2014

Cicatrizes da Alma

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Série Coroa de Santina 









Parem as máquinas! 

Aristocrata recluso se casa!
Rafe McFarland, oitavo conde de Pembroke e galã do século XXI, casou-se secretamente com a ex-modelo Angel Tilson!
Boatos dão conta de que ela estava passando por dificuldades financeiras e que a união com o atormentado bilionário tenha sido por pura conveniência...
Agora, com os termos do acordo negociados, eles dificilmente sairão do quarto, já que sua nova mulher terá de pagá-lo em espécie...

Capítulo Um


Uma coisa era decidir que você ia capturar um marido rico para salvá-la de sua vida, mais especificamente da situação financeira desesperadora na qual você se encontrava, não por culpa sua, pensou Angel Tilson, enquanto olhava ao redor do salão de bailes, e outra bem diferente era fazer isso. 
Ela não sabia qual era seu problema. Estava no meio de uma multidão de pessoas ricas e com títulos. Aristocratas e membros da realeza preenchiam o salão de bailes do Palazzo Santina e ameaçavam ofuscar os enormes candelabros pendurados acima de suas cabeças. 
Ela podia sentir a riqueza saturando o próprio ar, como um aroma exclusivo. Aquela era a primeira vez nos 28 anos de Angel que ela se encontrava numa sala num salão de bailes de um palácio, na verdade, mas ainda, tecnicamente, uma sala com um grupo de príncipes. Deveria estar radiante. Disse a si mesma que estava.
Tinha viajado desde o bairro modesto em Londres para a linda Santina, esta pequena ilha no Mediterrâneo, a fim de celebrar o surpreendente noivado da meia-irmã favorita com um príncipe de verdade. E estava feliz por Allegra e pelo adorável príncipe Alessandro... é claro que estava. Muito feliz. 
Mas se a doce e sensata Allegra podia estar noiva do príncipe herdeiro de Santina, Angel não via por que não poderia encontrar um marido rico para si mesma, ali naquela ilha paradisíaca e próspera, onde havia uma abundância de homens ricos. Ele nem mesmo precisava ser da realeza, pensou ela, com generosidade, observando ao redor de sua posição perto de um dos grandes pilares que alinhavam o salão. 
Tudo o que Angel necessitava era de uma conta bancária grande e sólida. Queria fingir que aquilo era tudo uma brincadeira, mas não era. Ela estava desesperada. Angel sentiu que a expressão dela estava fechada e fez um esforço consciente para suavizá-la. Uma carranca dificilmente agradaria alguém, muito menos inspiraria repentinas propostas de casamento do tipo de homens que podiam comprar todos os sorrisos que quisessem do jeito que pessoas comuns como Angel compravam leite e ovos. 
— Você é capaz de sorrir com facilidade, querida — dizia a mãe dela, sempre naquele tom baixo, em geral pontuado por um dos sorrisos sexy que era a marca registrada de Chantelle. 
Esse e “por que não se casar com um homem rico, se você deve se casar com um, de qualquer forma”? Eram os conselhos maternais de Chantelle. Nunca mamãe, sempre Chantelle. Mas pensar no encorajamento e cumplicidade da mãe não ajudava. 
Não agora, enquanto ela estava enterrada até o pescoço em outra das confusões de Chantelle. Mágoa, fúria e incompreensão a envolveram outra vez com o pensamento das 50 mil libras que a mãe tinha gastado num cartão de crédito que retirara no nome de Angel “por acidente”. 
Angel descobrira a horrível conta sobre o tapete da porta de casa um dia, com uma aparência tão inofensiva, à primeira vista, que ela quase jogara no lixo. Mas então, abrira a fatura e, depois do choque inicial, descobrira imediatamente que a mãe era a culpada por aquilo, que não era algum tipo de engano. 
Não era a primeira vez que Chantelle havia pegado dinheiro “emprestado” de Angel, nem mesmo o primeiro “acidente”, mas era a primeira vez que ela exagerara tanto.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Nas Mãos do Destino

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Um plano muito pessoal. 

Alicia Teller sabe que seu controle de aço começou a enfraquecer assim que tropeçou e caiu nos braços de Nikolai Korovin. 

Depois de uma noite de paixão, ela descobre que ele é ninguém menos que seu novo chefe! 
As curvas de Alicia podem ser tentadoras, mas para Nikolai negócios e prazer não se misturam, ou, pelo menos, não se misturavam…


Capítulo Um

Até a tortura seria melhor do que isso. Nikolai Korovin atravessou a multidão afoito, demonstrando um claro desdém por tudo o que o circundava. 
Aquela era uma das discotecas mais exclusivas e badaladas de Londres, pelo menos de acordo com seus assistentes, e estava lotada de gente famosa e extremamente estilosa. 
Todos pareciam na crista da onda. Todos pareciam gloriosos, inabaláveis. E Veronika, com sua eterna mania de grandeza, não ficaria atrás. 
— Aceita um drinque? — perguntou alguém com olhar vazio, cabelo preto brilhante e lábios carnudos, roçando-o de uma maneira quase erótica. — Ou prefere outra coisa? Pode pedir o que quiser. 
Nikolai ficou esperando, impaciente, que ela parasse de falar, que afastasse o olhar do seu peito e o encarasse. Contudo, quando ela fez isso, ficou pálida. Era como se estivesse olhando para o diabo em pessoa. 
E foi exatamente o que aconteceu. Ele não precisou dizer nada. Ela imediatamente se afastou de Nikolai, que a esqueceu no exato momento em que a mulher desapareceu na multidão. 
Após uma ou duas voltas naquela discoteca lotada, com os olhos passeando por todas as pessoas que conseguiam se aproximar do bar ou de alguma cadeira milagrosamente vazia, catalogando-as cuidadosamente, Nikolai recostou-se ao lado de uma das gigantescas caixas de som e ficou esperando. 
A música, caso aquilo pudesse ser chamado de música, reverberava em sua espinha, era como se estivesse sofrendo um ataque ininterrupto de granadas. Aliás, ele talvez preferisse estar sendo atacado. Nikolai murmurou alguma coisa em sua língua materna, o russo, mas nada aliviava a dor nos ouvidos por conta daquele baixo grave, profundo. 
Que tortura! Ele odiava aquele lugar. Aliás, odiava todos os lugares parecidos com aquele, e visitara vários desde que começara sua busca incansável. Ele odiava o espetáculo, odiava a ostentação. E Veronika, claro, adorava tudo aquilo... Ela certamente adoraria estar em cada um daqueles lugares visitados por Nikolai, com aquele tipo de companhia. 
Veronika. O nome da ex-mulher reverberava em sua mente. Ela sempre foi uma víbora, sempre deixou claro quem mandava naquela relação. Mas Nikolai queria saber a verdade, de uma vez por todas. Veronika era a peça que não se encaixava naquela história, e ele queria entender o porquê. Depois disso, ela poderia desaparecer da face do planeta, e para sempre. 
— Eu nunca amei você. — Foi o que ela disse, com um longo cigarro entre os dedos, os lábios entreabertos, pintados de vermelho-sangue, e todas as malas prontas.
— Nunca fui fiel a você, exceto em momentos acidentais. — E sorriu, lembrando-o de que sempre fora a mesma, que jamais escondera nada, que sempre fora uma arma perigosa. 
— Nem preciso dizer que Stefan não é seu filho. Aliás, que mulher, em sã consciência, teria um filho com você? 
Nikolai acabou se estabilizando um pouco e entendendo que a dor que sentia viera da surpresa da partida de Veronika, não do conteúdo do seu discurso de despedida. Porque ele sabia quem era. Sabia o que era. E Nikolai a conhecia.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Príncipe Rebelde

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 






A assistente pessoal Adriana Righetti está familiarizada com escândalos.

Mas o príncipe Patrício consegue se superar! 
Seus casos infames estão nas páginas de todos os jornais.
A tarefa de manter seu nome real fora das manchetes até o casamento do irmão dele é uma verdadeira missão impossível.
Especialmente porque Patrício resolveu tirar Adriana do sério!
Contudo, nos bastidores, ela percebe que a postura relaxada dele é apenas fachada.
Então começa a imaginar se o príncipe rebelde que todos conhecem é realmente quem parece ser…

Capítulo Um 

Sua Alteza Real príncipe Patrício, a criatura mais devassa do reino de Kitzinia — se não de todo o mundo — e o tormento da vida de Adriana Righetti, estava esparramado na cama suntuosa e principesca em seus imensos aposentos do Palácio Real de Kitzinia, profundamente adormecido apesar de já passar de meio-dia. 
E não se encontrava, constatou Adriana quando entrou no quarto, sozinho. 
De acordo com a lenda e todos os tabloides europeus, Pato, sem a pressão das responsabilidades do irmão mais velho e herdeiro do trono e sem o menor traço de consciência ou de comportamento adequado, não dormia sozinho desde a puberdade. 
Adriana esperara encontrá-lo enroscado com a ordinária du jour… sem dúvida a mesma ruiva com quem fizera de si mesmo um espetáculo na festa de noivado do irmão, na noite anterior. 
Canalha! Mas quando olhou para a grande cama logo diante, a frustração que a fizera atravessar todo o palácio cresceu. Não esperara encontrar a ruiva e uma morena, as duas mulheres nuas e abraçadas no que era considerado o tesouro real de Kitzinia: o torso dourado e magro do príncipe Pato, todo músculos macios e beleza masculina esculpida, descoberto até a virilha. 
A palavra “escandaloso” era claramente relativa naquele contexto. 
— Não precisa ser tímida. 
Adriana conseguiu não reagir ao brilho zombeteiro no olhar do príncipe Pato quando ergueu os olhos e o viu a observá-la, os olhos sonolentos e um sorriso debochado na boca maliciosa. 
— Sempre há lugar para mais uma. 
— É uma tentação. — O tom ríspido denunciava o contrário. 
— Mas devo recusar, lamento. 
— Este não é um esporte para espectadores. Pato afastou a morena do peito com uma habilidade que datava de longa prática e se ergueu sobre um cotovelo, sem se importar se o lençol deslizava ainda mais para baixo. 
Adriana segurou a respiração, mas o lençol preservou o que restava do pudor dele. A ruiva rolou para longe quando Pato afastou da testa o cabelo castanho, um pouco mais longo do que o adequado, um brilho de diversão nos olhos cor de avelã com um tom de ouro polido. E então ele sorriu, desafiador e prepotente. 
— Suba ou caia fora. 
Adriana estudou o rosto nada contrito do príncipe Pato, mulherengo internacional e famosa ovelha negra da família real de Kitzinia. Ele era o maior desperdício vivo de espaço. 
Era um hedonista egoísta e ela preferia estar em qualquer outro lugar do mundo, menos ali. 
Adriana passara os últimos três anos como assistente pessoal do príncipe herdeiro Lenz, um trabalho que adorava, apesar de muitas vezes precisar cuidar das inevitáveis confusões criadas por Pato. 
Uma ação de paternidade, o depoimento na televisão de uma amante descartada e vingativa, um carro esporte que valia milhões destroçado, a atitude descuidada ou leviana que provocava manchetes embaraçosas. 
Ele era o espinho na carne do responsável irmão mais velho, e, portanto, na dela.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Em Nome da Honra

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Força e Poder






Kiara Fredrick levava uma vida comum até que um romance envolvente com o sheik Azrin e um anel com um diamante maior que o deserto de Khatan a transformam não apenas em uma princesa, como também em propriedade pública. 

Quando Azrin se prepara para assumir o trono, Kiara descobre que a vida na realeza pode destruir o outrora forte casamento deles...
Mas os reis de Khatan não se divorciam, e as rainhas não deveriam nem ter a ousadia de perguntar... 
Kiara conseguirá desafiar um desejo mais quente que as areias escaldantes do deserto? 

Capítulo Um

– Linda vista.
Kiara não se virou na direção da voz grave e autoritária, apesar de senti-la se derramar sobre si e se infiltrar em seu sangue, seus ossos, quase fazendo com que ela estremecesse. 

Não tinha percebido a sua aproximação até ele se acomodar na cadeira ao lado. Havia uma expectativa silenciosa em torno dela, eletricamente carregada, como se toda a cidade de Sydney ficasse em silêncio com a chegada dele. 
Imaginou aquele caminhar desenvolto, seguro, o modo como a intensa e poderosa masculinidade fazia com que as cabeças se voltassem na sua direção para onde quer que ele fosse o modo como ele, certamente, a estava olhando, naquele momento, com aquele foco intenso e consumidor, ao se aproximar.
Mas ela o estava aguardando.
– Esta é uma péssima cantada – ressaltou ela, num tom quase petulante.
Não tinha alternativa. Decidiu não olhar para ele a menos que fizesse por merecê-lo. Ia fingir que estava encantada pelas águas do porto, ou pelo pôr do sol que se aproximava e não por um homem como ele, por mais alto, intenso e perigoso que pudesse parecer, mesmo na sua visão periférica.
– Especialmente aqui. Esta vista é famosa.
– O que deveria torná-la ainda mais adorável – respondeu ele, com uma pontada de diversão sob a sedução firme e aveludada da voz que se espalhou como um calor sobre a pele dela. – Ou será que você é do tipo melancólico que diante de uma vista excessivamente admirável acaba perdendo a graça?
Kiara estava sentada junto a uma mesinha do lado de fora, no saguão da gloriosa Opera House, de Sydney, em frente à famosa e bela Harbor Bridge.
O sol acabara de se pôr, tingindo o céu de tons intensos de dourado, lançando uma luz doce sobre as águas cintilantes do porto, aparentemente desafiando os arranha-céus da cidade a voltar o seu olhar para si.
Ela conhecia muito bem aquela sensação, por isso nem mesmo olhou para o homem que se acomodou ao seu lado como se fosse o dono da mesa, da cadeira e dela também, embora estivesse completamente consciente da presença dele, com cada parte do seu corpo.
– Não tente mudar de assunto – disse ela suavemente, como se não tivesse ficado nem um pouco perturbada pela presença dele nem pela força e carisma que ele parecia emanar sobre ela. 
Estava sendo muito difícil não se virar na direção dele para admirá-lo. – Foi você quem fez um comentário extremamente batido. Eu só ressaltei o fato.
Ela sabia que a mistura particular de sua intensa beleza masculina, tão feroz que a fazia perder o fôlego, com aquele estonteante poder que emanava dele a venceria se ela ousasse virar a cabeça e olhasse para ele. Podia sentir a presença dele ao seu lado. 
Seu ventre se contraiu e ela o desejou, sentindo toda a sua feminilidade pulsar profundamente por ele. 
Os finos pelos de seus braços e nuca se eriçaram, fazendo-a estremecer. 
O mundo inteiro pareceu, subitamente, se reduzir àquela mesa e cadeira.
A ele...
 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Demônio Disfarçado

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Brincando Com Fogo





Uma sedução arriscada...

O trabalho infernal de Drusilla Bennet está perto de acabar.
Logo ela retomará sua vida e deixará seu chefe demoníaco para trás.
E está preparada para dizer um belo "Eu me demito!".
Cayo Vila nunca é pego de surpresa.
Porém, para tudo existe uma primeira vez.
E ele não está acostumado a ouvir um "não" como resposta.
Portanto, o pedido de demissão da melhor assistente pessoal que já teve é simplesmente inaceitável. 
Dru já tinha ouvido falar muito de seu lendário charme, mas só agora, quando ele está focado em sua direção, ela entende por que é tão difícil negar qualquer coisa a Cayo Vila!

Capítulo Um

– É claro que você não vai se demitir – disse Cayo Vila, impacientemente, sem ao menos erguer os olhos da ampla mesa de aço e granito que se impunha diante de uma vista gloriosa da cidade de Londres.
Não que ele jamais tivesse sido visto desfrutando dela.
O que se dizia era que Cayo Vila, na verdade, amava deter aquilo que os outros cobiçavam.
Drusilla Bennett sentiu uma enorme satisfação por saber que não faria mais parte de sua lista de propriedades e se obrigou a sorrir para o homem que havia dominado todos os aspectos da sua vida nos últimos cinco anos.
Trabalhara dia e noite como assistente pessoal dele, atravessando diferentes fusos horários em cada cantinho do globo terrestre por onde se estendia o seu vasto império.
E ela o odiava.
Era difícil imaginar, agora que sabia da verdade, como havia podido nutrir sentimentos mais puros por aquele homem por tanto tempo... Mas não importava, disse ela a si mesma, duramente.
Aquilo já era passado. É claro que era.
Dru foi tomada de assalto por uma daquelas ondas de pesar que vinham se abatendo sobre ela naqueles estranhos tempos, desde que seu irmão gêmeo, Dominic, morrera. Havia sido a única a ajudá-lo no tratamento de sua doença, ou melhor, de seus vícios.
Cuidara dele, pagara as contas de seus médicos e tratara de todas as questões relativas à sua cremação.
Aquilo, sim, havia sido muito difícil, e ainda estava sendo. As decisões quanto ao seu emprego eram simples. 
Ela não ia mais tratar a si mesma como a pessoa que menos importava em sua vida.
Estava tentando se convencer de que teria pedido demissão de qualquer maneira, mesmo que não tivesse descoberto o que Cayo fizera.
– Este é o meu pedido de demissão – disse ela, calmamente, naquele tom de voz sereno e profissional que se tornara a sua segunda natureza e que ela havia decidido nunca mais voltar a usar assim que deixasse aquele homem.
Já podia mesmo sentir a concha em que havia se escondido por tanto tempo começar a rachar.
– Imediatamente.
Lenta e incredulamente, Cayo Vila, o renomado e implacável fundador e presidente da Vila Group e sua impressionante rede de hotéis, empresas aéreas, negócios e o que mais lhe interessasse, ergueu a cabeça.
Dru conteve a respiração.
Ele havia baixado as sobrancelhas negras sobre o intenso calor dourado de seus olhos.
A expressão feroz e inflexível de seu rosto, tornada quase que brutalmente sensual por causa da boca atraente, estava ficando cada vez mais grave.
Ela sentiu o efeito de ser o alvo de sua completa atenção, um efeito que nem todos aqueles anos de proximidade haviam conseguido amenizar. Aquilo era o que ela mais odiava.
Sua maldita fraqueza. O amplo escritório pareceu, subitamente, pequeno e apertado.
– Como?
Ela notou o leve sotaque espanhol por trás das palavras dele, traindo o temperamento volátil que ele costumava manter sob estrito controle e conteve um leve tremor.
Não era à toa que era chamado de o Satã Espanhol. Ela gostaria de chamá-lo de algo bem pior.
– Você ouviu muito bem – disse ela, sentindo-se bem melhor com a bravata. Cayo balançou a cabeça.
– Eu não estou com tempo para isso – disse ele.
– Envie-me um e-mail detalhando as suas preocupações e…
.





Série Brincando com Fogo 
1- Demonio disfarçado 
2- O Amor é eterno
 

domingo, 8 de setembro de 2013

Uma Nova Esposa

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Segredos do Desejo 


Ela não poderia se apaixonar pelo próprio marido! 

Becca Whitney cresceu sabendo que fora deserdada por sua família de sangue azul ainda bebê. 
Por isso, quando recebeu um convite para regressar à mansão de seus ancestrais ficou intrigada. 
Theo Markou Garcia precisava de uma mulher ou, pelo menos, de alguém muito semelhante à sua noiva vergonhosa. Becca seria a substituta perfeita... 
A proposta parecia simples: disfarçar-se como uma herdeira Whitney em troca de sua própria herança... Mas com uma condição: não se apaixonar pelo marido! 

Capítulo Um

A Casa não havia mudado desde a última vez em que ela a vira.
A construção se estendia pela Quinta Avenida da cidade de Nova York como uma antiga aristocrata, olhando com desagrado para a falta de elegância ao seu redor.
Becca Whitney sentou-se no amplo salão abarrotado de obras de arte, fingindo não notar a expressão grave de seus, por assim dizer, parentes, que a olhavam como se a presença da filha ilegítima de sua irmã, há muito expulsa de casa e deserdada, poluísse o ambiente.
A enorme mansão mais parecia uma catacumba.
O silêncio tenso, que Becca se recusou a quebrar, já que havia sido chamada daquela vez, ao contrário de quando viera suplicar a ajuda da família, foi rompido subitamente, pelo leve ranger da porta ornada do salão.
Graças a Deus, pensou Becca. Ela teve que manter as mãos firmemente entrelaçadas em seu colo, e seus dentes cerrados para conter as palavras amargas que gostaria de dizer.
Seu alívio durou apenas o tempo de ela erguer os olhos e ver o homem que havia adentrado o recinto. Uma espécie de advertência pareceu crepitar sobre a pele dela, obrigando-a a se remexer na cadeira.
— E essa moça? — perguntou ele, num tom grave.
O ambiente mudou por completo.
Becca sentiu os seus lábios se entreabrirem levemente quando o seu olhar cruzou o daquele homem, em meio a séculos de artefatos e o franzir das testas daquelas pessoas terríveis que haviam expulsado a sua mãe daquela casa como um monte de lixo, há 26 anos. 
Os olhos dele eram de uma cor de âmbar impressionante, e pareciam queimá-la, fazendo-a piscar, a ponto de ela supor ter ficado marcada devido ao seu contato.
Quem era ele?
Ele não tinha mais do que 1,80m de altura, mas sua presença era incontestável. 
Era como se uma força emanasse dele. Usava o mesmo tipo de roupa que todos naquele mundo hermeticamente fechado de riquezas e privilégios — caras. 
Ao contrário de seus tios, porém, envoltos em seus ternos, lenços, e ostensivos acessórios, aquele homem era extremamente despojado. 
Usava um suéter cinza-carvão que aderia ao seu torso perfeitamente bem delineado e uma calça escura que evidenciava a força de suas coxas e seus quadris estreitos. 
Era elegante e primitivo ao mesmo tempo.
Ele inclinou levemente a cabeça ao avaliá-la, e Becca teve certeza de duas coisas. 
A primeira era que ele era extremamente perigoso, de um jeito que ela ainda não tinha muita clareza, embora pudesse enxergar a sua feroz inteligência, acoplada a uma certa intensidade implacável. 
A segunda era que ela precisava fugir dele. Já seu estômago se contraiu e seu coração acelerou. Havia algo naquele que simplesmente... a assustava.
— Quer dizer que você também nota a semelhança — disse Bradford, o pomposo tio de Becca, no mesmo tom condescendente que havia usado para expulsá-la daquela casa, há 6 meses. 
No mesmo tom que usara para dizer a ela e à sua irmã, Emily, que ambas eram um erro, um constrangimento, que não pertenciam à família Whitney.
— É realmente misterioso. — Os olhos desconcertantes daquele homem se estreitaram, focando-se inteiramente em Becca, enquanto falava com o seu tio. — Achei que vocês tinham exagerado.
Becca o encarou de volta. Havia algo de vivo, quente mesmo, pairando no ar, entre eles. 
Ela sentiu a sua boca secar e as palmas de suas mãos se contraírem. 
Pânico, pensou Becca. Ela teve vontade de se levantar e sair correndo até a rua, para longe daquela cena que se desenrolava em torno dela e que ela já não queria mais compreender, mas não conseguiu se mover devido ao modo como ele olhava para ela.
— Eu ainda não sei por que estou aqui — disse Becca, forçando-se a falar, e não obedecer, simplesmente, às ordens que recebia. 
Ela se virou e olhou para Bradford, e então para Helen, a irmã de sua mãe, que a observava com os lábios franzidos. — Depois do modo como vocês me expulsaram da última vez em que estive aqui...
— Uma coisa não tem nada a ver com a outra — interrompeu o seu tio, impacientemente. — Isso é importante.
— Assim como a educação da minha irmã — retrucou Becca.
Ela estava excessivamente ciente da presença do outro homem, como uma sombra escura em sua visão periférica.
Podia sentir o modo como os olhos dele a devoravam, a consumiam. 
Aquilo fazia com que ela sentisse os pulmões se apertarem em seu peito. Fazia o seu corpo...