Ross quer liberdade, e tem ceder à força da paixão!
Os cabelos de Eve ainda estão úmidos e Ross percebe que ela acaba de sair do banho. Encontram-se sozinhos no quarto de hotel e ele luta para reprimir o intenso desejo que o invade.
No entanto, seus esforços são inúteis, pois no instante seguinte se vêem nos braços um do outro, trocando as mais arrebatadoras carícias extravasando as emoções que haviam contido por quase dez anos.
Esse é o mais belo momento da vida de Ross, mas ele se detém.
Afinal, que direito possui de dar esperança a Eve? Que futuro ela poderia ter ao lado de um homem perseguido, cuja vida está ameaçada e pode acabar a qualquer momento?
Capítulo Um
Sentado junto ao balcão do bar do Royal King Hotel, Ross Madigan tomava um drinque, completamente indiferente ao barulho e à fumaça do lugar.
Com os olhos fixos na bebida, revia refletidas no copo as cenas de um passado doloroso.
A cada gole, identificava no sabor do uísque a amargura que o vinha consumindo nos últimos oito anos.
De repente, aplausos interromperam-lhe os pensamentos. Sem se virar, viu, pelo reflexo no espelho a sua frente, uma mulher subir ao pequeno palco e sentar-se ao piano. Era morena e muito atraente, chamando a atenção de todos no bar.
Ross se enrijeceu e tentou disfarçar a tensão, pedindo outro drinque.
Contudo, não tinha como deixar de olhar para a imagem no espelho. Não depois daqueles oito anos. Quando a voz suave e feminina soou pelo recinto, um calafrio o invadiu:
— Boa noite. Bem-vindos ao Starlight Room do Royal King. Meu nome é Eve Andrews e estou aqui para entretê-los com o melhor da música.
Terei enorme prazer em atender aos pedidos e tocar suas canções preferidas, mas, antes, aqui vai uma de minhas favoritas.
Ainda aplaudida, executou os primeiros acordes da música e iniciou a apresentação.
O copo na mão de Ross tremia. Acreditara estar preparado para aquele momento, mas havia se enganado redondamente.
“Andrews”, pensou consigo, tomando um gole da bebida. Antigamente, ela se chamava Evelyn Damon. Sra. Evelyn Damon.
Não havia mudado muito. Continuava linda; os olhos castanhos-escuros os traços bem definidos. Apenas os cabelos, outrora sempre presos num coque, estavam soltos e compridos.
Por quantas vezes ele não se vira tentado a remover a fivela que os prendia e acariciá-los ternamente.
Mas, na época, era um homem de escrúpulos e não admitia se envolver com a mulher de seu sócio. Além do mais, companhia feminina era o que não lhe faltava, sendo um jovem e promissor advogado.
Por onde andariam todas aquelas mulheres bonitas? Com certeza, nem se lembravam mais dele, e não as culpava por isso.
Afinal, quem se interessaria por um ex-presidiário acusado de assassinato?
E seus amigos? Será que ainda possuía algum? Depois do julgamento, não recebera notícias de nenhum deles, nenhuma palavra de apoio, nenhuma oferta de ajuda.
“Que amigos! Melhor não tê-los”, refletiu, magoado.
Passara oito anos terríveis na prisão, vivendo da pior maneira que um ser humano pudesse imaginar, e a única razão pela qual suportara tudo fora a promessa de provar sua inocência e vingar-se do homem que o colocara lá: Bernard Damon, o ex-marido de Eve e seu ex-sócio.
O homem em quem confiara plenamente, e que o enganara e destruíra toda sua perspectiva de uma vida próspera e feliz.
Agora que estava livre de novo, embora sob condicional, só pensava em encontrá-lo. Pelo que tinha pesquisado, o ex-sócio não estava mais em evidência.
Há tempos se retirara das altas rodas da sociedade, e ninguém sabia informar onde morava.
Assim, vira-se obrigado a procurar por Eve.
Não desejava envolvê-la naquela história, pois ela nada tinha a ver com as desavenças do ex-marido. Contudo, não existia outro meio de encontrar Bernard.
Ele sempre fora apaixonado por Eve e, na certa, não hesitaria em atender a um chamado da ex-esposa.
Ross estava disposto a tudo. Se necessário, chegaria ao extremo de ameaçar Eve para que Bernard aparecesse, mas não esperava recorrer a tanto.
Os anos na cadeia o tinham feito esquecer muitos dos bons princípios, mas não seria capaz de machucar ou coagir uma mulher.
