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domingo, 26 de junho de 2011

A Enseada Do Frances

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Dona St. Columb é madura o suficiente para qualquer loucura, qualquer escândalo que possa alterar o tédio de seus dias.

Mas há uma coisa, um segredo que ela guarda: anseia por um amor sincero em sua vida, e doçura, mesmo que seja temperada com perigo.
É por isso que Dona foge da úmida Londres para a remota Navron, procurando paz de espírito em seus bosques e riachos solitários e ocultos.
Ela encontra a paixão que anseia o seu espírito - no amor de um pirata ousado, caçado por todos em Cornwall, um francês que, como Dona, brinca com a própria vida, pelo prazer do momento...

Capítulo Um

Quando o vento leste sopra sobre o rio Helford, as águas cintilantes perturbam-se e agitam-se, e as pequenas ondas lançam-se, iradas, sobre as margens arenosas.
Na maré alta, o mar encrespado invade a barra, as aves pernaltas voam para o interior, para as terras pantanosas, com as asas a rasarem a superfície e chamando umas pelas outras.
Só ficam as gaivotas, rodopiando e gritando por cima da espuma, mergulhando de vez em quando em busca de comida, com as penas cinzentas brilhantes de salpicos de água salgada.
Os compridos vagalhões do canal, vindos de para lá da ponta Lizard, embatem com força sobre os íngremes fundos marinhos da embocadura do rio, onde a maré castanha, inchada pelas últimas chuvas e arrastando lama, ostentando a superfície ramos mortos, palhas, e estranhas coisas esquecidas, folhas que caíram cedo de mais, aves jovens e botões de flores, se mistura com o fluir e refluir das profundas águas do mar.
A baía aberta ao mar fica deserta, porque o vento leste torna a ancoragem difícil, e se não fosse à meia dúzia de casas espalhadas por aqui e por acolá, por cima da passagem do Helford, e o grupo de habitações em volta de Port Navas, o rio seria o mesmo que fora num século já esquecido, num tempo que deixou muito poucas recordações.
Nesses dias, as colinas e vales existiam num esplendor solitário, não se viam construções a profanar os campos em estado bruto e as falésias, não havia canos de chaminés a espreitar por cima das copas das altas árvores.
Viam-se algumas casas na aldeia de Helford, mas que não causavam qualquer impressão sobre a vida do rio, que pertencia às aves: maçaricos e patas-vermelhas, gaivotas e papagaios-do-mar.
Não havia iates a entrarem com a maré, como acontece hoje, e aquela faixa de águas plácidas onde o rio se divide para Constantine e Gweek mantinha-se calma e imperturbada.

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