Um assassino insidioso e frio, uma caixa de ébano, uma acusação mentirosa.
Crimes trágicos e misteriosos não param de acontecer e a sagrada
Suréte, a polícia francesa, não parece ser capaz de impedi-los.
Arsène Lupin, o ladrão delicado, que sente repugnância pelo sangue e cujo único crime sempre foi apoderar-se dos bens alheios, age novamente.
Neste romance de Maurice Leblanc, a vítima é Rudolf Kesselbach, o rei do diamante, que está de passagem por Paris.
Arsène Lupin, o "ladrão de casaca", acusado de homicídio, encabeça a investigação policial para inocentar-se, procurando encontrar o verdadeiro assassino.
Capítulo Um
O senhor Kesselbach parou de repente na entrada da sala, segurou o braço de seu secretário e murmurou com voz inquieta: — Chapman, entraram aqui novamente.
— Ora vamos, senhor — protestou o secretário —, o senhor acaba de abrir pessoalmente a porta do vestíbulo, e enquanto almoçávamos no restaurante a chave não saiu do seu bolso.
— Chapman, entraram aqui novamente — repetiu o Sr. Kesselbach. Apontou para uma maleta de viagem colocada sobre a lareira.
— Veja, aí tem a prova. Esta maleta estava fechada.
Não está mais. Chapman objetou: — O senhor tem certeza de que a fechou? Além disso, essa maleta contém apenas pequenas coisas sem valor, simples objetos de toalete...
— Contém apenas isso porque retirei minha carteira antes de sair, por precaução... sem o quê... Não, volto a afirmar, Chapman, entraram aqui enquanto almoçávamos.
Na parede havia um telefone. Tirou o fone do gancho.
— Alô... é para o senhor Kesselbach... do apartamento 415... Isso mesmo, senhorita, quer fazer uma ligação com a chefatura de Polícia... Sim, a Sûreté*... Creio não ser preciso dar-lhe o número, não é? Bem... Obrigado... Aguardo no aparelho. * Sûreté
— Polícia francesa. Um minuto depois voltava a falar:
— Alô? Alô? Gostaria de falar com o senhor Lenormand, o chefe da Sûreté. É da parte do senhor Kesselbach... Alô, Certo. O chefe da Sûreté sabe do que se trata. Tenho autorização dele próprio para telefonar-lhe...
—Ah! ele não está... Com quem tenho a honra de falar? Senhor Gourel? Inspetor de polícia... Tenho a impressão, Sr. Gourel, de que assistiu ontem à minha entrevista com o Sr. Lenormand... Pois bem, senhor, o mesmo fato voltou a acontecer hoje. Penetraram no apartamento que ocupo. E se o senhor viesse agora, talvez pudesse descobrir alguns indícios... Daqui a uma hora ou duas?
Perfeitamente. Bastará que o senhor procure o apartamento 415. Mais uma vez, muito obrigado! De passagem por Paris, Rudolf Kesselbach, o rei do diamante, como era chamado
— ou segundo outro apelido, "rei do Cabo"** — o multimilionário Rudolf Kesselbach (sua fortuna era avaliada em mais de cem milhões) ocupava há uma semana o apartamento 415 do quarto andar do Palace Hotel, composto de três peças, as duas maiores à direita, o salão e o quarto principal dando para a avenida, enquanto o terceiro, à esquerda, do secretário Chapman, dava para a rua de Judée.
Província do Cabo, na África, cuja capital é Cape Town, com importantes recursos minerais, destacando-se o diamante.
Além deste quarto, cinco cômodos estavam reservados para Mme. Kesselbach, que devia deixar Monte-Carlo, onde se encontrava atualmente, para reunir-se ao marido assim que ele a chamasse.
Durante alguns minutos Rudolf Kesselbach andou de um lado para outro, com ar preocupado.
Era um homem de grande estatura, corado, ainda jovem, a quem uns olhos sonhadores, percebidos através de seus óculos de aros de ouro, davam uma expressão de doçura e timidez, contrastando com a testa quadrada e os fortes maxilares.
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