
De coração para coração.
Patrick Farr é perfeitamente feliz com sua vida de solteiro, rodeado por mulheres lindas e jovens.
Se pelo menos ele as fizesse entender que nunca se casaria por amor...
Até Louisa Dennison, uma assistente perfeita, mãe solteira de dois filhos muito exigentes aparecer em sua vida!
Mas será que as tentativas deles de evitar o amor os levarão diretamente para o altar?
Capítulo Um
As portas do elevador se abriram e Louisa Dennison saiu, bem a tempo. Como sempre.
Ao vê-la do outro lado do lobby, Patrick ficou irritado.
Droga, será que essa mulher não podia chegar cinco minutos atrasada, ao menos uma vez?
Aí vem ela, em seu respeitável tailleur. A saia terminava precisamente no joelho; nem um fio de cabelo fora do lugar.
Ela parecia sensível, discreta, bem arrumada, uma assistente perfeita.
Patrick sabia que estava sendo irracional.
Ele tivera sorte ao herdar uma assistente tão eficiente quando assumiu a Schola Systems. Lou — o nome era a única coisa descontraída sobre ela — era uma secretária modelo. Elegante, pontual, profissional.
Ele nunca a pegara fazendo fofoca ou dando telefonemas pessoais no escritório.
Ela não demonstrava interesse algum pela vida pessoal dele, e Patrick nunca se sentiu obrigado a perguntar sobre a vida dela. Não, ele não poderia querer uma assistente melhor.
Às vezes, ele desejava que ela cometesse um erro, apenas um errinho.
Um erro de digitação, algo que ele pudesse corrigi-la, ou um arquivo que ela não conseguisse abrir de imediato.
Talvez ela pudesse puxar o fio da meia-calça ou derramar café. Fazer algo que provasse que era humana.
Mas ela nunca fazia nada desse tipo.
A verdade era que Patrick achava Lou intimidante às vezes, e isso o incomodava. Se fosse para alguém intimidar ali, esse alguém tinha de ser ele.
Homens adultos tremiam quando ele entrava numa sala, e sua reputação de executivo durão era o suficiente para fazer com que as pessoas o respeitassem muito.
Mas Lou Dennison era diferente.
Ela apenas olhava para ele com aqueles olhos negros.
Sua expressão era de completa indiferença.
Às vezes, ele suspeitava que nessa mesma expressão havia algo de ironia, o que o irritava mais do que ele gostaria de admitir.
E ela não tinha nada de especial, ele pensou um pouco ressentido.
Era atraente, mas tinha pelo menos uns 45 anos, o que era óbvio pelas rugas em volta dos olhos.
— Não estou atrasada, estou? — Lou perguntou ao se aproximar, e Patrick segurou a vontade de olhar no relógio e dizer que ela estava 15 segundos atrasada.
— Claro que não.
Ele forçou um sorriso e lembrou-se de que não era culpa dela o fato de ventos fortes terem forçado o fechamento da linha da Costa Leste naquela noite, que era longe demais até um aeroporto, ou que ele preferiria jantar com qualquer outra pessoa.
Não havia como não tê-la convidado para jantar pois estavam presos ali, mas ele torcia para que o jantar acabasse logo, para que pudessem seguir seus caminhos separados pelo resto da noite.
Ele olhou na direção do restaurante.
— Vamos direto? Ou você prefere uma bebida primeiro?
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