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terça-feira, 6 de março de 2018

A Ilha dos Amores Proibidos

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Juliet queria sonhar, e Mark, destruir-lhe todos os sonhos

Faltava pouco para o anoitecer. Logo a pequena ilha iria mergulhar em sombras e Juliet estremecia com a ideia de passar a noite sem abrigo, em plena praia. Não conhecia ninguém, a não ser Mark Bannerman, o homem que dispensara seus serviços e a expulsara de casa, sabendo que era impossível sair de Tamassee àquela hora.
De repente Juliet ouviu passos, vozes, e sufocou o choro. O que iria acontecer agora?
Capítulo Um

— É um pouco difícil achar uma colocação para você. — A srta. Posenby franziu a testa, enquanto lia os papéis sobre a escrivaninha. — Por ter trabalhado só com seu padrasto, não é possível comprovar a experiência anterior, embora não haja dúvida quanto à sua eficiência. Saiu-se muito bem nos testes de datilografia e taquigrafia.
Juliet sorriu.
— Tinha que ser rápida — explicou. — Quando papai ditava, não queria ser interrompido para não perder o fio do pensamento. Às vezes começava a trabalhar à meia-noite e só parava ao raiar do dia.
— É mesmo? — O tom impessoal da srta. Posenby não traiu a conclusão de que o padrasto de Juliet devia ter sido um grande tirano.
Sem dúvida, a jovem tinha sido uma filha dedicada e estava arrasada com a morte dos pais, como bem o provava sua aparência triste, esgotada. Dirigindo a agência de empregos há muitos anos, a srta. Posenby tinha experiência em analisar as pessoas. Juliet era muito bonita: o corpo esguio, com todas as curvas no lugar, os cabelos pretos à altura dos ombros, olhos cor de violeta e a pele luminosa, perfeita. Tudo nas proporções exatas de um modelo. E tinha jeito para vestir-se: o vestido de algodão caía como uma luva, embora a srta. Posenby tivesse de reconhecer que era um artigo de liquidação, que pouco se destacaria sem o lenço e o cinto dando o toque chique. Pelo que constava na ficha, havia terminado a universidade e só trabalhara com o padrasto. Talvez isso explicasse o ar de inocência, completamente fora de moda.
A srta. Posenby não era nada boba. Perto dos sessenta, muito bem conservada, cabelos brancos como a neve, tingidos de um leve tom azulado para combinar com os olhos, parecia, à primeira vista, uma suave fada madrinha, até se perceber que vivia com os pés bem na terra e não no mundo das fadas. Fitou Juliet com curiosidade, como se algum pormenor tivesse chamado sua atenção.
— Então seu padrasto era escritor?
— Não propriamente: seus livros eram todos científicos.
— Um cientista, então?
— Sim, era especialista no estudo de golfinhos.
— Golfinhos? Está querendo dizer peixes?
— Os golfinhos não são peixes — Juliet corrigiu-a com um sorriso. — Embora vivam no mar, são mamíferos. Respiram pelos pulmões e são amamentados como os seres humanos.
— É mesmo? Parece que sabe muito a respeito deles, não?
Os olhos de Juliet brilharam.
— Cresci no meio dos golfinhos.
— Humm, espere um pouco, acabo de pensar em algo que pode servir para você.
A dona da agência foi até a sala ao lado e, pelo murmúrio das vozes, Juliet deduziu que devia estar falando com a secretária. Relaxou um pouco e, enquanto esperava, lembrou-se do padrasto, David Graham. Apesar da má impressão da srta. Posenby, ele havia sido um verdadeiro pai, dando-lhe carinho e atenção desde que se casara com Mary.
A morte recente dos dois deixou Juliet sem lar e precisando de emprego. O dinheiro nunca foi suficiente, apesar da posição de David Graham como um dos maiores cientistas do mundo no campo dos cetáceos, o estudo de toninhas, golfinhos e baleias. Ele preferia a pesquisa ao ensino e todo centavo que ganhava, incluindo os direitos autorais dos livros, destinava-se ao financiamento de seus projetos. Não havia sobrado nada para a enteada, nem mesmo uma casa.