
Daryll Rourke vivia uma vida secreta em Bali.
Apesar de correr perigo e estar sempre nos lugares mais inóspitos, não queria voltar para a selva de concreto em que morara durante muitos anos.
Grant Hilliard entrou em sua vida quando precisou de ajuda para encontrar a noiva, que fora raptada.
Daryll, porém, hesitou em atendê-lo. Desde o primeiro momento não o achara confiável.
Por que, então, seu coração batia descompassadamente cada vez que ele se aproximava.
Como seria passar dias e dias embrenhada na mata ao lado de um desconhecido sedutor?
Capítulo Um
Daryll Rourke equilibrou-se na forquilha entre dois galhos, segurando-se em outro acima de sua cabeça.
O cheiro do rio subia-lhe às narinas e a brisa mansa da noite passava entre as folhas, produzindo um leve som farfalhante.
Usando o traje de Pirata Diabólico, Daryll observava o rio atentamente através dos galhos que lhe serviam de esconderijo.
A corrente de água era negra, a não ser nos pontos onde os raios da lua, penetrando entre as árvores, pincelavam listras brilhantes.
O momento do salto precisava ser perfeitamente cronometrado, porque o rio era fundo e rápido.
Daryll esperava vigilante, pelo instante em que veria o vulto volumoso do navio.
Mal respirava. O sangue, os músculos e o coração pulsavam na antecipação do perigo.
Seu bando, formado por oito homens, mantinha-se escondido nas duas árvores mais próximas.
Em silêncio, os companheiros esperavam pelo momento em que Daryll saltaria para o convés do navio. Então, iriam atrás, surgindo como sombras caídas do céu.
O ritmo da correnteza mudou quase de modo imperceptível, a princípio.
Logo se agitou, perturbado. No mesmo instante, os piratas ouviram o barulho da água batendo no casco da embarcação que se aproximava.
Daryll levou a mão ao cabo da espada curta e larga e soltou o corpo, segurando-se com uma das mãos num galho e com os pés protegidos por sapatilhas flexíveis em outro.
O barco apareceu. A excitação de Daryll correu-lhe pelas veias, levando energia aos músculos rijos e ágeis.
O perigo fluía pelo rio largo que cortava a selva de Bali. Pohon sabia disso porque sua gente conhecia o rio havia muitas gerações. E era esse perigo que o sábio pai de seu pai o ensinara a pressentir.
O velho já estava cego, mas via todas as coisas invisíveis aos olhos dos jovens tolos.
Naquela noite, Pohon sentia o perigo sempre que as pranchas do navio estalavam sob seus pés.
A embarcação na qual ele trabalhava como vigia, pelo menos uma vez por semana, era o alvo desse perigo. O mal pairava sobre o barco.
Os patrões de Pohon e do resto da tripulação eram contrabandistas que levavam embora as riquezas de seu país e de sua cultura: estátuas esculpidas em ébano, tesouros seculares, objetos sagrados dos templos nas montanhas.
Tudo era transportado naquele navio para outro, de grande calado, que carregava os artefatos de valor inestimável para o Ocidente.
Pohon sabia que essas viagens eram perigosas, mas não tinha medo.
Esperava que os deuses não se dignassem a voltar sua atenção para o insignificante terceiro filho de um plantador de arroz.
Após cada viagem até a foz do rio, ele recebia milhares de rupias. Era mais dinheiro do que seu irmão ganhava depois de um mês de trabalho, esculpindo garanhões e bailarinas indonésias para uma empresa de Mas. DOWNLOAD